Conto erótico: Tesão equatorial em Amapá e a mulher fogosa

Conto erótico: Tesão equatorial em Amapá e a mulher fogosa

Nunca imaginei que o ar condicionado quebrando naquela tarde mudaria tudo.

Eu tinha ido até Macapá a trabalho, essas viagens chatas de auditoria que a gente faz porque precisa, não porque quer. Aluguei um quarto numa pousada simples perto do mercado, o tipo de lugar com ventilador de teto que faz barulho e janela que não fecha direito. Tinha 38 graus e eu já estava irritado com a reunião que tinha adiado pra segunda.

Foi quando conheci a Jéssica.

Ela era a sobrinha da dona da pousada, tinha vinte e poucos anos, estudava enfermagem e estava ali ajudando na administração enquanto as tias viajavam. Morena, cabelo preso de qualquer jeito, aquele jeito meio desleixado que só quem é bonito de verdade consegue ter. Ela me mostrou o quarto e eu notei que ela olhou demais pra minha mão, pro relógio, pro chão. Aquela coisa de quem está pensando em outra coisa.

Três dias depois, o ar condicionado morreu.

Bati na porta dela já era quase dez da noite, suando, camisa colada no corpo. Ela abriu de short de malha e camiseta velha, sem sutiã, aquele ar de quem estava deitada vendo série no celular. O cheiro do quarto dela me pegou desprevenido. Incenso barato, talco, algo doce que não sei nomear.

Vou ver o que consigo fazer, ela disse, mas a voz saiu meio rouca.

Acompanhei ela até minha porta e fiquei ali, inútil, enquanto ela tentava entender o painel. O ventilador dela fazia aquele som monótono. Eu estava consciente demais da minha própria respiração, do espaço pequeno, do fato de que ninguém mais estava no andar de cima daquela pousada.

Não vou conseguir hoje, ela virou pra mim. Só amanhã de manhã.

Tudo bem, eu disse, mas minha voz saiu estranha, mais grave.

Ela não se moveu. Ficou ali, encostada na parede, olhando pra mim de um jeito que eu não sabia se era curiosidade ou convite. Eu tinha quinze anos a mais que ela. Eu sabia que deveria ter entrado no quarto, fechado a porta, tomado um banho frio. Mas o calor entrava pela janela aberta e parecia que tudo estava derretendo, inclusive minha racionalidade.

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Você parece sozinho, ela disse, e não era pergunta.

Eu ri. Uma daquelas risadas idiotas que saem quando a gente não sabe o que fazer com as mãos. Ela se aproximou e eu senti o cheiro dela de novo, mais forte agora. Algo me disse que estava prestes a fazer algo que eu talvez me arrependesse depois. Mas naquele momento, arrependimento parecia conceito teórico, algo pra pensar depois, não ali, não com ela tão perto.

O beijo veio dela. Ou de mim. Nunca soube direito. Só sei que de repente eu estava tocando aquele cabelo bagunçado e ela gemia baixinho, aquele som que parecia surpresa, como se ela mesma não esperasse por aquilo. A camiseta dela saiu fácil demais. Eu estava me perguntando se isso estava realmente acontecendo, se eu não tinha dormido no calor e criado tudo aquilo.

Quando ela me puxou pra cama dela, eu ainda tava tentando lembrar se tinha trancado a porta do meu quarto. Se alguém subisse. Se a câmera do corredor funcionava. Mas aí ela fez uma coisa com a boca na minha barriga e eu parei de pensar em qualquer coisa que não fosse o agora.

Foi rápido e demorado ao mesmo tempo. Suado, desajeitado, o lençol embaraçando nos pés. Ela era daquelas que não finge, que não faz teatro. Gozou de olhos fechados, mordendo o próprio braço pra não fazer barulho, e eu fiquei me sentindo estranhamente orgulhoso de ter sido eu, um cara comum, quase cinquentão, cansado, a causa daquilo.

Depois, ela fumou na janela. Eu deitei olhando pra aquele teto manchado de umidade, pensando na minha ex-mulher, nos e-mails que teria que responder amanhã, na passagem de volta pra São Paulo. Ela não falou nada e eu agradeci por isso. O silêncio entre a gente não era constrangedor. Era só... real.

Amanhã cedo ela arrumou o ar condicionado. Três minutos. Estava solto o fio, ela disse, sorrindo como se não tivesse acontecido nada. Eu ri de novo, daquele jeito idiota.

Ainda tenho o número dela no celular. Nunca liguei. Às vezes, quando o calor aqui em casa fica insuportável, eu lembro daquela noite e fico me perguntando se ela também pensa, se foi só mais uma noite pra ela, se eu fui só mais um hóspede passageiro na vida dela. E se eu deveria ter sido mais corajoso, ou menos.

O calor do Amapá é diferente. Ele entra na roupa, na pele, na cabeça. Faz a gente acreditar que certas coisas só acontecem porque o termômetro passou de trinta e cinco.

Talvez seja verdade. Talvez não.

Conto erótico enviado por Rafael M.

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Conteúdo proibido para menores de 18 anos. Em Contos eróticos temos diversos artigos sobre este tema. Recomendo :)

Suellen Gomes

Suellen Gomes é pesquisadora e criadora de conteúdo voltada para o universo da sensualidade, bem-estar sexual e autoestima. À frente do Fetiche em pé, trabalha na desmistificação de fetiches e fantasias, promovendo um diálogo seguro, consensual e informativo sobre a liberdade de expressão corporal. Sua missão é empoderar pessoas através do conhecimento e do respeito aos próprios desejos.

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