
Conto erótico: Confissões secretas de histórias gays

A noite estava quente em Florianópolis quando ele apareceu na minha varanda. O vento vinha do mar, carregando aquele cheiro de sal que sempre me fazia lembrar da minha infância, mas naquela hora só conseguia pensar no cheiro dele. Álvaro ficou encostado no guarda-corpo, os dedos tamborilando no metal enferrujado, os olhos perdidos no horizonte escuro. Eu sabia que ele tinha algo para dizer. Cada visita dele tinha esse peso, como se a verdade estivesse presa na garganta, esperando o momento certo para escapar.
Quando ele finalmente se virou, a luz amarela da varanda iluminou metade do rosto. A outra metade permanecia na sombra, e eu pensei que era exatamente assim que a gente vivia: mostrando uma parte, escondendo a outra. Ele limpou a garganta e começou a falar.
"Eu passei anos achando que era só atração física", ele disse, a voz rouca. "Que era coisa de momento, que ia passar quando eu conhecesse a pessoa certa, do sexo oposto. Mas não passou."
Eu fiquei imóvel, o copo de água gelado na mão, as pernas meio bambas. Ele nunca tinha dito nada tão explícito antes. A gente se conhecia desde a faculdade, dividia apartamento nos dois primeiros anos, trocava olhares que nunca eram comentados, risadas que duravam mais do que o necessário. Mas palavras? Palavras eram território novo.
"Você sabia?", ele perguntou, e a pergunta era um anzol. "Sabia que eu te olhava quando você tomava banho e deixava a porta entreaberta? Que eu ficava acordado depois que você dormia, só para ouvir a sua respiração?"
Eu coloquei o copo na mesa e dei um passo na direção dele. Cada movimento era uma decisão, cada centímetro uma renúncia ao medo que me acompanhava desde a adolescência, quando eu percebi que olhava para os meninos do time de futebol de um jeito diferente.
"Sabia", respondi, e a palavra saiu mais firme do que eu esperava. "Sabia porque eu fazia a mesma coisa."
O silêncio entre nós era elétrico. Áspero. Aquele momento em que tudo o que foi escondido por anos finalmente encontra espaço para existir. Eu vi os olhos dele brilharem, não de lágrimas, mas de alívio. Como se o peso de uma vida inteira tivesse sido dividido entre dois.
Ele veio na minha direção e parou a um palmo do meu rosto. A mão dele tremia quando tocou minha bochecha, a palma quente, os dedos trêmulos. "Eu nunca fiz isso", ele confessou, e a voz falhou. "Nunca com um homem. Nunca com alguém que eu realmente..."
"Eu também não", interrompi, e a frase era verdade. Havia outros, claro. Toques rápidos em banheiros de boate, encontros anônimos que terminavam antes do amanhecer. Mas nunca alguém que eu conhecia de verdade. Nunca alguém que sabia o nome da minha mãe, que ria das minhas piadas ruins, que dividia a conta do mercado e reclamava do preço do leite.
A boca dele encontrou a minha e o beijo começou devagar, quase hesitante. Era o beijo de quem está aprendendo, de quem está redescobrindo o próprio corpo através do outro. A língua dele tocou a minha e eu senti o gosto do café que ele tinha tomado horas antes, misturado a um doce que eu não sabia nomear. Minha mão subiu pelas costas dele, sentiu a camisa úmida de suor, os ombros largos que eu sempre admirei em silêncio.
Ele me puxou para dentro do apartamento, os dois tropeçando nos próprios pés, rindo baixo enquanto as mãos exploravam o que sempre foi proibido. Quando a porta do quarto se fechou, a escuridão era total, mas não precisávamos de luz. Eu conhecia o corpo dele melhor do que ele imaginava. A cicatriz no joelho, a verruga nas costas, o jeito que ele respirava quando estava nervoso.
Despi-lo foi um ato de devoção. Cada botão da camisa aberto era uma confissão, cada peça de roupa que caía no chão era um segredo revelado. Quando ele ficou nu diante de mim, com a luz da rua entrando pela fresta da cortina, eu parei para olhar. O peito liso, o abdômen definido, os pelos escuros descendo pela barriga até onde a ereção apontava para mim.
