Conto erótico: a promessa quebrada

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Eu nunca fui de quebrar promessas. Pelo menos, não as importantes. Mas havia algo na maneira como ele me olhava, naquela noite, que transformava qualquer juramento em poeira.

A casa de praia era dele, mas o convite partiu de uma amiga em comum. Disse que seria um fim de semana tranquilo, apenas alguns amigos, bebidas e o som das ondas. Quando cheguei, ele já estava lá, sentado na varanda, com um copo de uísque na mão e aquele sorriso torto que eu aprendi a temer. Não o via há dois anos. Prometi a mim mesma que não cairia na mesma armadilha.

A primeira noite foi estranha. Todos riam, contavam histórias, mas eu sentia o peso do olhar dele, mesmo quando me virava de costas. Ele sabia. Sabia que eu lembrava de cada toque, de cada palavra dita no escuro, da vez em que ele disse que voltaria e não voltou. Eu tinha cicatrizado aquela ferida com cuidado, com raiva, com a certeza de que nunca mais abriria aquela porta.

No sábado, o vento mudou. A chuva começou a cair forte, e os outros convidados resolveram ir embora antes do temporal. Ficamos só nós dois. O silêncio entre nós era mais denso que a tempestade lá fora.

"Você ainda guarda rancor", ele disse, sem perguntar.

"Você ainda acha que sabe o que eu sinto", respondi, sem olhar para ele.

Ele se aproximou. Eu senti o cheiro do mar e do uísque misturado à pele dele. Era o mesmo cheiro de antes, e isso me desarmou mais do que eu gostaria de admitir.

"Não vim aqui para te machucar", ele murmurou, com a voz mais baixa. "Vim porque não consigo mais fugir."

Eu ri, sem graça, e virei o rosto para a janela. A chuva escorria em cortinas grossas, borrando a paisagem. "Fugir é o que você faz de melhor, não é? Sempre foi."

Ele não respondeu. Em vez disso, sentou-se ao meu lado, tão perto que nossos joelhos quase se tocavam. Eu senti o calor do corpo dele, mesmo através da distância que eu mesma criava.

"Prometo que dessa vez é diferente", ele disse.

Era a mesma promessa de antes. E eu deveria ter rido, deveria ter levantado e ido para o meu quarto, mas fiquei paralisada. Não pela promessa. Pela forma como ele dizia as palavras, como se acreditasse realmente no que falava.

A noite se arrastou em pequenos gestos. Ele colocou a mão sobre a minha, e eu não a tirei. Ele passou os dedos pelo meu braço, e minha pele ardeu como se eu tivesse 18 anos de novo. Eu estava ali, deixando que ele desfizesse tudo o que construí.

"Por que você voltou?" perguntei, finalmente, com a voz trêmula.

"Porque eu nunca te esqueci", ele respondeu. E eu soube que era verdade. Não porque ele dissesse, mas porque eu via nos olhos dele aquela mesma fome, aquele desejo que me assustava e me atraía ao mesmo tempo.

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Ele se inclinou e tocou meus lábios com os dele. Foi leve, quase um pedido de permissão. Eu não o beijei de volta. Mas também não recuei. Ele repetiu o gesto, um pouco mais firme, e eu senti minha respiração falhar.

"Me diz para parar", ele sussurrou contra a minha boca. "Me diz que você não quer."

Mas eu não disse. Porque mentir para ele seria mais fácil do que mentir para mim mesma. E naquela noite, eu queria.

O beijo se aprofundou, e eu senti o gosto do desejo que eu tentava sufocar há anos. Suas mãos encontraram meu rosto, meus cabelos, e eu me deixei levar. A chuva batia forte nos vidros, e o som parecia abafar qualquer pensamento racional.

Ele me puxou para o colo dele, e eu senti o corpo dele contra o meu. Cada curva, cada respiração, cada pequeno gemido que escapava da minha garganta. Eu estava nu na minha própria vulnerabilidade, e ele via tudo.

"Sempre foi você", ele disse, enterrando o rosto no meu pescoço. "Só você."

Eu queria acreditar. Queria que aquela noite fosse o começo de algo novo. Mas no fundo, eu sabia que estava repetindo um erro. Sabia que, pela manhã, a promessa quebrada ainda estaria lá, como uma cicatriz que nunca se fecha.

Enquanto ele me despia com cuidado, como quem desembrulha algo precioso, eu me entregava. Cada toque era uma confissão. Cada beijo, uma mentira que eu contava para mim mesma. Eu não estava ali por amor. Estava pela necessidade de sentir que ainda existia, que ainda valia a pena ser desejada.

A noite avançou entre corpos e sussurros. Não houve pressa. Houve descoberta. Houve o reencontro com algo que eu julgava perdido. E quando finalmente adormeci, exausta e confusa, ainda ouvia a voz dele dizendo meu nome como se fosse uma oração.

No domingo, o sol nasceu claro e implacável. Acordei com o barulho das ondas e o silêncio ao meu lado. Ele já tinha ido. Deixou apenas um bilhete, com a mesma caligrafia descuidada de sempre:

"Precisava pensar. Volto em breve."

Eu li, dobrei o papel e o guardei na bolsa. Não chorei. Não havia mais lágrimas para aquela história. Levantei, tomei café sozinha e olhei o mar por um longo tempo.

Não sei se ele voltou. Sei que eu fui embora, e não olhei para trás.

Mas, naquela noite, eu quebrei a promessa que fiz a mim mesma. E, pela primeira vez, não me arrependi.

Conto erótico enviado por Laura M., de Florianópolis - SC.

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Conteúdo proibido para menores de 18 anos. Em Contos eróticos temos diversos artigos sobre este tema. Recomendo :)

Suellen Gomes

Suellen Gomes é pesquisadora e criadora de conteúdo voltada para o universo da sensualidade, bem-estar sexual e autoestima. À frente do Fetiche em pé, trabalha na desmistificação de fetiches e fantasias, promovendo um diálogo seguro, consensual e informativo sobre a liberdade de expressão corporal. Sua missão é empoderar pessoas através do conhecimento e do respeito aos próprios desejos.

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