Conto erótico: O quarto que mudou a minha realidade

Conto erótico: O quarto que mudou a minha realidade

Eu nunca fui de fazer coisas impulsivas. Sempre planejei tudo, desde o que comer no café da manhã até as metas do próximo ano. Mas aquele quarto de hotel em Paris me desmontou por inteiro.

Chegamos depois de um voo cansativo, eu e ele, depois de seis meses de namoro. Era uma viagem a trabalho dele, e eu insisti em ir junto, querendo viver aquela fantasia romântica de Paris. Mas o que aconteceu ali não foi romântico no sentido tradicional — foi cru, verdadeiro e assustador.

O quarto era pequeno, com uma janela que dava para um pátio interno. Cortinas de veludo bordô, uma cama de dossel que parecia ter saído de outro século. Quando fechamos a porta, o barulho da cidade ficou abafado, e de repente parecia que estávamos numa bolha.

Ele colocou a mala em cima da cama e começou a desfazer as roupas, devagar, sem pressa. Eu fiquei ali, parada, segurando minha bolsa contra o peito como se fosse um escudo. Não sei explicar, mas tinha alguma coisa naquele ambiente que me tirava do chão.

— Você está nervosa? — ele perguntou, com um sorriso meio torto.

— Não — menti.

Mas ele sabia que eu mentia. Cruzou o quarto em poucos passos, parou na minha frente e colocou as mãos na minha cintura. A textura da camisa dele — algodão meio amarrotado da viagem — contra meus dedos trêmulos. Eu me lembro desse detalhe até hoje.

— A gente pode só deitar — ele sussurrou. — Não precisa ser nada disso.

Era exatamente o que eu precisava ouvir. Mas também era exatamente o que me deixava mais confusa.

Eu queria tanto, mas também tinha medo. Medo de que aquela versão de mim que aparecia quando estávamos sozinhos fosse muito diferente da mulher que eu era no dia a dia. No trabalho, eu liderava reuniões, tomava decisões, usava terninhos bem cortados. Ali, naquele quarto estranho, eu me sentia vulnerável como uma adolescente.

Ele me levou até a cama com uma calma que parecia ensaiada, mas eu sabia que era genuína. Deitamos de lado, frente a frente, e ele passou os dedos pelos meus cabelos. O barulho de um carro passando lá fora, bem distante. O cheiro do sabonete do banheiro, que eu já tinha cheirado assim que entramos.

— Posso te beijar? — ele perguntou.

Eu achei engraçado ele pedir permissão, depois de tudo que já tínhamos feito. Mas naquele momento pareceu certo. Como se cada passo precisasse ser confirmado.

O beijo começou devagar, quase tímido. Mas algo mudou quando a mão dele deslizou por baixo da minha blusa. Eu senti um arrepio que não era de frio. A ponta dos dedos dele contra minha pele, traçando caminhos que eu mesma não conhecia.

Foi aí que eu parei de pensar.

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Sabe quando sua cabeça simplesmente desliga e seu corpo assume o controle? Foi exatamente isso. Eu puxei ele contra mim com uma força que me surpreendeu. Ouvi ele rir baixinho contra meu pescoço, e aquele som me atravessou inteira.

— Assim — ele murmurou. — Assim.

A gente se moveu num ritmo estranho, como se estivéssemos aprendendo um ao outro de novo. As roupas foram sumindo, peça por peça, e eu não me importava com a luz acesa, com o fato de que as cortinas não estavam totalmente fechadas, com o barulho de passos no corredor.

Eu queria ser descoberta. Essa é a parte que me assusta até hoje. Em algum momento, no meio daquilo tudo, eu desejei que alguém abrisse a porta. Não que visse tudo, mas que soubesse. Que alguém soubesse que eu existia ali, naquele quarto, sendo completamente outra pessoa.

Ele deve ter percebido minha respiração mudar, porque parou por um segundo e me olhou nos olhos. O rosto dele estava corado, os cabelos bagunçados.

— Tudo bem? — perguntou, com a voz rouca.

Eu não consegui responder com palavras. Só puxei ele de volta, com mais pressa do que antes. Os dedos dele encontraram meu corpo de um jeito que parecia saber exatamente onde tocar. E quando finalmente aconteceu — quando a gente se encontrou por inteiro — eu senti uma coisa que nunca tinha sentido antes.

Não era só prazer físico. Era a sensação de que eu estava exatamente onde deveria estar, fazendo exatamente o que deveria fazer. E ao mesmo tempo, um pensamento intrusivo: "isso não é você".

Porque não era. Não a mulher que planeja tudo, que tem medo de errar, que guarda os sentimentos em gavetas organizadas. Ali, naquele quarto, eu estava bagunçada. Eu estava viva.

Depois, quando acabou, ficamos em silêncio por um tempo. Ele dormiu primeiro, com a mão ainda apoiada na minha barriga. Eu fiquei acordada, olhando o teto, tentando entender o que tinha acontecido.

Não era sobre ele. Era sobre mim. Sobre descobrir que eu podia ser tão intensa, tão presente, tão descontrolada. E sobre o medo de nunca mais conseguir ser assim fora daquele quarto.

Na manhã seguinte, quando abrimos as cortinas e a luz de Paris invadiu o ambiente, eu olhei para ele e sorri. Ele não sabia. Não sabia que eu tinha mudado ali, naquelas horas.

E eu não contei. Talvez nunca conte.

Mas sempre que entro num quarto de hotel, ou quando chego em casa e fecho a porta do meu próprio quarto, eu me lembro daquela noite. Da mulher que eu fui por algumas horas. Da mulher que eu ainda estou aprendendo a ser.

Conto erótico enviado por Clara Mendes

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Conteúdo proibido para menores de 18 anos. Em Contos eróticos temos diversos artigos sobre este tema. Recomendo :)

Suellen Gomes

Suellen Gomes é pesquisadora e criadora de conteúdo voltada para o universo da sensualidade, bem-estar sexual e autoestima. À frente do Fetiche em pé, trabalha na desmistificação de fetiches e fantasias, promovendo um diálogo seguro, consensual e informativo sobre a liberdade de expressão corporal. Sua missão é empoderar pessoas através do conhecimento e do respeito aos próprios desejos.

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