
Conto erótico: primavera em chamas

O cheiro de terra molhada e flores de laranjeira invadiu meu carro assim que eu desci a janela. A estrada de paralelepípedos, ladeada por muros cobertos de bougainville, me levava para o interior da cidadezinha. Eu precisava de um fim de semana longe do barulho, das cobranças, da vida que parecia ter apertado o nó na minha garganta. Foi um amigo que sugeriu a pousada, um lugar simples, quase escondido, onde ninguém me conhecia.
Quando cheguei, o sol da tarde pintava tudo num tom dourado e quente. A dona, uma senhora de cabelos grisalhos e sorriso fácil, me deu as boas-vindas com um copo de suco de limão e me mostrou o quarto. "O café da manhã é servido na varanda, bem cedo. E, se quiser silêncio, a biblioteca é o melhor lugar", disse, apontando para uma porta de madeira ao fundo. Agradeci e prometi explorar.
Naquela noite, fui até a biblioteca. O ar estava morno e o vento entrava pelas janelas abertas. O lugar cheirava a papel velho e cera de vela. Eu folheava um livro de poemas, distraída, quando ouvi passos. Levantei os olhos e vi um homem parado na entrada. Alto, de ombros largos, com uma camisa de linho clara e a manga dobrada até os cotovelos. A luz da vela acariciava o contorno do seu maxilar e mexia nas ondas do seu cabelo, como se tivesse acabado de sair do mar. Por um segundo, o tempo pareceu desacelerar.
"Desculpe, não sabia que tinha mais alguém aqui", sua voz era grave, mas o tom era suave. "Estou atrapalhando?"
"Não", respondi, e minha própria voz soou estranha para mim. "Estou só passando o tempo." Ele sorriu, um movimento apenas nos cantos dos lábios, e se aproximou. O espaço entre nós diminuiu, e o cheiro de madeira e algo cítrico tomou conta do meu ar. Ele se sentou na poltrona ao lado, e o silêncio que se seguiu não era vazio, mas elétrico, preenchido por uma corrente que eu não conseguia nomear.
Ele se chamava Theo. Eu descobri isso algumas horas depois, em uma conversa que começou com observações sobre o tempo e derivou para memórias e segredos. Ele ria de uma forma que fazia o peito vibrar, e eu percebia cada movimento seu, a forma como inclinava a cabeça, o brilho nos seus olhos quando falava sobre as viagens que fizera. Conforme a noite avançava e a luz das velas diminuía, eu senti minha guarda desmoronar. Era como se ele pudesse ver através das minhas palavras, lendo as entrelinhas que eu nem sabia que estavam ali.
No dia seguinte, nos encontramos no jardim. A primavera estava explodindo em cores e perfumes. As flores pendiam dos galhos, e o ar vibrava com o zumbido dos insetos. Nós andamos por entre as roseiras, nossos ombros se roçando de leve, a cada toque uma faísca. Ele parou perto de um pé de jasmim e colheu uma flor branca. Com um gesto lento, ele a colocou atrás da minha orelha, seus dedos deslizando pela minha pele, deixando um rastro quente.
"Você parece uma pintura", ele murmurou, com os olhos fixos nos meus. Meu coração batia tão forte que eu tinha certeza que ele podia ouvir. Aquele toque era perigoso, e eu sabia que estava caminhando para uma beira da qual não poderia voltar. A tarde transcorreu assim, em uma teia de olhares e silêncios cúmplices.
A noite foi longa. A lua cheia banhava tudo com uma luz prateada, e os grilos cantavam uma melodia incessante. Eu estava sentada na varanda do meu quarto, com uma xícara de chá já fria nas mãos, quando ouvi seus passos nos degraus de madeira. Ele subiu as escadas com a leveza de quem conhece o caminho. Seus olhos encontraram os meus, e eu soube, com uma certeza absoluta, que aquele era um momento de escolha.
Eu me levantei, e ele fez o mesmo. Não houve mais palavras. O vento soprou mais forte e, por um instante, o perfume das flores e a poeira da terra se misturaram, criando uma sensação de um sonho do qual eu não queria acordar. Dei um passo à frente e, na mesma medida, ele se aproximou. A distância entre nós desapareceu. Sentia o calor do seu corpo, mesmo antes de seus braços me envolverem.
Quando seus lábios tocaram os meus, o mundo se desfez. Era um beijo que carregava toda a tensão dos olhares roubados, das palavras não ditas, dos toques breves na biblioteca. Seus lábios eram macios e firmes ao mesmo tempo, e eu me perdi na sensação. Minhas mãos encontraram seu peito e depois seus ombros, sentindo a força da sua estrutura através da fina camada de linho. Ele me puxou para mais perto, e eu senti as pontas dos dedos dele percorrerem minha coluna, desenrolando um fio de tensão que eu carregava há meses.
Conto erótico: a voz que me possuiNosso beijo se aprofundou, e sua língua encontrou a minha, explorando, provocando. Eu gemi baixinho, e aquilo pareceu alimentar o fogo dentro dele. Ele me guiou, sem pressa, para dentro do quarto. A porta se fechou com um clique suave, isolando-nos do resto do mundo. A lua entrava pelas frestas da persiana, criando um jogo de luz e sombra em seu corpo. Ele desabotoou a camisa, e eu vi o movimento dos músculos sob a pele, o contorno do seu peito.
Ele se inclinou, beijando meu ombro, minha clavícula, enquanto suas mãos encontravam a barra da minha blusa. O tecido subiu e eu senti o ar fresco da noite tocar minha pele, um contraste com o calor dos seus dedos. Cada beijo, cada toque, era uma pergunta silenciosa, e minha resposta vinha no arquejar do meu corpo, no jeito como me entregava àquela intimidade. A primavera, com toda a sua promessa de renovação e florescimento, queimava ao nosso redor, e nós éramos o centro daquele incêndio.
Eu o puxei para a cama com um movimento decidido. Nossos corpos se encontraram, e a sensação do seu peso sobre mim era um alívio, um véu sobre todas as minhas dúvidas. Tudo era tão natural, tão certo. Havia uma dança entre nós, um ritmo que nenhum de nós precisou ensinar ou aprender. Era puro instinto. Eu sentia sua respiração quente contra meu pescoço, o bater do seu coração contra o meu.
Mais tarde, deitada ao lado dele, com a cabeça apoiada em seu peito, eu ouvia seu coração desacelerar. Ele traçava círculos nas minhas costas, uma carícia vazia de pressa. O silêncio entre nós era confortável, uma conversa sem palavras. Eu olhei pela janela e vi as estrelas, e pela primeira vez em muito tempo, não senti o peso de ter que estar em algum lugar. Eu estava exatamente onde deveria estar.
"Eu não esperava por isso", ele disse, finalmente, sua voz um sussurro rouco. "Mas não me arrependo de nenhum segundo." Eu sorri, mesmo sem ele poder ver, e apertei meu abraço. A primavera queimava lá fora, e dentro de mim, uma nova estação começava.
1. Qual é o nome do personagem masculino que a narradora encontra na biblioteca?
2. Qual elemento natural a narradora usa para descrever a intensidade do encontro?
3. O que Theo faz com a flor de jasmim durante o passeio no jardim?
4. Qual o sentimento predominante da narradora ao longo da noite no jardim?
5. Como a narradora descreve o beijo que troca com Theo?
Conto erótico enviado por Clara Mendes, de Campos do Jordão, São Paulo.
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Conto erótico: Laços de confiança no feticheConteúdo proibido para menores de 18 anos. Em Contos eróticos temos diversos artigos sobre este tema. Recomendo :)
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