Conto erótico: O limite do prazer

Conto erótico: O limite do prazer

A chuva batia na janela como dedos impacientes. Ela não olhava para ele, mas sentia o peso do olhar dele sobre a nuca, quente como um suspiro contido. O copo de vinho, meio cheio, tremia levemente entre seus dedos. Não era o álcool. Era a memória do toque dele, mais cedo, quando os corpos se roçaram ao alcançar o mesmo livro na estante. Um acidente? Ou um teste?

Ele não dissera nada. Apenas recuara, como se queimado, mas o ar entre eles ficara denso, carregado de algo que não era palavras.

Agora, o silêncio gritava.

Ela se virou, finalmente. Os olhos dele não mentiam: escuros, fundos, como se quisesse despir não só o vestido, mas cada camada de resistência que ela construíra nos últimos meses. Não faça isso, ela pensou. Não me olhe assim. Mas o corpo traía a mente. A pele formigava, como se já soubesse o que viria antes mesmo que o cérebro aceitasse.

— Você está pensativa — ele murmurou, a voz rouca, como se as palavras tivessem sido arrastadas por uma correnteza invisível.

— Estou com frio — mentiu, cruzando os braços, como se isso pudesse conter o calor que subia do pescoço até as bochechas.

Ele sorriu. Um sorriso lento, perigoso. Sabia que ela mentia. Sabia que o frio não era o problema. Levou a mão ao ombro dela, um gesto que poderia ser conforto, mas os dedos se demoraram, deslizando pela alça do vestido, como se testassem a textura da pele por baixo do tecido. Um arrepio a percorreu. Não era um toque. Era uma promessa.

— Aqueça-se — disse ele, e o convite não era para o vinho.

O coração dela acelerou. Isso é errado. Isso é perigoso. Mas o corpo não ouvia. Os lábios secos, a respiração ofegante. Ele se aproximou mais, e ela não recuou. O cheiro dele — madeira, café, algo primal — invadiu seus sentidos. Quando os lábios dele roçaram a orelha dela, um suspiro escapou, involuntário, traidor.

Conto erótico: O ritmo do berimbauConto erótico: O ritmo do berimbau

— Diga que não quer — desafiou, a voz um sussurro áspero.

Ela não disse.

E foi isso que o fez perder o controle.

As mãos dele, antes hesitantem, agora a puxavam contra si, como se quisesse fundi-la ao próprio corpo. A boca dele encontrou a dela com uma fome que não pedia permissão. E ela, em vez de resistir, afundou os dedos nos cabelos dele, como se temesse que ele fosse desaparecer.

O mundo girava. Ou era ela que girava? As paredes, a chuva, tudo se dissolveu. Restava apenas o calor, a pressa, o gosto do vinho misturado ao beijo, o som abafado de um gemido que não soube de quem era.

Depois, quando os corpos se separaram, ofegantes, ela não olhou para ele. Não quis ver o triunfo nos olhos dele. Não quis confirmar que, mais uma vez, o desejo tinha vencido.

A chuva parou. O silêncio voltou.

E ela soube, com uma certeza que doía, que aquilo não tinha sido o fim.

Era apenas o começo.

Conto erótico: O ritmo do berimbauConto erótico: O ritmo do berimbau
Conto erótico: Outono de paixões caídasConto erótico: Outono de paixões caídas

Conto erótico enviado por Mariana Vilela

Conteúdo proibido para menores de 18 anos. Em Contos eróticos temos diversos artigos sobre este tema. Recomendo :)

Suellen Gomes

Suellen Gomes é pesquisadora e criadora de conteúdo voltada para o universo da sensualidade, bem-estar sexual e autoestima. À frente do Fetiche em pé, trabalha na desmistificação de fetiches e fantasias, promovendo um diálogo seguro, consensual e informativo sobre a liberdade de expressão corporal. Sua missão é empoderar pessoas através do conhecimento e do respeito aos próprios desejos.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Go up