Conto erótico: O jogo da confiança

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A sala estava mergulhada em uma penumbra dourada, o abajur jogava sombras dançantes nas paredes. O ar cheirava a café fresco e algo mais, algo que ela não conseguia nomear. Os dedos de Clarice tremiam levemente ao segurar a xícara, não pelo líquido quente, mas pela maneira como Daniel a observava. Não era um olhar direto, mas um deslizar de olhos que pareciam tocar sua pele sem permissão. Um desconforto delicioso.

Ele não tinha dito nada ainda. Não precisava. O silêncio entre eles era espesso, carregado de algo que não tinha nome, mas que pulsava no ar como um terceiro personagem na sala. Clarice sentia o calor subindo pelo pescoço, uma queimação que não vinha do café. Por que ele não falava? Por que ela não saía?

Um toque acidental — ou não — quando Daniel esticou o braço para pegar o livro sobre a mesa. Seus dedos roçaram o dela, e foi como se uma faísca tivesse saltado entre eles. Clarice recuou instintivamente, mas não o suficiente. Não o bastante para que ele não notasse o arrepio que a percorreu. Ele notou. Claro que notou.

— Você está frio? — ele finalmente quebrou o silêncio, a voz baixa, quase um sussurro.

Ela não estava. Estava em chamas. Mas balançou a cabeça, negando. Mentira. Tudo nela era uma mentira naquele momento. Os olhos, a voz, o jeito como cruzava as pernas, como se isso pudesse conter o que quer que fosse aquilo que crescia dentro dela.

Daniel sorriu. Não era um sorriso amigável. Era o tipo de sorriso que dizia eu sei o que você está sentindo, e você não pode esconder. E, pior, era o tipo de sorriso que fazia Clarice querer desistir de esconder.

— Confia em mim? — ele perguntou, de repente, como se a pergunta fosse a coisa mais natural do mundo.

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Ela hesitou. Confiar. A palavra soava perigosa, como um convite para pular de um penhasco. Mas os olhos dele... Deus, os olhos dele. Eles prometiam que o voo valeria a pena.

— Não sei — ela admitiu, e a verdade saía mais fácil do que mentiras.

Ele não respondeu. Em vez disso, esticou a mão, a palma aberta, como se pedisse algo que não era físico. Confiança. Ou talvez mais.

O primeiro toque foi hesitante, como se ambos tivessem medo de queimar. Mas logo, os dedos de Clarice se entrelaçaram aos dele, e o mundo ao redor pareceu desvanecer. Não havia mais sala, nem café, nem sombras dançantes. Havia apenas aquele contato, aquele jogo perigoso de quem cedia primeiro.

E, quando Daniel se inclinou, não foi um beijo. Foi uma promessa. Uma promessa de que, naquela noite, a confiança seria testada, e o desejo, finalmente, teria permissão para ganhar.

Clarice fechou os olhos. E se eu me arrepender? Mas o coração batia tão forte que abafava qualquer dúvida. E se eu não me arrepender?

Conto erótico enviado por Marina Silva, Morro de São Paulo - BA

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Conteúdo proibido para menores de 18 anos. Em Contos eróticos temos diversos artigos sobre este tema. Recomendo :)

Suellen Gomes

Suellen Gomes é pesquisadora e criadora de conteúdo voltada para o universo da sensualidade, bem-estar sexual e autoestima. À frente do Fetiche em pé, trabalha na desmistificação de fetiches e fantasias, promovendo um diálogo seguro, consensual e informativo sobre a liberdade de expressão corporal. Sua missão é empoderar pessoas através do conhecimento e do respeito aos próprios desejos.

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