Conto erótico: O segredo do sucesso gay nas histórias de desejo

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A sala estava cheia de fumaça e risos abafados. Não o tipo de riso que alivia, mas aquele que aperta a garganta, que faz os dedos se fechar em punhos sem querer. Ele não deveria estar ali. Ou melhor, não deveria sentir aquilo ali. O copo de uísque, meio vazio, tremia levemente em sua mão, não pelo álcool, mas pelo modo como os olhos de Daniel o seguiam, como se fosse o único objeto em movimento num quadro estático.

Não era a primeira vez que se viam. Longe disso. Mas era a primeira vez que Claudio permitia a si mesmo notar. O calor não vinha do ar condicionado defeituoso, mas daquilo que não era dito. Um silêncio tão denso que até o som dos cubos de gelo batendo no copo parecia uma intrusão.

O toque

Um tropeço. Ou um empurrão. Não importava. O que importava era a mão de Daniel em seu braço, firme, como se o segurasse de uma queda que ainda não tinha acontecido. A pele queimou. Não pela pressão, mas pela intenção por trás dela. Um segundo a mais do que o necessário. Um segundo que bastou para que Claudio sentisse o suor frio escorrendo pelas costas, não de medo, mas de algo muito mais perigoso: o reconhecimento de um desejo que sempre esteve ali, adormecido, e agora acordava com fome.

— Desculpa — murmurou Daniel, mas o sorriso era tudo, menos um pedido de desculpas.

Claudio não respondeu. Não podia. As palavras teriam sido um traço de tinta preta num papel branco, muito óbvias, muito fáceis. Em vez disso, deixou que os dedos de Daniel deslizassem até seu pulso, como se testassem o ritmo de seu coração. E o coração, traidor, acelerou.

O jogo

Eles não falavam sobre aquilo. Nunca falavam. Mas falavam tudo com os olhos. Daniel, sempre tão controlado, agora parecia um homem possesso por uma ideia fixa. E Claudio, que sempre se orgulhara de sua racionalidade, sentia-se como um animal acossado, com os instintos à flor da pele.

— Você sempre foi bom em fingir que não quer as coisas — disse Daniel, finalmente, enquanto servia mais um copo. A voz era baixa, quase um rosnado.

Claudio ri, um som seco, sem alegria.
— E você sempre soube que eu mentia.

O ar entre eles era elétrico. Não havia mais sala, não havia mais gente. Só aquele campo de força invisível, puxando um em direção ao outro. Daniel se aproximou, não o suficiente para tocar, mas o suficiente para que Claudio sentisse o calor de seu corpo, como uma promessa.

— O que você quer, Claudio?

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A pergunta era simples. A resposta, não.

O segredo

Ele não sabia. Ou sabia demais. Queria fugir. Queria ceder. Queria que Daniel o beijasse ali mesmo, na frente de todos, para que não houvesse mais volta. Queria que nada tivesse mudado.

Mas algo já tinha.

O copo caiu no chão. Ninguém notou. Ou se notaram, não importava. O que importava era a mão de Daniel agora em sua nuca, os dedos entrelaçados em seu cabelo, e a boca — Deus, a boca — a centímetros da sua, como se esperasse uma permissão que nunca seria dada, mas também nunca negada.

E então, o beijo.

Ou não.

Porque a porta se abriu. Uma risada feminina cortou o ar como uma lâmina. E quando Claudio olhou de volta para Daniel, o momento tinha se partido em dois: o que foi e o que poderia ter sido.

Daniel sorriu, amargo, e recuou. O toque sumiu. O calor, não.

— A gente se vê amanhã — disse, como se nada tivesse acontecido.

Como se tudo não tivesse mudado.

Conto erótico enviado por Lucas Ferreira, São Paulo.

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Conteúdo proibido para menores de 18 anos. Em Contos eróticos temos diversos artigos sobre este tema. Recomendo :)

Suellen Gomes

Suellen Gomes é pesquisadora e criadora de conteúdo voltada para o universo da sensualidade, bem-estar sexual e autoestima. À frente do Fetiche em pé, trabalha na desmistificação de fetiches e fantasias, promovendo um diálogo seguro, consensual e informativo sobre a liberdade de expressão corporal. Sua missão é empoderar pessoas através do conhecimento e do respeito aos próprios desejos.

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