
Conto erótico: O inverno da luxúria

A lenha estalava na lareira, jogando sombras dançantes nas paredes de madeira escura. O ar estava pesado, não só pelo calor do fogo, mas por algo mais, algo que não tinha nome, mas que se instalara entre eles como um terceiro personagem na sala.
Clara sentia o suor fino escorrendo pela nuca, embora o frio do inverno ainda persiste no ar do lado de fora. Seus dedos, entrelaçados em torno de uma taça de vinho tinto, tremiam levemente. Não pelo frio, mas pela maneira como Daniel a observava.
Ele não disfarçava. Os olhos escuros, quase pretos, fixos nela como se quisesse desvendar cada camada de pensamentos que ela tentava esconder. Um olhar prolongado, tão intenso que doía. Não era a primeira vez que ela se sentia assim, exposta, como se ele pudesse ver através da sua pele, do tecido do vestido que, de repente, parecia fino demais. Por que ele não desvia o olhar?
— Você está quente? — ele perguntou, a voz rouca, como se as palavras tivessem sido arrastadas por sobre pedras antes de saírem da sua boca.
Ela não respondeu. Não confiava na própria voz. Em vez disso, balançou a cabeça, um movimento quase imperceptível, e levou a taça aos lábios. O vinho, amargo e encorpado, desceu pela garganta como um aviso. Isso não pode acontecer. Mas o corpo não ouvia a razão. O ar entre eles era espesso, carregado de algo que não tinha sido dito, mas que ambos sentiam como um peso no peito.
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O Toque
Não foi um acidente. Ou, pelo menos, não completamente. Quando ele se levantou para atiçar o fogo, o joelho dele roçou na coxa dela. Um toque leve, quase casual, mas que queimou como brasas. Clara prendeu a respiração. Foi de propósito? A dúvida a corrói por dentro, misturada a um desejo que ela não queria nomear.
— Desculpe — ele murmurou, mas não soava sincero. Os dedos dele, agora, brincavam com a borda do copo, como se estivessem medindo a distância entre eles. Quantos centímetros até ela ceder?
Ela deveria se afastar. Deveria dizer algo, qualquer coisa, para quebrar aquele silêncio carregado. Mas as palavras morriam na garganta. Em vez disso, ela sentia o calor do corpo dele, mesmo sem encostar. O cheiro de lenha queimada e colônia masculina invadia suas narinas, uma combinação intoxicante.
O Silêncio
O relógio na parede marcava a passagem do tempo, mas, para Clara, o tempo tinha parado. Cada batida do coração dela era um tambor, alto demais, como se ele pudesse ouvi-lo. Ele sabe?
Daniel se inclinou para frente, os cotovelos nos joelhos, e o espaço entre eles diminuiu. Agora, ela podia ver as sombras sob os olhos dele, como se ele também tivesse noites em claro. Pensando nela? A ideia a excitava e a aterrorizava ao mesmo tempo.
— Você sempre foi assim? — ele perguntou, de repente, a voz baixa, como se fosse um segredo.
— Assim como? — ela conseguiu balbuciar, os dedos apertando a taça com mais força.
— Tão... difícil de ler.
Conto erótico: Verão de fogoEla ri, um som nervoso, que não soou natural nem para ela mesma. — E você sempre foi tão direto?
Ele não respondeu. Em vez disso, estendeu a mão e, com a ponta dos dedos, tocou o pulso dela. Um toque suave, mas que a fez estremecer. Aqui. Agora. O desejo era um animal selvagem dentro dela, arfando para ser solto.
O Conflito
Isso está errado.
A voz da razão ecoava na sua mente, mas era abafada pelo latejar do sangue nas veias. Daniel não era qualquer homem. Era o marido da sua melhor amiga. Era o homem que ela tinha jurado nunca desejar. Mas ali, naquele momento, com o fogo crepitando e o mundo do lado de fora coberto por uma manta de neve, nada mais importava.
— A gente não deveria... — ela começou, mas a frase morreu no ar quando ele se aproximou ainda mais. O hálito dele, quente, roçou no seu rosto.
— Não — ele concordou, mas não se afastou. — Mas a gente também não deveria mentir para nós mesmos.
As palavras dela foram engolidas pelo silêncio. E se alguém souber? E se a amizade acabar? E se...? Mas os pensamentos se dissiparam quando os lábios dele, quentes e exigentes, encontraram os dela. Não foi um beijo suave. Foi um beijo de fome, de anos de tensão reprimida, de um desejo que ambos tinham negado por muito tempo.
O Inesperado
O som da porta se abrindo os separou como um balde de água fria. Clara recuou, os lábios ainda formigando, o coração batendo tão forte que ela tinha certeza de que ia explodir. Marina, a melhor amiga, a esposa de Daniel, estava na porta, com os braços cheios de lenha.
— Meu Deus, está um frio danado lá fora! — ela disse, sorrindo, sem perceber a tensão no ar. — Vocês dois estão bem? Parecem... tensos.
Clara evitou o olhar de Daniel. Sentia as bochechas queimando, não pelo fogo, mas pela culpa. O que eles tinham feito? Ou, melhor, o que eles quase tinham feito?
— Estamos bem — Daniel respondeu, a voz mais firme do que ela esperava. — Só estávamos... conversando.
Marina jogou a lenha ao lado da lareira e se aproximou, sem desconfiar de nada. — Bom, porque eu trouxe mais vinho. A noite é longa, e a neve não vai parar tão cedo.
Clara segurou a taça com força, os dedos trêmulos. O que vem agora? O desejo ainda ardia dentro dela, mas agora misturado a uma culpa que a sufocava. E, no entanto, quando Daniel a olhou de relance, com um sorriso quase imperceptível, ela soube que aquilo não tinha terminado. Não mesmo.
Conto erótico: Verão de fogo
Conto erótico: Troca de casais uma noite de desejo e cumplicidadeConto erótico enviado por Lúcia Mendonça
Conteúdo proibido para menores de 18 anos. Em Contos eróticos temos diversos artigos sobre este tema. Recomendo :)
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