Conto erótico: Noites de Boston e o sabor do desejo proibido

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A primeira vez que o vi foi numa noite de outono em Boston, quando o vento gelado do Charles River fazia as folhas dançarem como fogo molhado pelas calçadas de tijolo. Eu estava ali por trabalho, uma consultoria que me colocaria naquela cidade por três meses, e ele era o gerente do hotel onde me hospedei. Não esperava encontrar alguém como ele, com aquele sotaque denso e os olhos cor de uísque envelhecido.

Na recepção, ele inclinou a cabeça para ler meu nome no passaporte, e o movimento expôs o contorno do pescoço. Sua mão, grande e firme, deslizou a chave do quarto sobre o balcão de mármore. Toquei seus dedos por um segundo além do necessário. Ele notou. Sorriu devagar, como quem guarda um segredo para mais tarde.

As primeiras semanas foram um jogo silencioso. Trocávamos olhares no saguão, palavras curtas no elevador. Ele sabia meu nome, meu horário de saída, meus hábitos. Uma noite, por volta das onze, desci para o bar do hotel e lá estava ele, sentado sozinho, com um copo de bourbon na mão. A luz baixa escorria pelos ombros largos. Pedi o mesmo drink e me sentei ao seu lado.

"Você trabalha demais", disse ele, a voz rouca. "Percebi que o café do seu quarto nunca é suficiente. Você pede chá às seis da manhã."

"Você observa tudo", respondi, e meu peito apertou.

"Observo você."

A tensão entre nós tinha textura, peso. Cada conversa era um fio que puxávamos devagar, até que o novelo se desfizesse. Naquela noite, ele me contou sobre a vida em Boston, sobre a filha que morava em Nova York, sobre o casamento que acabara dois anos antes. Falava com as mãos, e eu imaginava aqueles dedos percorrendo minha pele.

Quando o bar fechou, ele me acompanhou até o elevador. O corredor estava vazio, o silêncio cheio de respirações. Ele se virou para mim, apoiou uma mão contra a parede ao lado da minha cabeça e inclinou o rosto. Seu hálito misturava bourbon e menta. Seus lábios roçaram os meus, leves como uma pergunta.

"Posso subir?", ele sussurrou.

Eu disse sim, mas a palavra saiu mais como um suspiro.

Dentro do quarto, a cidade brilhava lá fora em mil pontos de luz. Ele fechou a porta devagar, com cuidado, como se selasse um pacto. Depois me puxou para perto, e o beijo que veio foi quente e profundo. Sua boca explorou a minha com paciência, e suas mãos encontraram a curva da minha cintura, apertando a carne através do vestido. Senti o calor do seu corpo contra o meu, a rigidez dos músculos sob a camisa social.

Ele desabotoou minha blusa com calma, beijando cada centímetro de pele que revelava. Quando seus lábios tocaram a base do meu pescoço, arquei as costas. Sua língua traçou um caminho úmido até minha clavícula, e eu enterrei os dedos em seus cabelos grisalhos.

"Você é tão bela", ele murmurou contra minha pele. "Tão quente."

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Minhas mãos encontraram o cinto dele, e o som do metal se abrindo ecoou no quarto. Ele me levantou nos braços com uma facilidade que me surpreendeu, e me deitou na cama com a leveza de quem sabe lidar com o desejo. Seu corpo cobriu o meu, e eu senti cada linha de tensão nos músculos das costas quando ele se moveu contra mim.

Tirei sua camisa devagar, apreciando o relevo do abdome, a linha escura de pelos que descia. Beijei seu peito enquanto ele gemia baixo, e minhas mãos encontraram o calor da sua pele, o suor que começava a brilhar. Quando ele deslizou para baixo, seus lábios encontraram a curva dos meus seios, e depois o centro do meu corpo, e tudo que existia era o ritmo da sua boca, a pressão exata, o jeito como ele sabia onde tocar.

Eu me perdi. O prazer subiu como fogo, e minhas unhas cravaram nos lençóis. Ele não parou. Levou-me ao limite uma vez, depois de novo, até que eu estivesse mole, ofegante, agarrada aos seus ombros como uma náufraga.

"Sua vez", sussurrei, puxando-o para cima.

Fui eu quem comandou o ritmo. Sentei sobre ele, guiando seu corpo dentro do meu, e a visão dos olhos dele se fechando, a boca entreaberta, a forma como sua mão apertou minha coxa, foi tudo o que precisei. Movi-me devagar, depois mais rápido, até que sua respiração se rompeu e um gemido grave escapou. A intensidade cresceu, e quando o clímax chegou, foi juntos, um colapso molhado de pele contra pele, suor e ar ofegante.

Depois, ele me enrolou nos braços, o coração ainda acelerado contra minhas costas. O silêncio não era vazio. Era cheio de respirações que se encontravam, de mãos que ainda deslizavam, de beijos dados sem pressa na curva do ombro.

Pela manhã, o sol entrava pelas frestas e eu acordei sozinha, mas com o cheiro dele ainda no travesseiro. No criado-mudo, um bilhete escrito à mão. Dizia apenas: "Até amanhã, no bar." E embaixo, um número de telefone.

As semanas seguintes foram feitas desses encontros noturnos. Cada noite um capítulo novo, uma descoberta do corpo do outro, um território a ser mapeado com beijos e sussurros. Ele me ensinou o mapa de Boston pelos becos que conhecia, e eu o ensinei o mapa da minha pele.

A última noite, antes de eu voltar ao Brasil, ele me levou ao quarto do topo do hotel. A vista se estendia por toda a cidade, e as luzes tremiam como velas. Ele me amou devagar, como quem grava cada detalhe na memória.

"Volte", ele pediu, com a voz rouca de desejo e despedida.

"Talvez", eu disse, e sorri.

Mas o que não disse é que parte de mim ficaria sempre em Boston, naquele quarto, na forma como seu nome ecoava no escuro, no gosto do bourbon na sua boca e no calor que ele deixou sob minha pele.


Conto erótico enviado por Clara Mendes, São Paulo - SP.

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Conteúdo proibido para menores de 18 anos. Em Contos eróticos temos diversos artigos sobre este tema. Recomendo :)

Suellen Gomes

Suellen Gomes é pesquisadora e criadora de conteúdo voltada para o universo da sensualidade, bem-estar sexual e autoestima. À frente do Fetiche em pé, trabalha na desmistificação de fetiches e fantasias, promovendo um diálogo seguro, consensual e informativo sobre a liberdade de expressão corporal. Sua missão é empoderar pessoas através do conhecimento e do respeito aos próprios desejos.

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