Conto erótico: Quando o prazer se torna uma oração

Fetiche Em Pe Logo

A sala estava mergulhada em uma penumbra dourada, o sol da tarde filtrando-se pelas cortinas de linho, como se o tempo tivesse pausado apenas para eles. Ele não conseguia tirar os olhos dela, não desde que seus dedos haviam escorregado, sem querer, pelo braço nu dela ao alcançar o mesmo livro na estante. Um toque fugaz, mas suficiente para que o ar entre eles ficasse espesso, carregado de algo não dito. Ela sentira o calor da mão dele queimar sua pele, mas não se afastou. Em vez disso, fixou-o com um olhar que era ao mesmo tempo um desafio e uma rendição.

Não era a primeira vez que estavam tão próximos. Mas era a primeira vez que o silêncio entre eles doía tanto. Ele lembrava-se do cheiro do perfume dela — algo entre jasmim e pecado — daquela noite no bar, quando ela rira de uma piada que nem era engraçada, apenas para encostar o ombro no dele. Um gesto simples, mas que o fizera perder o fôlego. Agora, ali, com o som distante de uma chuva começando a bater na janela, ele sentia o mesmo calor subindo pela nuca, a mesma hesitação.

— Você sempre olha assim? — ela perguntou, a voz baixa, quase um sussurro.

Ele não respondeu. Não podia. As palavras teriam estragado aquilo. Em vez disso, deixou que seus olhos falassem por ele, demorando-se no contorno dos lábios dela, na maneira como o vestido colava ao corpo, revelando mais do que escondia. Ela não se moveu, mas ele viu o peito subir e descer, mais rápido agora. O ar entre eles era um fio tenso, prestes a arrebentar.

E então, sem aviso, ela estendeu a mão e tocou o rosto dele, os dedos traçando uma linha invisível da têmpora até o queixo. Não era um convite. Não era uma recusa. Era uma pergunta. Ele fechou os olhos por um instante, sentindo o toque como uma queimadura doce, e quando os abriu novamente, ela estava mais perto. Tão perto que podia sentir o hálito dela, quente e levemente adocicado.

Conto erótico: O segredo do sucesso gay nas histórias de desejoConto erótico: O segredo do sucesso gay nas histórias de desejo

— O que você quer? — ela murmurou, mas não era uma pergunta de verdade. Era um jogo. Um jogo que ambos sabiam como terminaria, mas do qual nenhum dos dois queria fugir.

Ele não respondeu com palavras. Em vez disso, segurou o pulso dela, leve, como se temesse que ela fosse desaparecer. E quando finalmente a puxou para si, não foi com pressa. Foi com a reverência de quem sabe que está prestes a profanar algo sagrado.

O beijo veio como uma confissão. Lento, profundo, como se ambos estivessem descobrindo algo que sempre souberam, mas nunca ousaram nomear. Ela gemia contra os lábios dele, um som abafado, quase um lamento, e ele sentia o corpo dela tremer, não de frio, mas de algo muito mais perigoso.

Não havia pressa. Não havia urgência. Havia apenas aquele momento, esticado como um elástico prestes a arrebentar, e a certeza de que, quando isso acontecesse, nada seria igual novamente.

Conto erótico enviado por Lucas Ferreira, Morro de São Paulo - BA

Conto erótico: O segredo do sucesso gay nas histórias de desejoConto erótico: O segredo do sucesso gay nas histórias de desejo
Conto erótico: As historias gays que são melhores sem companhiaConto erótico: As historias gays que são melhores sem companhia

Conteúdo proibido para menores de 18 anos. Em Contos eróticos temos diversos artigos sobre este tema. Recomendo :)

Suellen Gomes

Suellen Gomes é pesquisadora e criadora de conteúdo voltada para o universo da sensualidade, bem-estar sexual e autoestima. À frente do Fetiche em pé, trabalha na desmistificação de fetiches e fantasias, promovendo um diálogo seguro, consensual e informativo sobre a liberdade de expressão corporal. Sua missão é empoderar pessoas através do conhecimento e do respeito aos próprios desejos.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Go up