
Conto erótico: foda rural no cerrado goiano

O sol de outubro já estava alto quando desliguei o motor da pickup. O ar-condicionado não dava conta do calor seco que entrava pelas frestas, e o cheiro de terra batida e capim queimado invadiu a cabine no instante em que abri a porta. A porteira de madeira, com seus arames enferrujados, rangeu quando a abri. Do outro lado, a estrada de terra sumia numa curva, ladeada por buritis e uma vegetação baixa e retorcida.
Era a primeira vez que eu fazia aquele trajeto sozinho. O sítio era do meu tio, e ele me pedira para buscar umas ferramentas que tinham ficado no galpão. Uma tarefa simples, um favor de família. Não esperava encontrar ninguém. Por isso, quando vi a silhueta no meio da estrada, freada brusca. Poeira subiu, envolvendo tudo num véu dourado.
Ela estava parada, com uma das mãos no alto, na altura do ombro, como quem pede carona, mas sem pressa. Atrás dela, uma bicicleta antiga, dessas de fazenda, estava caída no chão, com a corrente solta. Vestia uma calça jeans surrada, justa, e uma camiseta branca simples, que o suor já tornara translúcida em alguns pontos. O cabelo castanho, preso num coque desajeitado, deixava escapar alguns fios que o vento teimava em colocar sobre o rosto.
Encostei a pickup ao lado dela. O vidro desceu com um rangido.
— E aí, precisa de ajuda? — perguntei, com a voz mais firme do que me sentia.
Ela sorriu. Um sorriso direto, sem rodeios.
— Minha corrente escapou. De novo. Tô indo pro sítio do Seu Zé, mas acho que vou ter que ir a pé. Deve ser uns três quilômetros.
Olhei para a bicicleta. Depois para ela. O suor escorria pelo pescoço, e eu tive que fazer um esforço consciente para manter os olhos no rosto dela.
— Põe a bike na caçamba. Eu te levo até lá.
Ela analisou a pickup, como se avaliasse a proposta, e depois me encarou diretamente.
— Você é o sobrinho do Seu Zé? O da cidade?
— Isso mesmo. E você é?
— Marina. Moro ali no sítio do fundo. Cuidando do gado.
Colocamos a bicicleta na caçamba. Quando ela se sentou no banco do carona, o interior da cabine pareceu encolher. O perfume dela, um misto de sabonete de coco e suor, preencheu o ar. Seu braço, bronzeado, encostou no meu enquanto eu engatava a primeira. Senti um calafrio, apesar do calor.
O caminho era de terra, cheio de curvas e subidas. A pickup pulava nas pedras, e a cada solavanco, o ombro dela roçava o meu. Eu segurava o volante com força, os olhos fixos na estrada, mas minha mente já tinha se desviado completamente. Ela não parecia incomodada. Pelo contrário. Quando a estrada ficava mais lisa, ela se virava um pouco, fitando o horizonte, mas eu sentia o seu olhar, de canto, sobre mim.
— Você não parece daqui — ela disse, a voz baixa, quase um sussurro acima do barulho do motor.
— O que quer dizer?
— Ah, sei lá. O jeito. A cara de quem tá acostumado com ar condicionado.
Ri. Ela também riu.
— E você? Parece que vive aqui a vida toda.
— Nasci aqui. Só fui pra Goiânia estudar. Mas voltei. O sossego daqui é melhor que qualquer coisa. Apesar de, às vezes, ser um tédio.
Ela disse a última frase com um tom que pairava no ar. Olhei para ela rapidamente. Seus olhos castanhos, quase cor de mel, me encaravam. Havia uma provocação ali, e uma curiosidade. Eu, o forasteiro, era uma novidade.
— E você, vai voltar amanhã? — ela perguntou, fingindo um desinteresse que não funcionava.
— Fico até domingo.
Ela se virou mais, agora quase de frente para mim.
— Que bom.
O silêncio que se seguiu não era desconfortável. Era um silêncio de expectativa. A cada curva, a tensão crescia. A estrada parecia se alongar, mas eu não queria que ela terminasse.
Chegamos à porteira do sítio do meu tio. Parei a pickup. O motor roncava baixo. Nenhum de nós se mexeu por um momento. Eu ainda não sabia como, mas não queria que ela fosse embora.
— Posso te ajudar a levar as coisas? — ela perguntou. — Conheço o galpão melhor que você.
A desculpa era frágil, mas eu a agarrei.
— Pode. Eu agradeço.
Entramos no galpão, um espaço grande, com ferramentas penduradas nas paredes e a luz entrando pelas frestas do telhado, criando feixes de poeira dançante. O ar era mais fresco, carregado de um cheiro de óleo, madeira e terra. Eu procurava o alicate na bancada, mas minha atenção estava nela. Ela estava perto da porta, observando um par de botas velhas, mas seus olhos estavam em mim.
Aproximei-me. Ela não recuou. A distância entre nós era de um palmo.
— Marina… — comecei, a voz rouca.
— O que? — ela sussurrou, um sorriso nos lábios. Eu podia ver suas pupilas dilatarem.
