
Conto erótico: Os passos que me levaram ao prazer

O primeiro passo foi a hesitação. Aquela paralisia doce que toma conta quando os olhos encontram algo que o corpo reconhece antes que a mente aceite. Eu estava na festa de aniversário de Mariana, minha colega de trabalho, quando vi Rafael pela primeira vez. Ele estava encostado na parede do terraço, com uma taça de vinho tinto entre os dedos longos, e algo no modo como ele segurava aquele cristal me fez parar de respirar por um segundo.
Não era apenas a aparência. Sim, ele tinha aquela barba por fazer que delineava um maxilar forte, e olhos castanhos que pareciam guardar segredos. Mas era a forma como ele ocupava o espaço. Como se cada centímetro daquele corpo alto soubesse exatamente onde terminava e onde começava o mundo ao redor. Eu estava aos trinta e dois anos, havia terminado um relacionamento de três anos há apenas seis meses, e achava que minha libido havia sido enterrada junto com aquela história.
O segundo passo foi a aproximação. Mariana me puxou pelo braço, bêbada e sorridente, e me apresentou. Rafael era amigo de faculdade dela, arquiteto, recém divorciado. Nossos dedos se tocaram quando apertamos as mãos, e eu senti um calor subir pelo meu braço, passar pelo pescoço, instalar-se nas bochechas. Ele sorriu, e havia algo predatório naquele sorriso, mas também curioso. Como se ele estivesse me avaliando e gostasse do que encontrava.
Conversamos sobre vinhos, sobre o apartamento que ele estava reformando no bairro de Pinheiros, sobre a chuva que começava a cair sobre São Paulo naquela noite de sábado. Cada palavra que saía da boca dele parecia carregada de duplo sentido. Ou talvez fosse minha imaginação, faminta por atenção masculina depois de tanto tempo sem sentir desejo genuíno.
O terceiro passo foi o convite. A chuva intensificou, e as pessoas começaram a se despedir. Eu estava no banheiro, retocando o batom, quando ouvi a porta se abrir. Era ele. Não havia tranca, e ele não entrou completamente, apenas encostou o ombro no batheiro e me olhou pelo espelho.
Sua casa fica a dez minutos daqui, disse ele, a voz grave e rouca. E eu tenho um Syrah excelente guardado para uma ocasião especial.
Eu deveria ter hesitado. Deveria ter inventado uma desculpa, um compromisso, uma sensatez qualquer. Em vez disso, eu me virei, encarei aqueles olhos no espelho, e respondi. Qual é a ocasião?
Ele deu um passo para dentro do banheiro, fechando a porta atrás de si com o calcanhar. O encontro, disse ele, se aproximando. O encontro de dois estranhos que decidem não ser mais estranhos.
O quarto passo foi a travessia. O carro dele era um sedan preto, cheiro de couro e algo mais, algo que eu logo identificaria como o perfume dele, amadeirado e intenso. Não conversamos durante o trajeto. As mãos dele no volante eram firmes, os nós dos dedos brancos de tanto apertar. Eu podia sentir a tensão irradiando dele, e a minha própria tensão respondendo, criando um campo magnético entre os dois assentos.
Quando estacionou em frente ao prédio, ele finalmente olhou para mim. Você pode desistir a qualquer momento, disse ele. Eu vou respeitar. Mas eu preciso que você saiba que, desde que vi você naquela festa, eu não consigo pensar em mais nada a não ser como vai ser o seu gosto.
Eu não disse nada. Apenas abri a porta e saí do carro, sabendo que ele me seguiria.
O quinto passo foi a ascensão. O elevador antigo rangia a cada andar. Ele ficou ao meu lado, não me tocando, mas tão perto que eu podia sentir o calor do corpo dele através da minha blusa de seda. No quarto andar, a luz piscou. No quinto, ele finalmente se moveu. Sua mão encontrou a minha cintura, os dedos deslizando pela curva até pararem na minha coxa, por baixo da saia.
Você está tremendo, sussurrou ele, a boca tão perto da minha orelha que eu senti o hálito quente.
Estou com medo, admiti, surpresa com minha própria honestidade.
De quê?
De quanto eu quero isso.
A porta do elevador se abriu. Ele me puxou para fora, e eu o segui pelo corredor mal iluminado até a porta do apartamento.
O sexto passo foi a revelação. O apartamento era exatamente como ele havia descrito, em reforma, mas o quarto estava pronto. Uma cama grande, lençóis brancos, uma janela que mostrava as luzes de São Paulo cintilando sob a chuva. Ele não acendeu a luz principal, apenas uma luminária de cabeceira que banhava tudo em tons âmbar.
