Conto erótico: A noite que apagou a sua sombra

Conto erótico: A Noite que Apagou a Sua Sombra

A porta do apartamento rangeu ao fechar, um som que antes significava o fim de mais um dia de trabalho e agora soava como o estertor da nossa relação. O cheiro do perfume dela, aquele jasmim com um toque de âmbar que eu tanto amava, impregnava o ar do hall.

Mas hoje, misturava-se a outro aroma. Um perfume barato, adocicado, que não pertencia a nós. Na mesa de centro, um copo de vinho quase inteiro, e ao lado, um brinco que não era dela. Uma pequena argola de prata, vulgar, nada do estilo minimalista que ela cultivava. A traição não era mais uma suspeita, era um fato tangível, cheirando a sexo alheio e mentiras.

A raiva veio primeiro, uma onda quente que me queimou as veias. Depois, uma dor gelada no peito, como se meu coração tivesse sido espremido. Peguei o casaco e saí sem destino, um animal ferido vagueando pela noite. O bar estava iluminado, uma ilha de ruído e luz na escuridão da minha mente. Pedi uma dose de uísque, depois outra. O líquido queimava minha garganta, uma punição bem-vinda.

Foi então que a vi. Sentada sozinha no balcão, degustando um gim tônica com uma calma que contrastava com a tempestade dentro de mim. Cabelos escuros e cacheados caindo pelos ombros, um vestido vermelho que aderia ao corpo como uma segunda pele.

Ela não era exatamente bonita no sentido clássico; era intensa. Seus olhos, quando se encontraram com os meus, eram escuros e profundos, como se guardassem segredos tão sombrios quanto os meus. Um sorriso sutil, quase imperceptível, surgiu em seus lábios.

“Parece que você precisa de mais do que uma bebida,” disse ela, a voz um sussurro rouco que vibrou em meus ouvidos.

Não respondi. Apenas encarei meu copo. Ela deslizou para o banco ao meu lado, o perfume dela, um patchouli com notas de baunilha, preenchendo o espaço entre nós. Era um perfume real, terroso, honesto. O oposto do cheiro que deixara em casa.

“Às vezes, a melhor vingança é esquecer,” ela continuou, seus dedos traçando círculos no bar molhado. “Mesmo que seja por uma noite.”

A proposta estava no ar, crua e direta. Olhei para ela, para aquele vestido vermelho que prometia tudo e nada. A imagem do brinco de prata na minha mesa de centro voltou à minha mente. A raiva retornou, mas agora tinha um novo alvo, um novo propósito.

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“O seu lugar fica longe daqui?” perguntei, a voz mais firme do que eu esperava.

Ela sorriu de novo, desta vez com os dentes. “A uma distância perfeita.”

O táxi foi um silêncio tenso, cheio de eletricidade. Suas mãos repousavam em seu colo, e eu podia sentir o calor delas a poucos centímetros dos meus. No elevador do prédio dela, a tensão era palpável. Assim que a porta do apartamento se fechou, não houve mais palavras.

Ela me empurrou contra a porta, seus lábios encontrando os meus com uma fome que espelhou a minha. Era um beijo agressivo, possessivo, uma tentativa de apagar memórias com sensações novas.

Suas mãos desataram minha camisa, as unhas levemente arranhando meu peito. Eu a ergui, suas pernas se envolvendo na minha cintura, e a carreguei até o quarto, jogando-a na cama. O vestido vermelho era um obstáculo, uma tela que rasguei com os dentes, expondo pele macia e palidez sob a luz fraca da lua. O corpo dela era um território desconhecido, um mapa de curvas e texturas que eu estava ansioso para explorar.

Cada toque era uma reafirmação. Cada beijo, uma negação. Eu não a estava beijando, eu estava apagando. O cheiro do patchouli e da baunilha substituía o jasmim em meus sentidos. Os gemidos dela, profundos e guturais, abafavam as vozes na minha cabeça.

Quando ela se entregou, arqueando as costas e me puxando para dentro dela com uma força desesperada, senti uma explosão de poder e libertação. Não era amor. Era puro, animal e necessário.

Deitei ao lado dela, ofegante, o coração batendo forte, mas por uma razão diferente. A dor ainda estava lá, mas agora era uma dor surda, distante. A noite tinha feito o que prometeu. Eu tinha traído a traição. Amanhã, a realidade voltaria. Mas por enquanto, naquele quarto escuro com o cheiro de patchouli e sexo, eu estava livre.

Conto erótico enviado por Marcos e Sofia.

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Suellen Gomes

Apaixonada pelo universo dos fetiches e pela liberdade de expressão sensual, dedico meu espaço no Fetiche em Pé a explorar desejos, fantasias e experiências que valorizam o corpo, a autoestima e o prazer consensual.

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