
Conto erótico: O elevador dos desejos

O elevador subia devagar, como se o tempo tivesse decidido pausar apenas para eles. Clara sentia o calor do corpo dele ao lado, mesmo sem encostar. O perfume cítrico misturava-se ao cheiro de chuva que vinha da rua, uma combinação que a fez fechar os olhos por um segundo. Não olhe para ele. Não olhe. Mas o espelho do elevador traía seus pensamentos: os olhos dele, escuros e fixos, refletiam a mesma hesitação que ela tentava esconder.
Um movimento brusco. O elevador tremeu, como se o prédio inteiro tivesse suspirado. A mão dele, grande e quente, tocou o braço dela por um instante — apenas um segundo, mas suficiente para queimá-la por inteiro. Acidental? Não. Não havia acidentes ali. O silêncio entre eles era denso, carregado de algo não dito, de um jogo que ambos sabiam jogar, mas nenhum ousava começar.
Ela lembrava do primeiro encontro, meses atrás, em uma reunião entediante. Ele, o novo sócio da empresa, com aquele sorriso que parecia guardado apenas para momentos de provocação. Como ele conseguia ser tão frio e tão intenso ao mesmo tempo? A memória vinha em fragmentos: o som da caneta riscando o papel, o jeito como ele cruzava as pernas, o relógio no pulso dele, sempre adiantado, como se o tempo não ousasse desafiá-lo.
— Você sempre fica em silêncio assim? — a voz dele quebrou o feitiço, baixa, quase um sussurro. Não era uma pergunta, era um convite.
Clara virou o rosto, mas não o suficiente para encará-lo. Se eu olhar, não vou conseguir parar. As portas do elevador não abriam. O painel piscava, indiferente. Ou será que era conivente?
Conto erótico: O toque que incendeia a noite— Acho que o prédio sabe o que quer — ela respondeu, sem pensar. As palavras saíram sozinhas, como se o corpo dela já tivesse decidido o que a mente ainda resistia.
Ele não sorriu, mas os lábios se curvaram levemente, como se tivessem um segredo. A mão dele, agora, não tocava mais o braço dela, mas o ar entre eles estava eletrificado. Um passo. Apenas um passo e tudo mudaria. Mas quem daria o primeiro? O elevador rangeu, como se risse da indecisão dela.
De repente, as luzes piscaram. Um apito agudo. O elevador parou. Ou será que tinha sido ela a parar? O escuro os envolveu, e o mundo lá fora desapareceu. Agora, só existiam eles, o cheiro dele, a respiração dela, acelerada, e a certeza de que, naquele momento, nada mais importava.
A mão dele encontrou a dela no escuro. Não era um toque acidental. Era uma rendição.
Conto erótico enviado por Helena Varga
Conto erótico: O toque que incendeia a noite
Conto erótico: A vontade que cresceuConteúdo proibido para menores de 18 anos. Em Contos eróticos temos diversos artigos sobre este tema. Recomendo :)
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