Ele me virou para encará-lo, e suas mãos finalmente se moveram sem restrições. Uma subiu pelo meu pescoço, segurando meu queixo, enquanto a outra desceu pela minha coluna, pressionando, sentindo. Quando nossos lábios se encontraram, não foi delicado. Foi faminto, urgente, uma boca devorando a outra como se houvesse sido privada de água por dias.
Conto erótico: O toque das luvas de sedaEu senti suas mãos na minha blusa, desabotando, e não me opus. Quando a peça caiu no chão, ele parou apenas para olhar. Seus olhos percorreram meu corpo, e eu me senti bela pela primeira vez em anos. Desejada. Viva.
O sétimo passo foi a entrega. Ele me deitou na cama com uma suavidade que contradizia a urgência de momentos atrás. Cada peça de roupa que ele removeu de mim foi acompanhada de beijos, lambidas, sussurros de apreciação. Quando chegou às minhas calcinhas, ele hesitou, olhando para mim em busca de permissão.
Eu arquei os quadris em resposta.
Ele removeu a última barreira, e então sua boca estava ali, quente, úmida, insistente. Eu gemi, as mãos agarrando os lençóis, a cabeça jogada para trás. Ele sabia exatamente o que fazia, a pressão perfeita, o ritmo preciso, intercalando lambidas longas com toques circulares que me faziam ver estrelas.
Quando eu estava à beira, ele parou. Eu protestei, mas ele já estava se movendo, removendo suas próprias roupas com uma pressa que eu achava adorável. Seu corpo era uma obra de arte, musculoso mas não exagerado, uma cicatriz fina na coxa esquerda que ele nunca explicou e eu nunca perguntei.
O oitavo passo foi a união. Ele se posicionou entre minhas pernas, e eu senti a dureza dele pressionando contra minha entrada. Ele hesitou novamente, sempre o cavalheiro, mesmo naquela situação.
Por favor, eu sussurrei, não me faça esperar mais.
Ele entrou em um único movimento fluido, e eu arquei as costas, a sensação de plenitude tão intensa que por um momento eu esqueci de respirar. Ele começou a se mover, ritmado, profundo, cada estocada atingindo exatamente o ponto certo dentro de mim.
Nossos olhos se encontraram, e havia algo ali, algo além do sexo. Uma conexão, um reconhecimento. Dois adultos que haviam caminhado por caminhos separados e, por acaso ou destino, encontraram um ao outro naquela noite de chuva.
O nono passo foi a ascensão. A tensão se acumulava em minha barriga, uma espiral quente que crescia com cada movimento dele. Ele aumentou o ritmo, as mãos segurando meus quadris, me puxando para cada encontro. Eu podia ouvir os sons que estávamos fazendo, a pele batendo na pele, nossas respirações ofegantes, os gemidos que eu não conseguia conter.
Ele mudou de ângulo, e eu senti a mudança imediatamente. O prazer se intensificou, tornando-se quase doloroso em sua intensidade. Eu agarrei seus ombros, as unhas cravando na pele, e ele gemeu, apreciando a marca que eu estava deixando.
Vem comigo, ele ordenou, a voz rouca. Deixe ir.
E eu deixei. O orgasmo me atingiu como uma onda, começando no núcleo do meu ser e irradiando para cada extremidade do meu corpo. Eu chorei o nome dele, sem me importar se os vizinhos ouviam, sem me importar com nada além daquela sensação avassaladora de prazer.
Ele me seguiu segundos depois, o corpo tenso, o rosto contorcido em uma máscara de êxtase, e então ele desabou sobre mim, pesado e suado e perfeito.
O décimo passo foi o silêncio. Ficamos ali, entrelaçados, ouvindo a chuva contra a janela. Nenhum deles falou. Não havia necessidade. O que havia acontecido entre nós transcendera as palavras.
Ele finalmente se moveu, saindo de mim com uma suavidade que fez eu gemer novamente, e se deitou ao meu lado, puxando meu corpo para o abraço dele. Eu encostei a cabeça no peito dele, ouvindo o coração que ainda batia acelerado.
Você quer ficar? ele perguntou, a voz sonolenta.
Eu quero, respondi, e pela primeira vez em muito tempo, eu realmente queria.
Conto erótico enviado por Carolina Mendes
Conto erótico: O toque das luvas de seda
Conto erótico: O conto gay mais quente que você vai encontrarConteúdo proibido para menores de 18 anos. Em Contos eróticos temos diversos artigos sobre este tema. Recomendo :)
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