
Conto erótico: O artefato do desejo

Era uma loja de antiguidades no centro de Salvador, escondida entre uma padaria e uma loja de instrumentos musicais. Eu nunca teria entrado ali se a chuva não tivesse começado de repente, me forçando a buscar abrigo sob a marquise de ferro enferrujado.
A campainha tilintou quando empurrei a porta de madeira. O cheiro de mofo, madeira envelhecida e incenso me envolveu como um abraço. Prateleiras altas guardavam objetos de todas as épocas: relógios de bolso, bússolas, estatuetas de porcelana, facas com cabos de marfim. Era um lugar que parecia parado no tempo.
O dono da loja estava sentado atrás do balcão, um homem velho com olhos de águia e uma barba que tocava o peito. Ele me observou sem dizer uma palavra enquanto eu percorria as prateleiras, secando a água da chuva do meu cabelo.
"Está procurando algo em especial?", perguntou, e a voz era rouca como papel amarelado.
"Só me abrigando da chuva."
Ele assentiu, mas seus olhos não paravam de me observar. Havia algo naquele olhar que me deixava desconfortável, como se ele pudesse ver através da minha pele.
Foi quando notei o objeto no centro da loja, sobre uma mesa de mogno. Uma caixa de madeira escura, com incrustações de madrepérola que formavam desenhos de corpos entrelaçados. Havia algo hipnótico naquela imagem, uma sensualidade antiga que me fez prender a respiração.
"Aproxime-se", disse o velho.
Obedeci, sentindo um formigamento estranho nas pontas dos dedos. Quando toquei a superfície da caixa, a madeira estava quente, como se tivesse sido aquecida pelo sol, apesar do dia nublado.
"Isso é um artefato antigo", explicou ele, levantando-se com uma lentidão que parecia ritualística. "Dizem que foi feito por uma sacerdotisa no norte da África, há séculos. Ela o criou para capturar a essência do desejo humano."
Ri sem graça. "Parece coisa de filme de terror."
Ele sorriu, revelando dentes amarelados. "Não é terror. É verdade. Abra a caixa."
Minhas mãos tremeram quando levantei a tampa. O interior era forrado com veludo vermelho e dentro havia um pingente de metal escuro, com uma pedra verde no centro, cortada em forma de lágrima. Quando o segurei, a pedra pareceu vibrar contra minha pele, e um calor intenso subiu do meu peito para a minha garganta.
"O que é isso?", perguntei, e minha voz saiu estranha.
"É um catalisador", disse ele. "Ele revela o que você mais deseja. Mas tenha cuidado. Uma vez ativado, não há como voltar atrás."
Coloquei o pingente no bolso sem pensar. Paguei ao velho um valor que ele mesmo sugeriu, um número que pareceu sair do ar, e saí da loja. A chuva tinha parado, mas o céu ainda estava pesado de nuvens.
Naquela noite, no quarto do hotel, coloquei o pingente sobre a mesa de cabeceira e fiquei observando a pedra refletir a luz do abajur. O verde era profundo, quase negro em alguns ângulos. Toquei-o, e outra onda de calor atravessou meu corpo. Dessa vez, foi acompanhada de uma imagem. Uma visão de mãos sobre a minha pele, de lábios quentes e sussurros na escuridão.
Peguei o pingente e o coloquei em volta do pescoço. O metal era frio, mas a pedra parecia pulsar com o ritmo do meu coração. Senti o calor se espalhar do peito para o ventre, um desejo urgente que não tinha origem nem destino.
Bati na porta do quarto ao lado sem saber por quê. O homem que atendeu era alto, de olhos castanhos e barba por fazer. Cheirava a madeira e chuva, um perfume que me fez fechar os olhos.
Conto erótico: Equitação do prazer"Posso ajudar?", ele perguntou, e a voz era rouca de sono.
Não respondi com palavras. Eu apenas me inclinei e beijei sua boca.
O beijo foi como fogo. Ele correspondeu com a mesma intensidade, puxando-me para dentro do quarto com mãos que tremiam. O pingente queimava contra meu peito, e cada toque dele amplificava a sensação. Suas mãos encontraram minha cintura, subiram pelas minhas costas, desabotoaram minha blusa com dedos impacientes.
"O que está acontecendo?", ele murmurou entre beijos.
"Não sei. Mas não pare."
Ele me levou para a cama, e a luz da cidade entrava pelas frestas da cortina, desenhando listras no corpo dele. Tirei sua camisa com as mãos que não eram minhas, movidas por uma vontade maior do que eu. A pele dele era quente, e quando meus lábios tocaram seu peito, o gemido que escapou foi gutural.
O pingente brilhou quando ele me deitou na cama e deslizou por cima de mim. O peso do corpo dele era exatamente o que eu precisava. Sua boca encontrou meu pescoço, e os dentes roçaram a pele com uma pressão que me fez arquear as costas.
"Você é tão quente", ele disse, ofegante.
"Você não faz ideia."
Suas mãos percorreram meu corpo como se estivessem lendo uma mensagem gravada na pele. Cada curva, cada cicatriz, cada ponto sensível foi descoberto. Quando seus dedos encontraram o centro do meu desejo, eu gritei. Não um grito de dor, mas de libertação.
Ele entrou em mim devagar, e a cada centímetro a pedra parecia queimar mais. O ritmo era antigo, primitivo, como se nossos corpos lembrassem de algo que nossas mentes tinham esquecido. Suas mãos seguravam minhas coxas, e eu cavava as unhas nas costas dele, sentindo cada movimento.
O clímax veio como uma onda. Depois outra. Depois outra. Perdi a conta. Cada vez que ele se movia, algo se quebrava dentro de mim, e o prazer era tão intenso que as lágrimas escorriam pelo meu rosto.
Quando finalmente paramos, estávamos cobertos de suor, ofegantes. O pingente ainda estava no meu pescoço, mas agora parecia mais frio, como se tivesse gastado sua energia.
Ele me abraçou, e eu senti o coração dele bater contra o meu.
"Nunca senti nada assim", ele disse.
"Eu também não."
Na manhã seguinte, acordei sozinha. O pingente ainda estava no meu pescoço, e eu o segurei, lembrando da noite anterior. Não sabia o nome do homem, nem para onde ele tinha ido. Mas o calor ainda estava nos meus ossos, uma lembrança viva.
Voltei à loja do velho, mas o lugar estava fechado. As janelas estavam lacradas com tábuas, e não havia sinal de que alguém tivesse estado ali. Pressionei o pingente contra o peito e senti um eco de prazer.
Talvez o artefato tivesse feito seu trabalho. Talvez tivesse mostrado exatamente o que eu desejava. Eu só não sabia ainda o que fazer com essa verdade.
Conto erótico: Equitação do prazer
Conto erótico: O saque do desejoConto erótico enviado por Lívia Santos, Recife - PE.
Conteúdo proibido para menores de 18 anos. Em Contos eróticos temos diversos artigos sobre este tema. Recomendo :)
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