
Conto erótico: fetiche por mãos

Ela tinha as mãos mais bonitas que eu já vi. Não eram mãos de revista, dessas que aparecem em anúncio de creme. Eram mãos de verdade, com veias finas desenhando caminhos no dorso, unhas curtas e limpas, a pele levemente áspera nas laterais dos dedos. Mãos que denunciavam trabalho, mas também uma certa preguiça sensual, como se soubessem o poder que carregavam.
Conheci Marina numa tarde de sábado, em uma feira de antiguidades no centro de Belo Horizonte. Eu procurava um cinzeiro de cristal para minha coleção, e ela folheava discos de vinil com uma atenção que beirava a devoção. Quando nossos olhos se cruzaram, ela sorriu de um jeito que me desarmou. Não era um sorriso calculado. Era um sorriso de quem sabia algo que eu ainda não sabia.
Começamos a conversar sobre música, sobre o tempo, sobre coisas banais. Mas eu não conseguia parar de olhar para as mãos dela. Quando ela pegou um disco, os dedos deslizaram pela capa com uma delicadeza que me fez sentir calor no rosto. Quando ela apontou para algo na banca, o indicador se esticou no ar, e eu imaginei aquele dedo tocando minha pele, devagar, como quem desenha.
Troquei meu número com ela. Não foi ousado. Foi quase tímido. Mas naquela noite, deitado na cama, eu me peguei pensando naquelas mãos. Em como seriam se estivessem desabotoando minha camisa. Em como os nós dos dedos ficariam brancos se ela apertasse meu braço. Em como as pontas dos dedos sentiriam o suor na minha testa.
Dois dias depois, ela me chamou para jantar na casa dela. Um apartamento pequeno, no bairro Santa Tereza, com plantas por todo lado e um cheiro de canela no ar. Ela cozinhou. Eu observei. Cada gesto era uma coreografia. A mão que segurava a faca, a mão que mexia o molho, a mão que levava a colher à boca para provar. Eu queria ser aquela colher.
Depois do jantar, sentamos no sofá. Ela colocou um disco para tocar. Billie Holiday enchia o ambiente com uma melancolia lenta. Marina se inclinou para pegar a taça de vinho, e sua mão roçou meu joelho. Não foi acidental. Eu soube na hora. O toque foi leve, mas deixou um rastro de calor que subiu pela minha perna.
"Você está me olhando demais", ela disse, sem virar o rosto.
"Você tem mãos bonitas", respondi. Minha voz saiu mais rouca do que eu esperava.
Ela virou a cabeça devagar. Os olhos dela me estudaram como se eu fosse um texto difícil. Depois, ela estendeu a mão e tocou meu rosto. A palma deslizou pela minha bochecha, e o polegar parou no canto da minha boca. Eu fechei os olhos. O mundo encolheu até caber naquele contato.
"Você gosta disso", ela sussurrou. Não era pergunta.
Eu assenti. Não conseguia falar.
Ela se aproximou. O perfume dela era de madeira e algo doce, talvez baunilha. A mão continuou no meu rosto, e agora os dedos exploravam minha orelha, o lóbulo, o contorno do maxilar. Cada toque era uma pergunta. Cada resposta era um arrepio.
"Faz tempo que ninguém me toca assim", eu disse.
"Como?"
"Como se quisesse descobrir."
Ela sorriu. E então me beijou. A boca dela era macia, mas o beijo não foi. Foi firme, preciso, como se ela soubesse exatamente onde eu queria ser tocado. E as mãos não pararam. Enquanto a língua dela deslizava pela minha, os dedos dela desciam pelo meu pescoço, pela clavícula, pelo peito.
Ela abriu minha camisa sem pressa. Cada botão era um ritual. Quando a camisa se abriu, ela parou o beijo e olhou para mim. Depois, com as duas mãos, começou a me tocar. As palmas deslizavam pelo meu tórax, os dedos contornavam meus mamilos, as unhas arranhavam de leve minha pele. Eu gemia baixo, sem vergonha.
"Você é sensível", ela observou.
