
Conto erótico: O peso do silêncio

A sala estava quente demais para abril. O ar-condicionado zumbia baixo, mas era como se o calor viesse de dentro, daquela garrafa de óleo escuro que descansava entre os dois. Clara observava as mãos de Daniel, grandes e lentas, enquanto ele espalhava o gel transparente nas palmas.
O cheiro de lavanda e algo cítrico subia, grudava na garganta. Ela não tinha certeza se era o aroma ou a proximidade dele que a deixava assim: com a pele formigando antes mesmo de ser tocada.
— Você está tensa — ele disse, sem perguntar.
Não era uma pergunta. Daniel nunca perguntava. Só afirmava, como se já soubesse a resposta, como se o corpo dela fosse um mapa que ele lia com os dedos antes mesmo de encostar. Clara mordeu o lábio. O silêncio entre eles não era vazio; era espesso, um tecido úmido de coisas não ditas.
O primeiro toque veio sem aviso: os nós dos dedos dele deslizando pela sua nuca, firme o suficiente para fazê-la estremecer, suave o suficiente para ser quase um acidente.
— Isso não é massagem — ela murmurou, mas não se afastou.
As mãos dele pararam. Por um segundo, Clara pensou ter ido longe demais, ter quebrado a regra não escrita que os mantinha naquele jogo há semanas. Mas então Daniel riu, baixo, e o som vibrou contra as costas dela, ainda quentes do chuveiro que tomara antes de ele chegar.
Conto erótico: O toque que acende a noite— Claro que não é — ele respondeu, e o gel frio escorreu entre suas omoplatas, um rastro lento que a fez arquear as costas.
Os dedos dele seguiram o caminho do óleo, desenhando círculos que não eram inocentes, que não eram profissionais, que não eram nada além daquilo: uma promessa feita com pressão e pausas calculadas.
Clara fechou os olhos. A memória da primeira vez que o vira — no corredor do prédio, com a camisa colada ao corpo pelo suor de uma corrida matinal — invadiu-a sem permissão. Na época, ela tinha se perguntado como seriam aquelas mãos se a tocassem. Agora, sabia: eram quentes demais para o gel, ásperas demais para a delicadeza que fingiam.
— Você quer que eu pare? — a voz dele era um sopro contra sua orelha.
Ela deveria dizer sim. Deveria lembrar que isso era perigoso, que eles tinham combinado apenas massagens, que o contrato verbal entre terapeuta e cliente não incluía o peso do corpo dele agora pressionando o dela contra a maca, nem o hálito quente no pescoço, nem a maneira como seus dedos escorregavam para baixo, para dentro da toalha que mal a cobria.
— Não — Clara sussurrou.
O silêncio que se seguiu foi o mais alto de todos.
Conto erótico: O toque que acende a noite
Conto erótico: A noite que o desejo engoliu a razãoConto erótico enviado por Mariana V.
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