Conto erótico: a voz que me possui

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A primeira vez que ouvi sua voz, foi como se um fio invisível tivesse se atado ao meu peito e começado a puxar, devagar, mas com uma força que eu não podia resistir.

Estava em um bar lotado, daquele tipo onde a música alta e as risadas se misturam em um ruído constante, e ainda assim, sua voz conseguira furar o buraco daquilo tudo e chegar até mim. Não era alto, não era grave, não era agudo — era apenas ela. Uma voz que parecia ter sido feita para sussurrar segredos no meu ouvido, mesmo que estivéssemos a metros de distância.

Eu não a vi de imediato. Fiquei ali, com o copo de vinho pela metade, tentando localizar de onde vinha aquele som. Quando finalmente a enxerguei, sentada em um canto escuro, com um vestido que brincava com as sombras, entendi por que a voz era tão hipnótica. Ela não apenas falava, ela encenava. Cada sílaba saía dos seus lábios como se fosse uma promessa, uma ameaça deliciosa, algo que eu não conseguia decifrar, mas que o meu corpo já respondia.

— Você está olhando para mim há cinco minutos — ela disse, sem sequer erguer os olhos do copo. — Se for para fazer isso, pelo menos venha até aqui.

Senti o rosto queimar. Não era vergonha, não exatamente. Era a sensação de ter sido pego em um ato que eu não sabia que estava cometendo. Mas não me mexi. Não ainda. Porque havia algo naqueles olhos, que agora me encaravam com uma mistura de diversão e desafio, que me dizia que se eu me aproximasse, não haveria volta.

E eu queria não ter volta.

Quando finalmente me levantei, foi como se o ar entre nós tivesse se tornado denso, quase sólido. Cada passo era uma batalha entre a razão, que gritava para eu sentar de volta e esquecer aquilo, e o desejo, que me puxava como um ímã. Ela não sorriu quando me sentei à sua frente. Não ofereceu um aperto de mão, nem um beijo no rosto. Apenas me olhou, como se já soubesse tudo o que eu estava pensando.

— Você tem medo do que pode acontecer? — ela perguntou, e a voz, de perto, era ainda pior. Era como mel derramando sobre a pele, quente e doce, mas com um toque de algo amargo, algo perigoso.

— Eu não tenho medo — menti.

Ela riu, um som baixo e rouco, que vibrou em algum lugar dentro de mim. — Mentiroso.

E então, sem aviso, ela esticou a mão e passou os dedos pela minha nuca, devagar, como se estivesse testando a temperatura da minha pele. Um arrepio desceu pela minha coluna, e eu soube que estava perdido. Não havia mais escolhas a fazer, não havia mais caminhos a seguir. Aquele toque era um selo, uma assinatura em um contrato que eu não tinha lido, mas que, de alguma forma, já tinha assinado.

— Como você se chama? — perguntei, mais para preencher o silêncio do que por real necessidade de saber.

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— Ana — ela respondeu, e o nome soou como uma revelação. — E você?

— Lucas.

— Lucas — ela repetiu, como se estivesse experimentando o som. — Um nome forte. Será que você é forte, Lucas?

Não respondi. Não conseguia. Porque a mão dela ainda estava na minha nuca, e os dedos haviam começado a se mover em círculos lentos, pressionando pontos que eu não sabia que existiam. Cada toque era uma faísca, e eu sentia o fogo se espalhando, devagar, mas implacável.

— Eu acho que você sabe a resposta — ela murmurou, e então, finalmente, se inclinou para frente. Seus lábios roçaram no meu ouvido, e eu senti o hálito quente, o cheiro de vinho e algo mais, algo que era apenas ela. — Mas se não sabe, eu posso te mostrar.

E foi isso. Não houve mais palavras. Não houve mais hesitação. Porque quando seus lábios encontraram os meus, não foi um beijo. Foi uma posse. Uma reivindicação. Uma promessa de que, a partir daquele momento, eu pertencia àquela voz, àquele toque, àquela mulher.

E o pior — ou o melhor — era que eu não queria pertencer a mais ninguém.

A noite se arrastou como um sonho febril. Não me lembro de como saímos do bar, nem de como chegamos ao apartamento dela. Lembro apenas das mãos dela no meu corpo, dos suspiros que escapavam dos seus lábios quando eu a tocava, da forma como ela pronunciava o meu nome como se fosse uma prece, uma maldição, um feitiço.

— Você é minha agora — ela sussurrou, em algum momento entre um beijo e outro. E eu não discuti. Não queria discutir.

Porque, pela primeira vez na vida, eu não me sentia como eu. Eu me sentia como dela. E isso, de alguma forma, era mais livre do que qualquer coisa que eu já tinha experimentado.

Quando o sol começou a nascer, eu ainda estava ali, deitado ao lado dela, ouvindo a respiração lenta e regular. E foi então que percebi: não era apenas a voz dela que me possuía. Era tudo. O cheiro, o toque, a forma como ela me olhava como se eu fosse o único homem no mundo. E, de alguma forma, eu sabia que nunca mais seria o mesmo.

Quiz: A voz que me possui
1. Qual é o nome do narrador do conto?
2. Onde o narrador conhece Ana?
3. Qual é a reação do narrador ao ouvir a voz de Ana pela primeira vez?
4. Como Ana toca o narrador pela primeira vez?
5. Qual é a sensação do narrador ao ser tocado por Ana?

Conto erótico enviado por Marina Silva, de Florianópolis.

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Conteúdo proibido para menores de 18 anos. Em Contos eróticos temos diversos artigos sobre este tema. Recomendo :)

Suellen Gomes

Suellen Gomes é pesquisadora e criadora de conteúdo voltada para o universo da sensualidade, bem-estar sexual e autoestima. À frente do Fetiche em pé, trabalha na desmistificação de fetiches e fantasias, promovendo um diálogo seguro, consensual e informativo sobre a liberdade de expressão corporal. Sua missão é empoderar pessoas através do conhecimento e do respeito aos próprios desejos.

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