Conto erótico: primavera em chamasNão falei mais nada. Inclinei-me e a beijei. Foi um beijo lento, como a própria tarde. Ela correspondeu, suas mãos subindo pelo meu peito, enterrando-se no meu cabelo. Seus lábios eram macios e quentes, e o gosto do sal do suor dela era a coisa mais erótica que eu já tinha provado. Nossos corpos se encontraram, a parede de madeira áspera contra as costas dela.
— Tá com pressa? — ela perguntou, entre um beijo e outro, a voz um fôlego.
— Não — respondi, e a beijei de novo.
Ela riu baixinho. Eu senti suas mãos descerem, desabotoarem minha camisa. O toque dos seus dedos na minha pele, ainda quente pelo sol, fez todo o ar do galpão faltar.
Ela desabotoou meu jeans e se ajoelhou na frente de mim. Foi rápido, mas não foi brusco. O olhar que me lançou antes de começar continha tanta determinação e desejo que fiquei sem fôlego. A sensação de seus lábios e mãos me fez perder o chão, o galpão, o mundo inteiro. Apenas existia ela, e o calor, e o som abafado da nossa respiração no espaço silencioso.
Depois, quando eu a levantei, ela encostou a testa na minha. Estávamos ambos ofegantes.
— E você? — perguntei.
Ela sorriu, aquele sorriso irônico e provocador.
— Quem disse que você já acabou?
Ela me puxou para um canto onde havia um colchão velho, coberto por uma lona. Eu não questionei a presença daquilo. Nada daquela tarde fazia sentido, e tudo era perfeito.
O galpão se tornou um espaço íntimo, abafado, nosso. O colchão rangeu sob nosso peso. A luz, agora mais dourada, filtrada pelos buracos do telhado, pintava listras no corpo dela. Pude vê-la por inteiro, a curva dos seios, a textura da pele, as marcas do sol. Ela me observou de volta, sem pudor, sem pressa.
Tocá-la foi como descobrir um novo território. Sua pele era lisa e quente. Seus olhos se fechavam quando eu a acariciava, e seus lábios se entreabriam. Havia o som do nosso respirar, o chiado do colchão, e o barulho distante de uma cigarra, que parecia marcar o ritmo.
Eu a beijei no pescoço, na clavícula, descendo devagar. Ela arqueou as costas, um gemido preso na garganta. A cada toque, a cada exploração, o desejo crescia, tornando-se um fogo que não pedia licença.
Eu sentia suas mãos nas minhas costas, as unhas cravando-se levemente. A tensão era insuportável, a expectativa, um fio esticado. Quando finalmente me uni a ela, foi como se todo o calor do cerrado se concentrasse naquele ponto. O movimento era instintivo, uma dança que só nós dois conhecíamos a coreografia. As palavras se perderam. Só restavam os suspiros, os gemidos e a cumplicidade de dois corpos que se encontravam no momento exato.
O clímax, quando veio, foi avassalador. Um instante suspenso no tempo, um grito rouco que ecoou silenciosamente no ar abafado. Depois, o relaxamento, o peso dos corpos juntos, a respiração ofegante que lentamente se aquietava.
Ficamos deitados, ela aninhada contra mim, a cabeça no meu ombro. O sol da tarde já começava a baixar, lançando um tom mais alaranjado sobre o galpão.
— E agora? — perguntei, a voz ainda cansada.
Ela riu, baixinho.
— Agora você tem que me levar de volta. Ainda tenho que dar comida pro gado.
— Posso ajudar.
— Sei que pode — disse ela, levantando-se e pegando a camiseta. Com a mesma naturalidade com que se havia despido, ela se vestiu. — Mas vem jantar lá em casa. Minha mãe faz um tropeiro que você não vai esquecer. E tem uma rede na varanda. A gente pode, sei lá, planejar a próxima vez que você precisar buscar uma ferramenta.
Saí do galpão com o alicate na mão e a cabeça girando. Marina subiu na pickup, o vento bagunçando o cabelo que ela havia soltado do coque. O caminho de volta era o mesmo, mas a paisagem já não era a mesma. O cerrado, antes apenas uma paisagem seca, agora tinha a cor dos olhos dela.
Quando a deixei na porteira, ela pegou a bicicleta, já arrumada, e se virou, com a mão erguida num sinal de tchau.
— Não se esqueça de mim, sobrinho da cidade — disse, com aquele sorriso.
Sorri de volta.
— É difícil.
Ela pedalou estrada adentro, e eu fiquei ali, parado, vendo sua silhueta se afastar, sabendo que aquela tarde de outubro no cerrado se tornaria uma memória que eu guardaria comigo, quente e vívida como o sol daquele dia.
▶ QUIZ: VOCÊ PRESTOU ATENÇÃO NO CONTO?
Responda com base na história. Sem crise, mas sem cola.
Conto erótico enviado por Rodrigo Araújo, de Goiânia, Goiás.
Conto erótico: primavera em chamas
Conto erótico: a voz que me possuiConteúdo proibido para menores de 18 anos. Em Contos eróticos temos diversos artigos sobre este tema. Recomendo :)
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