
Conto erótico: Signo de câncer é mais safado do que você imagina

Eu sempre fui a pessoa que organiza tudo. Aniversários, jantares, listas de mercado. Não por virtude, mas por controle. Se eu mantenho as coisas previsíveis, não preciso lidar com o que sinto. Isso funcionou bem até o dia em que precisei passar uma semana na casa da minha tia em Cambuquira, no sul de Minas.
Ela tinha quebrado o pé e eu me ofereci para ajudar. A cidade é pequena, tranquila, daquelas onde todo mundo sabe quem você é antes de você chegar. Eu já conhecia o lugar, mas não conhecia o vizinho. Ele se chamava Augusto, tinha uns trinta e poucos anos, e apareceu no segundo dia para consertar a cerca que o vento derrubou.
Eu não prestei atenção nele de imediato. Ele usava camiseta cinza, tinha tatuagem no antebraço e falava pouco. Eu estava na cozinha fazendo café quando ele entrou para lavar as mãos. A tia pediu que eu oferecesse um copo. Ele aceitou, encostou na bancada e ficou olhando para a xícara como se estivesse resolvendo um problema difícil.
Foi aí que notei algo. Não sei explicar. Talvez o jeito que ele segurava a xícara com as duas mãos. Ou o silêncio que não era desconfortável. Ou o fato de que, quando eu falei alguma coisa boba sobre o clima, ele riu com os olhos antes de rir com a boca.
Nos dias seguintes, Augusto voltou. Sempre com uma desculpa: a torneira da área, a lâmpada do quintal, a poda da árvore. Minha tia ria e dizia que ele era prestimoso. Eu comecei a esperar por ele sem admitir. Arrumava o cabelo antes de descer. Inventava motivos para ficar na sala quando ouvia o barulho do portão.
Na quinta noite, a tia dormiu cedo por causa do remédio. Eu estava na varanda, olhando o céu, e ele apareceu para devolver uma chave de fenda. Ficou parado na escada, sem subir. Perguntou se eu estava bem. Eu disse que sim. Ele disse que não parecia.
Conto erótico: O toque de escorpião signo mais do que safadoNão sei por que não menti. Falei que estava cansada de fingir que não sentia nada. Ele subiu os dois degraus e sentou no chão da varanda, encostado na parede, a uma distância que não era perto nem longe. Ficamos em silêncio por uns minutos. O vento batia nas folhas do pé de manga.
Então ele estendeu a mão. Não para me tocar. Só abriu a palma, como quem oferece algo invisível. Eu olhei para aquela mão por muito tempo. Sabia o que estava fazendo. Sabia que se colocasse minha mão ali, não teria volta. E coloquei.
O beijo foi lento, quase cauteloso. Como se ele também estivesse com medo. Eu senti o cheiro de madeira e sabão. A mão dele no meu rosto tremia um pouco. Eu não sei se foi a melhor noite da minha vida. Foi a mais honesta. Ficamos juntos até o amanhecer, sem pressa, sem promessas. Ele foi embora antes do café.
Na manhã seguinte, minha tia perguntou por que eu estava com o cabelo bagunçado. Eu disse que dormi mal. Ela aceitou. Augusto não voltou mais naquela semana. No último dia, vi ele de longe, na padaria, e ele apenas acenou com a cabeça. Eu acenei de volta.
Voltei para São Paulo na segunda. Nunca contei para ninguém. Até agora. Não sei se foi certo. Não sei se ele pensa em mim. Às vezes pego o celular para mandar mensagem, mas não tenho o número. Talvez seja melhor assim. Ou talvez eu esteja apenas com medo de descobrir que foi só uma semana.
O que eu sei é que, quando fecho os olhos e sinto o vento, volto para aquela varanda. E para aquela mão aberta. E para a coragem que eu não sabia que tinha.
Conto erótico: O toque de escorpião signo mais do que safado
Conto erótico: O signo de touro e o momento do prazerConto erótico enviado por Mariana, de Cambuquira, Minas Gerais.
Conteúdo proibido para menores de 18 anos. Em Contos eróticos temos diversos artigos sobre este tema. Recomendo :)
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