
Conto erótico: Apaixonado por um brutamontes

A oficina ficava no fim da rua, onde o cheiro de metal quente se misturava ao aroma terroso da terra molhada após a chuva da manhã. Era ali que eu passava todas as tardes, observando, do outro lado da calçada, o movimento lento e preciso de suas mãos.
Ele não era como os outros homens da cidade: alto, largo nos ombros, com braços que pareciam esculpidos pelo próprio fogo que dominava. Cada golpe do martelo no ferro ecoava como um ritmo primitivo, uma batida que eu sentia ressonar em algum lugar profundo dentro de mim.
No começo, era apenas curiosidade. Uma atração pelo desconhecido, pelo mistério daquele homem que mal falava, mas cujos gestos falavam por ele. As veias saltadas nos antebraços, a camisa colada ao corpo pelo suor, o modo como a luz do sol da tarde desenhava sombras nas curvas dos seus músculos. Eu me pegava contando os minutos até que o relógio da praça marcasse cinco horas, a hora em que ele parava, enxugava a testa com o dorso da mão e olhava em minha direção, como se soubesse que eu estava ali, como sempre.
Um dia, o destino resolveu brincar conosco. Uma tempestade repentina varreu a cidade, e eu, sem guarda-chuva, corri para a porta da oficina. Ele me viu antes que eu pudesse bater. A porta se abriu com um rangido, e lá estava ele, o peito arfando, a pele brilhante de suor e gotas de chuva. O espaço era pequeno, e o cheiro de homem e metal me envolveu como um abraço.
— Entre — disse ele, a voz grossa, mas não rude. Apenas direta, como tudo nele.
Fiquei parada na entrada, a chuva caindo forte atrás de mim. Ele se aproximou, e pela primeira vez, seus olhos — escuros como o carvão que alimentava a forja — fixaram os meus. Não havia pressa, não havia palavras vazias. Apenas um silêncio carregado, como se o ar entre nós tivesse se tornado denso, difícil de respirar.
— Você sempre fica ali, observando — comentou, enquanto passava um pano pelo rosto. O movimento fez com que seu braço roçasse no meu, e foi como se uma faísca tivesse saltado entre nós. Senti o calor subir pelo meu pescoço, e soube que ele notou, pelo modo como seus lábios se curvaram levemente, como se guardasse um segredo.
— Gosto de ver você trabalhar — confessei, a voz mais baixa do que pretendia.
Ele sorriu, um gesto raro, que transformou seu rosto sério em algo quase terno.
Conto erótico: Apaixonado por um pit boy— E eu gosto de saber que você está lá — respondeu, e suas palavras, simples, ecoaram em mim como uma promessa.
A chuva continuava a cair, mas eu mal a ouvia. O som do meu coração batendo era mais forte. Ele deu um passo à frente, e eu não recuei. Seus dedos, calosos e quentes, roçaram nos meus, como se testassem a temperatura da minha pele.
— Você tem medo de queimar? — perguntou, e eu soube que não falava do fogo da forja.
Balancei a cabeça, incapaz de mentir.
— Não.
Seus lábios se aproximaram do meu ouvido, e o hálito quente me fez estremecer.
— Então deixe eu te mostrar como é — sussurrou, e suas mãos, antes tímidas, agora firmemente me puxavam para perto do seu corpo. O calor que emanava dele era intoxicante, e quando seus lábios finalmente encontraram os meus, foi como se o mundo inteiro tivesse se reduzido àquele momento, àquela sensação de fogo e desejo contido, finalmente livre.
A chuva parou. O som do martelo na bigorna silenciou. E ali, entre o metal e a paixão, descobri que o verdadeiro calor não vinha da forja, mas daquilo que nascia entre nós.
Conto erótico enviado por Helena Vasques
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Conto erótico: Um anjo em minha vidaConteúdo proibido para menores de 18 anos. Em Contos eróticos temos diversos artigos sobre este tema. Recomendo :)
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