Conto erótico: Signo de libra sem vergonha

Fetiche Em Pe Logo

Ela chegou com um livro debaixo do braço e a promessa de que não ficaria muito tempo. Era assim que começava quase sempre. Uma desculpa educada, um sorriso de canto, e eu já sabia que a noite ia se esticar pelas horas como fumaça em teto baixo.

Conheci Marina num curso de cerâmica, dessas coisas que a gente faz quando quer fingir que tem paciência. Ela modelava o barro com uma concentração que eu nunca vi em ninguém. Não olhava para os lados. Não ria das piadas do instrutor. Só as mãos, molhadas, curvando a argila devagar, como quem sabe que pressa estraga tudo.

Na terceira aula, sentou ao meu lado porque não havia outro lugar. Disse que gostava do meu jeito de não insistir. Achei engraçado. Eu não insistia porque não sabia o que dizer. Fiquei observando o movimento dos dedos dela na roda, a água escorrendo pelo pulso, a forma nascendo do nada. Ela percebeu. Não se incomodou. Acho que gostou.

Libra, ela me contou depois, com aquele ar de quem confessa um crime pequeno. Nasceu no dia 28 de setembro, e por isso carregava o peso de querer agradar todo mundo, inclusive a mim. Falamos sobre signos naquela noite, mas o assunto era outro. Era sobre hesitação. Sobre a incapacidade de dizer não. Sobre o prazer que existe em ser convencido devagar.

Começamos a nos encontrar fora do curso. Um café que fechava tarde, uma livraria no centro, um bar onde o dono deixava a porta aberta até quando queria. Ela gostava de mudar de lugar. Dizia que a mesma mesa matava a conversa. Em cada lugar, um gesto diferente. No café, ela tocava meu braço ao rir. Na livraria, ficava perto demais para alcançar um livro que não precisava. No bar, encostava o joelho no meu e fingia não perceber.

Eu esperava. Não sei bem o quê. Talvez um sinal mais claro. Talvez uma frase que ela nunca disse. Librianos, pensei, são peritos em equilíbrio, e o equilíbrio é uma forma elegante de adiar. Ela queria, mas queria junto com a dúvida. E a dúvida, para ela, tinha gosto de desejo.

Numa quinta-feira, choveu forte. Ligou pedindo que eu fosse até a casa dela porque o telhado estava pingando e ela não alcançava o balde. A desculpa era péssima. Eu fui mesmo assim. A casa era pequena, cheia de plantas, e cheirava a terra molhada. Ela estava descalça, com uma camiseta cinza e o cabelo preso de qualquer jeito. Não havia balde nenhum no chão.

Ficamos os dois parados na sala, ouvindo a chuva. Ela disse que gostava de dias assim porque ninguém espera nada de você. Sentei no sofá. Ela sentou no chão, de costas para mim, e começou a falar sobre um relacionamento antigo. Sobre como tinha aprendido a dizer sim sem querer, e depois a dizer não com medo. Sua voz era baixa. Eu escutava mais do que respondia. Em algum momento, ela inclinou a cabeça para trás, encostando a nuca nos meus joelhos. Ficamos assim. A chuva não parava.

Foi ela que subiu. Não foi um movimento brusco. Foi como se o corpo dela escorregasse pelo meu, sem pressa. Ajoelhou no sofá, de frente para mim, e ficou me olhando como se esperasse uma permissão que eu não sabia dar. Minha mão subiu sozinha até o rosto dela. Ela fechou os olhos. O polegar desceu pelo queixo, pelo pescoço, e parou na clavícula. Senti a respiração dela mudar. Senti a minha também.

Beijei a curva do ombro, o ponto onde a camiseta escorregava. Ela segurou meu cabelo, não para puxar, mas para me manter ali. Disse meu nome uma vez, quase inaudível. Não era um pedido. Era uma constatação. Eu estava ali. Ela também.

O resto aconteceu como acontece o que é inevitável. A camiseta no chão, o sofá pequeno demais, o corpo dela sobre o meu, o meu dentro do dela, e a lentidão que ela impôs em tudo. Nada de pressa. Nada de urgência. Marina beijava como quem modela barro. Cada movimento tinha intenção. Cada pausa tinha peso. Eu deixei que ela conduzisse, porque percebi, tarde, que era isso que ela queria desde o começo. Não o sexo. O controle. A escolha. O sim que ela mesma deu, sem que ninguém pedisse.

Depois, ficamos no chão da sala, olhando o teto. A chuva tinha virado garoa. Ela disse que não sabia o que queria. Eu disse que tudo bem. E era verdade. Não porque eu fosse generoso, mas porque naquela noite eu também não queria nada definido. Queria só o peso do corpo dela ao lado do meu, o cheiro de terra e suor, a sensação de ter sido escolhido sem ter insistido.

Conto erótico: O que o signo de virgem guardavaConto erótico: O que o signo de virgem guardava

Marina se levantou primeiro. Foi até a cozinha, voltou com dois copos de água, e sentou no sofá, não no chão. Bebeu devagar. Depois olhou para mim e sorriu de um jeito que eu não conhecia. Disse que Libra é isso, sabe. A gente fica no meio, mas no meio também tem prazer. Não é indecisão. É escolha lenta.

Fui embora de manhã, quando o céu ainda estava cinza. Ela não pediu que eu ficasse. Eu não ofereci. Na porta, ela encostou a testa na minha e disse que ia viajar por uns tempos. Não perguntei para onde. Não perguntei quando voltava. Só beijei a testa dela, peguei a rua, e fui andando.

Quiz literário

O que você entendeu do signo de Libra?

Responda com base no conto. Sem desculpas, sem hesitação, sem fingir que não leu.

1. Onde o narrador e Marina se conheceram?

2. Qual desculpa Marina usou para chamar o narrador até a casa dela?

3. O que Marina disse que gostava nos dias de chuva?

4. Segundo o narrador, o que Marina queria desde o começo?

5. O que aconteceu depois da noite juntos?

Nunca mais nos falamos. Mas de vez em quando, quando chove forte, eu lembro do barro molhado, do barulho da água, da respiração dela mudando. E entendo que algumas pessoas não são para ficar. São para equilibrar. São para passar. São para ensinar que o desejo, quando não tem pressa, tem outro nome.

Conto erótico enviado por Rafael Monteiro, de Belo Horizonte, Minas Gerais.

Conto erótico: O que o signo de virgem guardavaConto erótico: O que o signo de virgem guardava
Conto erótico: Laços de confiança no feticheConto erótico: Laços de confiança no fetiche

Conteúdo proibido para menores de 18 anos. Em Contos eróticos temos diversos artigos sobre este tema. Recomendo :)

Suellen Gomes

Suellen Gomes é pesquisadora e criadora de conteúdo voltada para o universo da sensualidade, bem-estar sexual e autoestima. À frente do Fetiche em pé, trabalha na desmistificação de fetiches e fantasias, promovendo um diálogo seguro, consensual e informativo sobre a liberdade de expressão corporal. Sua missão é empoderar pessoas através do conhecimento e do respeito aos próprios desejos.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Go up