"Você tem mãos que fazem isso."
Ela riu. Um riso baixo, quente. E então me puxou para o quarto.
O quarto era simples. Uma cama de ferro, lençóis brancos, um abajur de luz amarela. Ela me deitou de costas. Ficou de pé ao lado da cama, olhando para mim. Depois, tirou a blusa devagar. Os seios pequenos, os mamilos escuros. Mas eu ainda olhava para as mãos. Para o jeito que ela levava as mãos à cintura para tirar a saia. Para o jeito que os dedos deslizavam pela pele da coxa.
Conto erótico: A lição do analEla se ajoelhou na cama, ao meu lado. E começou a me tocar de novo. Dessa vez, sem pressa. As mãos percorreram meu corpo inteiro. O abdômen, as laterais, a parte interna das coxas. Quando os dedos chegaram ao cós da minha calça, ela parou.
"Posso?", perguntou.
"Por favor."
Ela desabotoou. Abriu o zíper. Puxou a calça e a cueca de uma vez. Eu estava duro, latejando. Ela olhou para mim, para o meu sexo, e depois para as próprias mãos. Como se estivesse medindo o que ia fazer.
A primeira vez que a mão dela me envolveu, eu quase gozei. Os dedos se fecharam em volta do meu membro com uma pressão exata, nem forte nem fraca. O polegar deslizou pela cabeça, espalhando a umidade. Eu arquei as costas.
"Devagar", ela disse.
E foi devagar. A mão subia e descia, o punho girando de leve, os dedos apertando na base. Ela usava a outra mão para me segurar pelo quadril, os dedos cravando na carne. Eu olhava para aquelas mãos e não conseguia desviar. As veias, os tendões, as unhas. Era como assistir a uma obra de arte sendo feita.
Ela percebeu que eu estava perto. Parou. Eu gemi de frustração.
"Ainda não", disse ela. "Quero você inteiro."
Ela se deitou ao meu lado. Pegou minha mão e levou até o próprio sexo. Estava molhada. Os pelos macios, os lábios inchados. Eu a toquei, imitando o que ela havia feito comigo. Mas ela queria mais. Guiou meus dedos. Mostrou o ritmo. O polegar no clitóris, os outros dedos deslizando para dentro. Ela fechou os olhos. A boca entreaberta. E eu senti o corpo dela tremer.
"Assim", ela sussurrou. "Não para."
Eu não parei. Continuei até que ela gozou, com um som que parecia um soluço. O corpo dela se fechou em volta dos meus dedos. Depois, ela abriu os olhos e sorriu.
"Agora", disse.
Ela pegou uma camisinha na gaveta. Abriu com os dentes. Colocou em mim com as mãos, desenrolando devagar, apertando de leve. Depois montou em cima de mim.
A sensação de entrar nela foi como mergulhar em água quente. Ela se movia com um ritmo que era só dela. As mãos apoiadas no meu peito, os dedos abertos, as unhas arranhando. Eu segurava os seios dela, mas o que eu queria mesmo era segurar as mãos. Então ela entrelaçou os dedos nos meus. E ficamos assim, mão na mão, enquanto ela subia e descia. O suor escorria. A respiração ficava curta. E eu olhava para aquelas mãos, para os dedos entrelaçados, e sentia que nunca tinha estado tão perto de alguém.
Quando gozei, foi com um gemido que veio do fundo. Ela continuou se movendo até eu não aguentar mais. Depois, caiu ao meu lado. Ficamos deitados, olhando para o teto. O disco tinha acabado. O silêncio era bom.
Ela levantou a mão e passou os dedos pelo meu rosto. Um toque leve, de despedida. Ou de promessa.
"Você vai voltar?", perguntou.
"Se você me tocar de novo."
Ela riu. E eu sabia que voltaria.
Conto erótico enviado por Ricardo, de Belo Horizonte.
Conto erótico: A lição do anal
Conto erótico: Menage em São PauloConteúdo proibido para menores de 18 anos. Em Contos eróticos temos diversos artigos sobre este tema. Recomendo :)
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