Conto erótico: A vontade que cresceu

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A xícara de café tremia entre seus dedos. Não pelo calor do líquido, mas pela forma como ele a olhava. Não era um olhar direto, não ainda. Era aquele tipo de atenção que se esconde atrás de gestos comuns: o jeito como ajustava a gravata, como passava os dedos pelo cabelo escuro, como se a simples presença dela no mesmo cômodo fosse um incômodo que não conseguia ignorar.

Ela não deveria ter vindo. Sabia disso. Mas o convite tinha sido sutil demais para ser recusado: "Preciso que você revise esses documentos antes da reunião." E agora, ali estava, com o cheiro de papel e tinta misturado ao perfume dele, algo cítrico e amadeirado, que se colava à pele como uma segunda camada.

O ar-condicionado zumbia baixo, mas o calor entre eles era outro. Um calor que não vinha do verão do Rio, mas daquilo que não era dito. Ela cruzou as pernas, e o tecido da saia escorregou um pouco mais alto do que pretendia. Não foi intencional. Ou foi? O movimento chamou a atenção dele, que por um segundo — apenas um — deixou os olhos caírem até ali, antes de se forçar a olhar para a tela do notebook.

— Acho que o terceiro parágrafo está confuso — ela disse, a voz mais aguda do que gostaria.

Ele não respondeu de imediato. Em vez disso, levantou-se da cadeira e se aproximou, o corpo grande bloqueando a luz que vinha da janela. O sombra dele se estendeu sobre a mesa, sobre os papéis, sobre ela.

— Mostra — pediu, e o tom não era de pedido.

Ela hesitou. O dedo dela já estava no lugar, apontando para a linha, mas quando ele se inclinou, o ombro dele roçou no seu. Um toque acidental. Ou não. A pele dela ardeu como se tivesse sido queimada, e ela recuou sem querer, mas ele não se afastou. Ficou ali, tão perto que ela conseguia sentir o calor do corpo dele através da camisa social, o cheiro do sabonete que usava pela manhã.

— Aqui — ela repetiu, mas a palavra saiu abafada, como se o ar entre eles tivesse se tornado denso.

Ele não olhava para o papel. Olhava para ela. Para os lábios entreabertos, para o modo como o pescoço dela se tensionava, para a veia que pulsava no pulso, traindo o ritmo acelerado do coração. E então, sem aviso, ele estendeu a mão e tocou o dedo dela. Não o papel. Não a caneta. O dedo.

— Você está tremendo — murmurou.

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Ela não tinha percebido. Mas agora sim. O corpo todo vibrava, como se uma corrente elétrica tivesse sido ligada entre eles. E o pior era que ele sabia. Sabia o efeito que causava, e não fazia nada para disfarçar. Pelo contrário. O polegar dele deslizou pela lateral da mão dela, devagar, como se testasse a temperatura da pele, como se quisesse ter certeza de que ela era real.

— Não é nada — mentiu ela, mas a voz falhou.

Ele sorriu. Um sorriso pequeno, perigoso. O tipo de sorriso que dizia que ele sabia de tudo: que ela mentia, que o desejo era mútuo, que aquele jogo já tinha começado há muito tempo, em olhares roubados nos corredores da empresa, em mensagens com duplo sentido, em silêncios que duravam segundos a mais do que o normal.

— Claro que não — concordou, mas não se afastou.

O relógio na parede marcava cinco para as seis. A reunião começaria em uma hora. Mas ali, naquele momento, o tempo não existia. Só existia o cheiro dele, o toque leve, a tensão que crescia como uma onda prestes a arrebentar.

Ela deveria se levantar. Deveria dizer algo. Deveria fazer algo. Mas não conseguia. Porque, pela primeira vez, não era ela quem controlava a situação. Era ele. E isso a aterrorizava e a excitava em igual medida.

Quando finalmente ele se afastou, foi para pegar a caneta sobre a mesa. Mas, em vez de assinar os papéis, ele segurou o pulso dela e guiou a mão dela até o colo. O toque da caneta na pele foi frio, mas a mão dele era quente. Demasiado quente.

— Assina aqui — disse, a voz rouca.

Ela não olhava para o papel. Olhava para ele. Para os lábios entreabertos, para a sombra da barba que começava a aparecer no queixo, para a forma como os dedos dele se enroscavam nos dela, como se não quisessem soltar.

E quando a ponta da caneta encostou na pele, ela não soube dizer se era tinta ou o próprio desejo queimando.

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Conto erótico enviado por Marina Varella

Conteúdo proibido para menores de 18 anos. Em Contos eróticos temos diversos artigos sobre este tema. Recomendo :)

Suellen Gomes

Suellen Gomes é pesquisadora e criadora de conteúdo voltada para o universo da sensualidade, bem-estar sexual e autoestima. À frente do Fetiche em pé, trabalha na desmistificação de fetiches e fantasias, promovendo um diálogo seguro, consensual e informativo sobre a liberdade de expressão corporal. Sua missão é empoderar pessoas através do conhecimento e do respeito aos próprios desejos.

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