
Conto erótico: O ritmo do berimbau

A sala estava quente, não pelo sol que batia nas janelas entreabertas, mas pelo som. O berimbau cortava o ar como uma lâmina, vibrando nas paredes descascadas do velho terreiro. Ela não tinha vindo para dançar. Ou pelo menos, não era isso que repetia para si mesma enquanto os dedos apertavam a saia de tecido leve, colada à pele pelo suor. O som a envolvia, uma teia de notas agudas e graves que pareciam deslizar pela sua coluna, acendendo algo que não era apenas memória.
Ele estava ali, no centro da roda, o corpo movendo-se com uma precisão que não era apenas técnica. Cada passo, cada giro de quadril, era um convite. Não um convite qualquer — era a promessa de que, se ela se aproximasse, o mundo inteiro se reduziria àquele círculo de terra batida e ao som do arco de metal.
Não foi um toque. Foi um roçar de pele, quase imperceptível, quando ele passava por ela para ajustar o atabaque. O braço dele, úmido e quente, encostou no dela por um segundo que durou uma eternidade. Ela não se afastou. Não porque não quisesse, mas porque o corpo, traidor, parecia ter esquecido como.
O cheiro de erva queimada misturava-se ao perfume barato que ela passara no pulso pela manhã. Agora, o aroma do suor e do terraço úmido era mais forte. Ele a olhava. Não como os outros, que a viam como mais uma na roda, mais um corpo para preencher o espaço. Não. Ele a olhava como se já soubesse o gosto da sua pele, como se o ritmo do berimbau fosse apenas o prelúdio do que viria depois.
E ela permitia. Permitia que os olhos dele a percorressem, devagar, como se estivessem traçando um mapa de cada centímetro queimando sob o tecido fino. O silêncio entre eles não era vazio. Era cheio de possibilidades, de promessas não ditas, de um desejo que crescia a cada nota do instrumento.
Conto erótico: Outono de paixões caídasPor que não saio?
A pergunta ecoava na sua mente, mas os pés não obedeciam. Era como se o som do berimbau tivesse se enraizado nela, puxando-a para mais perto dele, para mais perto daquele calor que emanava do corpo dele como uma onda. Quando ele estendeu a mão, não foi um convite. Foi uma ordem. E ela, que sempre se orgulhara de ser impossível de ser controlada, sentiu-se compelida a obedecer.
Os dedos dele se fecharam em torno dos seus, e o mundo girou. Não era mais a roda de capoeira. Era algo mais íntimo, mais perigoso. O ritmo agora não vinha apenas do berimbau. Vinha do batimento acelerado do coração dela, do ar que entrava e saía dos pulmões dele, como se os dois estivessem dançando uma coreografia que só eles conheciam.
O primeiro beijo não foi no terreiro. Foi depois, quando a noite já tinha caído e o som do berimbau era apenas uma lembrança no ar. Foi contra a parede de tijolos, com o cheiro de terra molhada subindo do chão. Não foi suave. Não foi doce. Foi como o som do instrumento: intenso, urgente, impossível de ignorar.
E quando ele a puxou para mais perto, quando os corpos finalmente se encostaram sem a desculpa da dança, ela soube que não era apenas o ritmo do berimbau que a tinha levado até ali. Era algo mais profundo, mais antigo. Algo que não precisava de palavras.
Conto erótico: Outono de paixões caídas
Conto erótico: Ele disse que era o capetinha do futebol, mas era bola fora na camaConto erótico enviado por Marina Viana
Conteúdo proibido para menores de 18 anos. Em Contos eróticos temos diversos artigos sobre este tema. Recomendo :)
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