Conto erótico: Noite de blocos e desejos no Overworld

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O pixel daquela noite ainda arde em minha memória. Não era o céu estrelado de Copacabana nem o brilho artificial de Lapa. Era o brilho azulado e quadrado da tela do computador, onde meu avatar e o dela dançavam uma coreografia estranha de blocos e vontades.

"Você não está prestando atenção", digitou ela, o texto aparecendo na caixa de chat como uma acusação silenciosa. Mentira. Eu estava prestando atenção demais. Prestava atenção na forma como seus dedos, mesmo através da câmera com baixa resolução, tocavam o teclado. Prestava atenção no pequeno reflexo da tela em seus óculos. Prestava atenção no silêncio entre suas frases, um silêncio mais eloquente do que qualquer palavra.

Lembro-me do toque. Acidental. Três semanas antes, no café perto da faculdade. Eu tropeçara, derramando café gelado em sua blusa. O "desculpe" morreu em minha garganta quando nossos olhos se encontraram. Seus olhos, que eu só conhecia em pixels, agora me encaravam em alta definição.

E por um segundo, o mundo não era mais sobre servidores e latência. Era sobre o calor do líquido em seu tecido e o calor de seu olhar em mim. "Sem problemas", murmurara ela, limpando a mancha com um guardanapo, mas o olhar permaneceu. Um olhar prolongado que queimou mais que a cafeína. Aquele olhar mudou tudo. O Overworld, nosso refúgio digital, tornou-se um campo minado de tensão.

Agora, de volta à nossa noite de blocos, a tensão era palpável até mesmo através do cabo ethernet. "Vamos construir algo", sugeri, minha voz mais rouca do que o normal pelo microfone. "Uma torre." Ela não respondeu com palavras. Seu avatar simplesmente começou a colocar blocos de obsidiana, um por um, em uma coluna vertical que subia em direção à lua quadrada do jogo. Eu a segui, colocando blocos de areia, uma escolha deliberada. Instável.

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Passível de gravidade. Cada bloco era uma pergunta. Cada camada, uma resposta não dita. A torre crescia, frágil e imponente, um monumento à nossa hesitação.

Lá no topo, nossos avatares pararam. O vento digital uivava ao nosso redor. Abaixo, o mundo de pixels se estendia, um oceano de possibilidades não exploradas. "E agora?", perguntei, o som de minha respiração enchendo o fone de ouvido dela. O silêncio que se seguiu foi diferente. Não era mais hesitante. Era carregado. Carregado de intenção. "Agora", disse ela, sua voz um sussurro que parecia vir de dentro do meu próprio crânio, "a gente derruba."

E antes que eu pudesse processar, seu avatar deu um único golpe na base de areia. A torre desmoronou em uma cascata de blocos coloridos, uma chuva de nosso desejo contido.

O som da destruição digital foi o gatilho. Fechei os olhos. A tela do computador desapareceu. Só restava a memória do toque acidental, a imagem de seus olhos, a sensação do silêncio. Abri os olhos novamente. Ela não estava mais no jogo. Seu avatar tinha desaparecido. Um pânico gelado me subiu pela espinha, seguido por uma batida na porta. Tão suave, quase imperceptível. Me levantei, o corpo rígido. Abri a porta.

Ela estava lá. Sem óculos. Sem avatar. Apenas ela, em carne e osso, no umbral do meu apartamento. O brilho da tela do computador refletia em seus olhos, os mesmos olhos que me encararam no café. "A torre caiu", disse ela, sua voz real e imperfeitamente maravilhosa. "Sim", respondi, meu próprio voz um fio. "Acho que a gente precisa começar de novo e do zero."

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Conteúdo proibido para menores de 18 anos. Em Contos eróticos temos diversos artigos sobre este tema. Recomendo :)

Suellen Gomes

Suellen Gomes é pesquisadora e criadora de conteúdo voltada para o universo da sensualidade, bem-estar sexual e autoestima. À frente do Fetiche em pé, trabalha na desmistificação de fetiches e fantasias, promovendo um diálogo seguro, consensual e informativo sobre a liberdade de expressão corporal. Sua missão é empoderar pessoas através do conhecimento e do respeito aos próprios desejos.

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