
Conto erótico: A vingança que me curou

A porta rangeu ao se fechar. Não era o som que a assustava, mas o silêncio que veio depois. Clara olhava para as próprias mãos, ainda trêmulas, como se elas pudessem trair o que tinha acabado de fazer. O ar no estúdio era espesso, carregado com o cheiro de tinta a óleo e algo mais — algo que ela não conseguia nomear. Não era o suor do esforço, nem o cansaço das horas passadas em frente à tela. Era ele.
Daniel estava ali, imóvel, a poucos passos de distância. Não disse nada. Não precisava. Seus olhos, escuros como a noite sem lua, fixavam nela com uma intensidade que queimava mais do que qualquer toque. Clara sentiu o calor subir pelo pescoço, como se o próprio ar fosse uma mão invisível deslizando sobre sua pele. Ela tentava se concentrar na pintura à sua frente, mas as pinceladas saíam descontroladas, como se o traço fosse um reflexo do que acontecia dentro dela: caótico, urgente, desobediente.
Não tinha sido sempre assim. Havia um tempo em que o ódio era nítido, um sentimento puro, sem rachaduras. Ela o odiava por ter a destruído, por ter tirado dela a única coisa que achava que era sua: a segurança de nunca mais se importar. Mas agora, com ele ali, tão perto que ela poderia sentir o calor do corpo dele através do ar, o ódio tinha se transformado em outra coisa. Algo mais perigoso. Algo que doía mais.
— Você não vai olhar para mim? — A voz dele era baixa, áspera, como se as palavras tivessem sido arrastadas de algum lugar profundo. Clara não respondeu. Não confiava na própria voz. Mas seus dedos traíram. Um tremor, um escorregar do pincel, e a tinta vermelha escorreu pela tela, como sangue, como lágrimas, como tudo o que ela não queria sentir.
Ele se aproximou. Não de uma vez, mas devagar, como se soubesse que cada passo era uma tortura. E era. Clara sentia o corpo reagir, traidor, enquanto a mente gritava para que ela recuasse. Mas não recuou. Ficou ali, imóvel, enquanto ele parava atrás dela, tão perto que ela podia sentir a respiração dele no pescoço.
— Você acha que isso aqui é vingança? — A mão dele roçou, acidentalmente — ou não —, o ombro dela. Um toque leve, quase imperceptível, mas que queimou como fogo. Clara prendeu a respiração. Não era para ser assim. Não era para doer tanto.
— Eu só queria que você soubesse — ela finalmente conseguiu dizer, mas a voz saía fraca, como se as palavras não fossem suas. — O que é perder algo que você ama.
Daniel não riu. Não sorriu. Apenas inclinou a cabeça, e seus lábios roçaram a orelha dela, tão devagar que ela não teve certeza se tinha sido real. — Mas você não perdeu nada, Clara. Você só não sabia que ainda me queria.
Conto erótico: O toque que me ensinaO pincel caiu no chão. O som ecoou no estúdio vazio, mas nenhum dos dois se moveu para pegá-lo. Os dedos dele agora deslizavam pelo braço dela, não mais acidentalmente, mas com uma intenção que a fazia tremer. Não era um toque de perdão. Não era um toque de amor. Era algo entre os dois, algo que ela não conseguia — ou não queria — nomear.
Clara fechou os olhos. Não para escapar, mas para sentir melhor. O cheiro dele, a textura da pele, o som da própria respiração, ofegante, descontrolada. Tudo era uma traição. Tudo era uma confissão.
— E se eu disser que ainda te odeio? — ela sussurrou, mais para si mesma do que para ele.
— Aí eu direi que você está mentindo. — A mão dele subiu, devagar, até o queixo dela, forçando-a a virar o rosto. Os olhos deles se encontraram, e foi como se o mundo parasse. Não havia mais tinta, nem telas, nem o passado que os separava. Havia só aquele momento, carregado de algo que não era ódio, não era amor, mas que queimava como os dois juntos.
E então, sem aviso, os lábios dele encontraram os dela. Não foi um beijo suave. Não foi um beijo de reconciliação. Foi um beijo de possessão, de raiva, de desejo, de tudo o que eles tinham guardado por tanto tempo. Clara não resistiu. Não pôde. Porque, no fundo, ela sabia que aquilo também era uma vingança. Não contra ele, mas contra si mesma, por ter demorado tanto a admitir que ainda o queria.
Quando finalmente se afastaram, o ar entre eles estava ainda mais pesado. Não havia palavras. Não eram necessárias. O que tinha acontecido — ou o que não tinha — era mais forte do que qualquer coisa que pudessem dizer.
Clara olhava para a pintura, agora arruinada, e sorriu. Não era o sorriso de quem tinha ganhado. Era o sorriso de quem tinha perdido, mas que, de alguma forma, tinha encontrado algo no caminho.
Conto erótico enviado por Luiza Varella
Conto erótico: O toque que me ensina
Conto erótico: O inverno da luxúriaConteúdo proibido para menores de 18 anos. Em Contos eróticos temos diversos artigos sobre este tema. Recomendo :)
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