Ele fez o mesmo comigo, e os olhos arregalados dele disseram tudo o que a boca ainda não tinha coragem de falar. A mão dele envolveu meu pau com uma firmeza que surpreendeu, o movimento lento, a pressão exata, o polegar deslizando pela ponta. Eu fechei os olhos e senti cada centímetro daquela mão, cada calo, cada sulco.
Conto erótico: O tambor da paixãoAjoelhei na cama e puxei ele para perto. Minha boca encontrou o peito dele, a língua traçou círculos em volta do mamilo até ouvir o gemido que eu esperava desde os vinte anos. Desci devagar, beijando cada centímetro da pele macia, sentindo os músculos se contraírem sob os lábios. Quando minha boca chegou ao pau dele, senti as mãos dele no meu cabelo, guiando, pedindo.
A primeira vez que minha boca envolveu a cabeça, ele arqueou as costas e soltou um som gutural que ecoou pela sala. O gosto era salgado, quente, intenso. A textura da pele lisa contra a minha língua, o movimento do quadril dele implorando por mais profundidade. Eu deslizei devagar, cada movimento estudado, cada sucção calculada para arrancar mais gemidos.
Ele me puxou para cima, a respiração curta, os olhos úmidos. "Quero você dentro de mim", ele disse, e a frase foi dita como quem finalmente se permite pedir. "Me ensina como se faz."
Eu o deitei de costas, as pernas dele abertas, os joelhos flexionados. O óleo de coco que eu usava no cabelo serviu para preparar o caminho. Meus dedos entraram devagar, um de cada vez, sentindo a resistência e o calor. Ele gemia baixo, os olhos fechados, a boca entreaberta. Cada movimento dos meus dedos era uma pergunta, e cada contração do corpo dele era uma resposta.
Quando finalmente entrei nele, parei. Fiquei imóvel por um instante, sentindo a pressão, a intimidade, o absurdo de estar ali depois de tantos anos. Ele abriu os olhos e me olhou com uma intensidade que doía. "Não para", ele sussurrou. "Não para nunca."
O ritmo começou devagar, um vai e vem que parecia sincronizado com o bater dos corações. Cada estocada era mais profunda, cada gemido mais alto. A mão dele segurava a minha nuca, a outra apertava meu quadril, como se quisesse me fundir ao corpo dele. As pernas dele envolviam minha cintura, puxando-me para dentro a cada movimento.
Eu diminuí o ritmo para provocar, e ele gemeu meu nome com uma urgência que me fez acelerar de novo. A testa dele suada contra a minha, a boca entreaberta, os olhos revirando. Senti as pernas dele tremerem e a respiração ficar ofegante.
"Vem comigo", ele pediu, e a mão dele encontrou o próprio pau, começou a se masturbar no compasso das minhas estocadas.
Quando o orgasmo chegou, foi como se o mundo tivesse desabado. Senti o corpo dele se contrair ao meu redor, as pernas apertarem minha cintura, as mãos segurarem meu rosto com força. A minha própria entrega veio na sequência, uma onda que começou na espinha e terminou num gemido rouco.
Ficamos deitados, nossos corpos suados, a respiração descompassada. A mão dele acariciava minha nuca, os dedos fazendo círculos lentos. O silêncio era preenchido pelo vento da varanda e pelos carros que passavam na rua.
"Eu passei anos com medo", ele disse, a voz rouca, os olhos fechados. "Medo de sentir, de dizer, de ser. E olha onde a gente chegou."
Eu beijei a testa dele, o nariz, a boca. "Chegamos onde sempre devíamos estar", respondi. "Só demorou um pouco."
Ele riu, aquele riso que eu conhecia desde os tempos de faculdade, agora mais solto, mais leve. "Valeu a pena esperar?"
Eu apertei o corpo dele contra o meu e sussurrei no ouvido dele: "Cada segundo."
Conto erótico: O tambor da paixão
Conto erótico: O tambor da paixãoConto erótico enviado por Carlos Eduardo Menezes
Conteúdo proibido para menores de 18 anos. Em Contos eróticos temos diversos artigos sobre este tema. Recomendo :)
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