
Conto erótico: A lição do anal

Chovia fino em Curitiba naquela quinta de outubro, o tipo de garoa que não molha de verdade, só deixa a pele com aquele brilho úmido que reflete nos postes da Rua Trajano Reis. Eu estava com trinta e nove anos, recém separada, morando num apartamento pequeno no Batel que ainda cheirava a tinta nova e a ausência de alguém. Foi ali que aprendi que o corpo guarda memórias que a cabeça insiste em esquecer.
Conheci Caio numa festa de aniversário de uma amiga em comum. Ele tinha quarenta e dois, mãos grandes de quem trabalha com madeira, um jeito quieto de olhar que me deixou sem graça pela primeira vez em anos. Conversamos sobre vinis antigos, sobre a cidade, sobre nada. No fim da noite ele me beijou na porta do prédio dele, um beijo lento, sem pressa, como se tivesse todo o tempo do mundo. Não subi naquela noite. Subi três dias depois.
O que me atraía nele era justamente o que me assustava. Caio não tinha pudor de dizer o que queria. Na segunda vez que dormimos juntos, depois de um orgasmo que me deixou com as pernas tremendo, ele passou o dedo molhado de mim até mais atrás, fazendo um círculo devagar, e perguntou baixinho se eu já tinha deixado alguém entrar ali.
Eu ri. Disse que tinha, uma vez, anos atrás, mas que tinha sido rápido, meio sem graça, o tipo de coisa que a gente faz para dizer que fez. Ele assentiu como quem entende tudo e não me cobrou nada. Só continuou tocando, aquela pressão leve, e naquela noite adormeci pensando naquilo.
A ideia ficou me rondando como um bicho manso. Comecei a reparar em coisas que antes passavam batido. O jeito que ele me segurava pelo quadril quando me puxava para cima dele. A forma como ficava por trás no chuveiro, o peito colado nas minhas costas, o membro duro encaixado na curva do meu corpo. Meu cu, palavra que eu sempre achei meio feia e que Caio pronunciava com uma naturalidade que me desarmava, começou a ocupar meus pensamentos.
Marcamos uma sexta. Ele disse que queria me preparar direito, sem pressa, que não queria que doesse. Acho que foi isso que me entregou de vez, essa atenção de artesão, essa paciência de quem trabalha com as mãos e sabe que a madeira precisa ceder no tempo dela.
Cheguei na casa dele às oito. Ele tinha aberto uma garrafa de tinto, acendido um incenso de sândalo que impregnava o quarto, e a luz era só de abajur. Nada de música alta, nada de encenação. Caio me beijou na cozinha mesmo, encostada na bancada de granito frio, e aquele beijo foi diferente, mais fundo, mais decidido. Ele me despiu devagar, tirando a blusa por cima da cabeça, depois o sutiã com um movimento que parecia ensaiado de tanto cuidado.
Me levou para o quarto pela mão. Sentou na beira da cama e me puxou para ficar entre as pernas dele. Ali começou a me tocar como quem afina um instrumento, primeiro os seios, depois a barriga, depois descendo até onde eu já estava molhada só de antecipar o que vinha. Ele me fez gozar assim, de pé, com dois dedos dentro e o polegar girando devagar, minha mão agarrada no ombro dele para não cair.
Fetiche em pés — Guia técnico e seguroDepois me deitou de bruços. Colocou um travesseiro debaixo do meu quadril e me disse para ficar quieta, que ele ia com calma. Senti a língua dele descer pela espinha, contornar as costas, parar na base. Quando chegou onde queria, eu já estava com a respiração curta. Ele me lambeu de baixo para cima, devagar, e depois enfiou a língua, e eu mordi o lençol porque nunca ninguém tinha feito aquilo com tanta dedicação.
Caio parou, pegou um vidro de lubrificante, e explicou que a primeira vez tinha que ser generosa, que faltava lubrificante era o que estragava tudo. Untou os dedos e voltou a me tocar. Primeiro um, devagar, girando. Depois dois, e eu senti aquele estiramento que é meio desconforto e meio prazer, uma linha tênue que separa as duas coisas. Ele esperou. Perguntou se estava bom. Eu disse que sim, com a voz rouca, e ele riu baixinho, aquele riso que já conhecia.
Quando finalmente se ajoelhou atrás de mim e encostou a cabeça no meu ânus, eu prendi a respiração. Ele empurrou devagar, muito devagar, e parou na metade para eu respirar. "Solta o ar", ele disse, e eu soltei, e ele entrou o resto num movimento único que me arrancou um gemido que nem reconheci como meu. A sensação era de ser preenchida de um jeito completamente novo, uma pressão que vinha de dentro e de trás ao mesmo tempo, um prazer que não se parecia com nada.
Ele começou a se mover. Devagar no início, círculos pequenos com o quadril, depois estocadas mais longas. Eu empurrava de volta, encontrando o ritmo dele, e a cada investida sentia aquele arrepio subir pela coluna e se espalhar pelo corpo inteiro. Caio me segurava pelo quadril com as duas mãos, os dedos cravados na carne, e falava coisas baixinho, que eu estava linda, que era assim mesmo, que ele queria me sentir inteira.
Não durou muito, porque a primeira vez é assim, intensa e curta. Ele gozou me segurando firme, e eu gozei junto, sem tocar em mim, o que nunca tinha acontecido antes. Ficamos assim um tempo, ele deitado sobre minhas costas, o peso do corpo me achatando contra o colchão, e eu sentia o coração dele batendo rápido contra a minha espinha.
Depois ele saiu devagar, me virou de lado e me abraçou por trás, encaixando o corpo no meu como duas peças. Ficamos calados. A garoa tinha virado chuva de verdade lá fora, batendo na janela do quarto, e eu me sentia mais inteira do que em muito tempo.
Aprendi naquela noite que o corpo não tem hierarquia. Que cada parte tem seu tempo, sua linguagem, seu jeito de dizer sim. Caio me ensinou que a entrega verdadeira não é sobre aguentar, é sobre confiar. E confiar, descobri, é a forma mais profunda de desejo.
Conto erótico enviado por Marina Sarmento
Fetiche em pés — Guia técnico e seguro
Cuidado dos pés e cosméticos para feticheConteúdo proibido para menores de 18 anos. Em Contos eróticos temos diversos artigos sobre este tema. Recomendo :)
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