
Conto erótico: A pousada escondida do prazer

A estrada de terra serpeava entre as colinas, poeira dançando à luz do entardecer como se o próprio ar fosse cúmplice do que viria. Eu não sabia ao certo por que tinha aceitado o convite de Daniel para aquela viagem. Talvez fosse a curiosidade, ou talvez fosse o modo como ele olhava para mim, como se já soubesse algo que eu ainda não tinha desvendado. "É um lugar especial", ele dissera, com um sorriso que mais escondia do que revelava. "Ninguém sabe que existe."
A pousada ficava no meio do nada, ou pelo menos era o que parecia. Uma construção de madeira escura, quase camuflada entre as árvores, com janelas que brilhavam fracamente à luz de velas. O cheiro de lenha queimando e ervas frescas invadiu minhas narinas assim que saí do carro. Daniel carregava minha mala como se fosse um gesto de cavalheirismo, mas seus dedos roçaram os meus por um segundo a mais do que o necessário, e eu senti um calafrio que não tinha nada a ver com o vento frio da serra.
— "Você vai gostar", ele murmurou, tão perto que seu hálito quente tocou minha orelha. Não respondi. Não confiei na minha voz.
O interior da pousada era um convite à decadência elegante: sofás de couro gasto, tapetes persas desbotados e uma lareira que crepitava no centro da sala. Não havia recepção, nem outros hóspedes à vista. Apenas uma mulher de cabelos prateados, vestida em um vestido longo e fluido, que nos observava com um sorriso enigmático.
— "Bem-vindos", ela disse, com uma voz que parecia derreter as palavras. "Vocês são os únicos esta noite."
Daniel não pareceu surpreso. Ele já sabia. Eu, não. A tensão no meu estômago crescia, uma mistura de excitação e medo do desconhecido. A mulher, que se apresentou como Madalena, nos guiou até um quarto no segundo andar. As escadas rangiam sob nossos passos, como se o próprio lugar soubesse o que estávamos prestes a fazer.
O quarto era uma obra de arte em si: uma cama enorme, coberta por lençóis de seda preta, um banheiro com uma banheira de cobre e, no canto, uma janela aberta que dava para a floresta. O som da água corrente de um riacho próximo preenchia o silêncio. Daniel fechou a porta atrás de nós e, pela primeira vez, eu me permiti olhá-lo de verdade. Seus olhos escuros brilhavam com uma intensidade que eu nunca tinha notado antes. Ele se aproximou devagar, como se eu fosse um animal que pudesse assustar a qualquer momento.
— "Você sente isso?", ele perguntou, sua mão roçando meu braço. "O ar aqui... é diferente."
Eu sentia. Sentia a eletricidade entre nós, a promessa de algo que não podia ser dito em palavras. Mas ainda assim, hesitei. Sempre hesitei. Era o meu jeito: analisar, duvidar, me proteger. Mas desta vez, algo em mim queria ceder. Queria ser levada pela corrente, sem pensar nas consequências.
Conto erótico: A dança dos corpos— "E se a gente só... conversar?", eu propus, sabendo que era uma mentira. Meus lábios tremiam.
Daniel sorriu, como se lesse meus pensamentos. Sem pressa, ele tirou o casaco, depois a camisa. Sua pele era dourada à luz das velas, e eu não consegui evitar: estendi a mão e toquei seu peito. O calor era avassalador. Ele fechou os olhos por um instante, como se saboreasse aquele toque, e quando os abriu novamente, havia uma determinação que me fez tremer.
— "A gente pode fazer o que você quiser", ele disse, mas sua voz era um convite, não uma concessão. "Mas eu acho que você não veio até aqui para conversar."
E ele estava certo. Eu não tinha. A cada segundo, a resistência dentro de mim enfraquecia. Quando seus lábios finalmente encontraram os meus, foi como se uma porta fosse aberta. Não havia mais volta. Suas mãos exploravam meu corpo com uma lentidão torturante, como se quisesse memorizar cada centímetro da minha pele. Eu me deixei levar, abandonando o controle que sempre achei que precisava ter.
A noite se estendeu em um turbilhão de sensações: o gosto do vinho que Madalena tinha deixado na mesa ao lado da cama, o cheiro de Daniel misturado ao meu, o som dos nossos corpos se movendo em sincronia. Não havia pressa. Não havia limites. Apenas o momento, e a certeza de que, naquela pousada escondida, o tempo não existia.
Quando o sol começou a nascer, eu me vi deitada ao seu lado, observando o teto de madeira. Não havia arrependimento. Apenas uma paz que eu não sabia que era possível. Daniel me olhava com um sorriso preguiçoso, seus dedos desenhando círculos na minha cintura.
— "E agora?", eu perguntei, não querendo que aquele momento acabasse.
Ele se inclinou e beijou minha testa. "Agora a gente descobre o que mais essa pousada tem para nos mostrar."
E eu soube, naquele instante, que a viagem tinha apenas começado.
Conto erótico: A dança dos corpos
Conto erótico: a nora e a noite que queimou a pele
Quiz: A Pousada Escondida do Prazer
1. Qual é o nome da mulher que recebe os personagens na pousada?
2. O que a narradora sente ao ser tocada por Daniel pela primeira vez?
3. O que a narradora propõe a Daniel quando estão no quarto?
4. Qual é o detalhe do quarto que mais chama a atenção da narradora?
5. Como a narradora se sente no final da noite?
Conto erótico enviado por Marina Oliveira, de Paraty.
Conteúdo proibido para menores de 18 anos. Em Contos eróticos temos diversos artigos sobre este tema. Recomendo :)
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