Conto erótico: O toque que me ensina

Conto erótico: O toque que me ensina

A chuva batia na janela como se quisesse entrar. Não era uma chuva qualquer, daquelas que molham a cidade e seguem adiante. Era teimosa, insistente, como os dedos dela sobre a minha pele, há semanas, em sonhos que eu não conseguia controlar.

Mas agora não era sonho. Agora, o ar estava carregado com algo mais denso que a umidade: o cheiro do café queimado na cozinha, o perfume dela — algo entre baunilha e pecado — e o meu próprio suor, frio e quente ao mesmo tempo.

Eu não tinha vindo aqui para isso. Ou tinha? A memória falhava. Lembrava-me do convite, da voz dela ao telefone, rouca, como se já soubesse o que ia acontecer. "Venha tomar um café." Um café. Como se fosse só isso.

A xícara tremia na minha mão. Não por causa do líquido quente, mas porque os olhos dela não saíam dos meus. Não era um olhar curioso, nem mesmo desafiador. Era algo mais profundo, como se ela estivesse lendo as camadas que eu mesmo não conhecia. E eu, como um tolo, tentava não piscar, não desviar, não trair o turbilhão que me devorava por dentro.

— Você está nervoso — ela disse, não como uma pergunta, mas como uma constatação. A voz era suave, mas cortante, como seda com farpas.

Não respondi. Não podia. As palavras teriam saído trêmulas, e eu não queria dar a ela essa vitória. Ou será que queria?

O silêncio entre nós não era vazio. Era cheio de coisas não ditas, de promessas que ainda não tinham nome. Ela se levantou, devagar, como se cada movimento fosse calculado para me torturar. E quando a saia justa roçou na minha perna ao passar, foi como um raio. Não um raio de luz, mas daquele tipo que queima por dentro, que deixa marcas que ninguém vê, mas que ardem por dias.

Agora, a chuva tinha parado. Ou será que era o meu coração que tinha parado? Não conseguia mais ouvir nada além da minha própria respiração, ofegante, como se eu tivesse corrido quilômetros. Mas eu não tinha me mexido. Estava ali, imóvel, enquanto os dedos dela — aqueles mesmos dos sonhos — traçavam um caminho pela minha nuca, descendo, devagar, como se estivessem aprendendo o mapa do meu corpo.

— Você sabe o que quer? — ela sussurrou, tão perto que senti o ar quente da sua boca no meu ouvido.

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Eu não sabia. Ou sabia demais. A verdade era um nó na garganta, um peso no peito. Queria dizer que sim, que eu queria tudo, que eu vinha sonhando com isso há semanas, que o simples toque dela me fazia esquecer do meu próprio nome. Mas as palavras não vinham. Porque, no fundo, eu tinha medo. Medo de que, se eu falasse, o feitiço se quebrasse. Medo de que, se eu não falasse, ela fosse embora.

E então, sem aviso, os lábios dela encontraram os meus. Não foi um beijo suave, de primeiro encontro. Foi um beijo que parecia quer dizer: "Eu sei o que você não tem coragem de pedir." E eu, como um aluno aplicado, deixei que ela me ensinasse.

As mãos dela não pediam permissão. Elas exploravam, reclamavam, tomavam. E eu, que sempre achei que estava no controle, percebi que não sabia de nada. Cada toque era uma lição. Cada suspiro, uma revelação. O corpo dela contra o meu era um manual que eu lia com os olhos fechados, com os sentidos à flor da pele.

Quando a luz da manhã invadiu o quarto, eu não soube dizer se tinha sido uma noite ou uma eternidade. Ela estava deitada ao meu lado, o lençol mal cobrindo os ombros, e olhava para o teto como se lá estivessem escritas as respostas para todas as perguntas que eu não tinha coragem de fazer.

— Você vai embora? — ela perguntou, sem me olhar.

Eu não respondi. Não porque não quisesse, mas porque não sabia. Parte de mim queria fugir, voltara para a segurança do meu mundo sem cor, sem cheiro, sem o gosto dela na minha boca. Outra parte... outra parte não queria nunca mais saber como era viver sem aquilo.

Levantei-me, vesti as roupas com movimentos mecânicos. Quando cheguei à porta, ela ainda não tinha se mexido. Mas, quando coloquei a mão na maçaneta, a voz dela me deteve:

— Da próxima vez, não finja que não sabe o que quer.

Fiquei ali, imóvel, com a mão suspensa no ar. Não me virei. Não respondi. Porque, pela primeira vez em muito tempo, eu não tinha palavras. Só tinha a certeza de que, fosse o que fosse que ela me ensinasse da próxima vez, eu estaria de volta.

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Conto erótico enviado por Larissa Vilela

Conteúdo proibido para menores de 18 anos. Em Contos eróticos temos diversos artigos sobre este tema. Recomendo :)

Suellen Gomes

Suellen Gomes é pesquisadora e criadora de conteúdo voltada para o universo da sensualidade, bem-estar sexual e autoestima. À frente do Fetiche em pé, trabalha na desmistificação de fetiches e fantasias, promovendo um diálogo seguro, consensual e informativo sobre a liberdade de expressão corporal. Sua missão é empoderar pessoas através do conhecimento e do respeito aos próprios desejos.

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