
Conto erótico: O céu em chamas

Eu lembro como se fosse ontem. O ar pesado do mercado, o som constante das etiquetas sendo impressas, e ela. Carol. Vinte e três anos, caixa do caixa três, a que sempre me fazia perder o foco quando eu empilhava latas de ervilha. Um ano atrás, eu tinha vinte e um e uma coragem que só a juventude explica.
Ela era um paradoxo ambulante. Pele clara como leite, cabelo preto e liso que caía sobre os ombros como uma cortina de noite. As curvas dela eram definidas, não generosas, mas precisas, como se esculpidas por alguém que entendia de tensão e desejo. Eu passava os dias olhando para ela de relance, sentindo o suor escorrer pelas minhas costas enquanto o carrinho de empilhar rangia no piso frio. Cada movimento seu, cada vez que ela esticava o braço para pegar uma nota, a blusa do uniforme subindo um centímetro, era um punhal no meu autocontrole.
Até que um dia, numa quarta-feira qualquer, eu decidi. Não pensei duas vezes, só fui. Cheguei no balcão dela quando o movimento diminuiu e a chamei para sair. Ela arqueou uma sobrancelha, um sorriso torto nos lábios cor de pêssego. O silêncio durou uma eternidade. Depois, ela disse sim.
Fomos num restaurante perto da minha casa, um lugar simples com luz baixa e cheiro de alho. Ela sentou na minha frente, o vestido azul marinho subindo um pouco quando cruzou as pernas. Peguei o cardápio de couro gasto e tentei parecer confiante. Não tinha ideia do que pedir, minha cabeça estava em outro lugar. Pedi macarrão, um carbonara qualquer.
Ela olhou para mim com aqueles olhos escuros e disse: "Vou pedir macarrão também." Fez uma pausa, mordeu o lábio inferior. "Mas o meu vai ser ao molho de quatro queijos. É mais... ousado."
Respirei fundo, sentindo o jogo começar. "Ousado combina com você."
"Você acha?" Ela inclinou a cabeça, um gesto calculado, e passou os dedos pela borda do copo de água. "O que mais você acha sobre mim?"
Olhei para ela, para o colo decotado, para o brilho discreto no pescoço. "Acho que você é um desses mistérios que a gente quer desvendar." Não era mentira.
"Que bom." Ela riu, baixo, e eu senti a tensão crescer entre nós como uma terceira pessoa na mesa. Ela colocou a mão sobre a minha, os dedos frios e macios. "Porque eu não estou com fome. Não de comida, pelo menos."
Meu coração disparou. "O que você está com vontade, então?"
Ela me olhou por cima da borda do copo, os olhos semicerrados. "Vamos para a sua casa? Ou a minha? Tanto faz."
Três minutos depois estávamos no carro, o ar condicionado gelado contra a pele quente. Ela escolheu a casa dela, um apê pequeno com paredes brancas e uma janela enorme que dava para o céu. Entramos e eu mal consegui esperar. Tirei a blusa antes mesmo de fechar a porta, e ela riu, um som abafado que se perdeu no meu beijo.
A boca dela tinha gosto de bala de menta e promessas. Enquanto a beijava, minhas mãos encontraram sua cintura, puxando seu corpo contra o meu. Ela arqueou as costas, um gemido baixo que reverberou na minha pele. Eu deslizei a mão pelas suas costas, sentindo a textura do vestido, o calor que emanava dela.
"Com calma", ela sussurrou, mas suas mãos estavam puxando a minha calça com pressa.
Conto erótico: Noite em pragaEu a beijei mais fundo, nossa respiração se perdendo num ritmo descompassado. Ela se afastou por um segundo para tirar o vestido, e eu vi a pele nua, os ombros brancos como porcelana. Ficou de calcinha e sutiã, um conjunto preto de renda fina. A mão dela foi para as costas, desabotoando o sutiã com um gesto que eu já havia imaginado centenas de vezes.
Quando ele caiu, vi os seios dela. Durinhos, rosados, o bico ereto como se pedisse atenção. Minha boca secou. Mal pude esperar. Caí de boca com fome, lambendo, sugando, sentindo a pele macia contra meus lábios. Ela gemeu, os dedos enroscados no meu cabelo, puxando com força. Cada sucção arrancava um som diferente, um mapa de prazer que eu gravava na memória.
"Assim", ela pedia, e eu obedecia, alternando entre um seio e outro, deixando marcas úmidas que brilhavam sob a luz fraca do quarto.
Ela me empurrou para a cama, um colchão baixo com lençóis claros. Sentou em mim, as pernas abertas sobre minha coxa, e eu senti o calor úmido da calcinha contra a minha pele. Suas mãos encontraram minha ferramenta, dura e ansiosa, e ela guiou, devagar, como quem saboreia o momento.
A entrada foi lenta, deliciosa. Um ajuste de quadris, um suspiro meu, um gemido dela. Ela começou a se mover, ondulando sobre mim, e eu via cada detalhe, cada expressão no rosto dela. Os olhos cerrados, os lábios entreabertos, o suor no peito. Minhas mãos subiram, segurando seus seios enquanto ela cavalgava, num ritmo que ia e vinha como uma onda.
"Olha", ela disse, ofegante, apontando com a cabeça para a janela.
Eu levantei os olhos, ofuscado pelo prazer que tomava conta do meu corpo. O céu estava escuro, mas contra ele, uma fileira de luzes. Aviões. Três. Quatro. Mais. Uma formação irregular que cortava o azul noturno como agulhas de prata.
"Que estranho", murmurei, mas minhas mãos continuavam firmes na cintura dela, o ritmo não diminuía. A verdade é que eu não conseguia parar, não quando cada movimento dela me levava mais perto do limite.
"Estranho mesmo", ela concordou, mas seus olhos estavam fixos nos meus, e eu vi ali um brilho diferente. Um conhecimento. Como se ela soubesse de algo que eu não sabia.
Continuei movendo, mais rápido, as mãos deslizando para seu quadril, guiando-a num ritmo mais forte. O barulho dos aviões vinha de longe, um zumbido grave que se misturava com nossos gemidos. E então, no ápice, quando o prazer explodiu num clarão dentro de mim, vi pela janela uma explosão. Laranja. Vermelha. Uma bola de fogo no horizonte.
E depois outra. E mais uma.
Carol arqueou as costas, um grito de prazer nos lábios, e eu segurei seu corpo contra o meu, sentindo o tremor dela, o aperto quente. O céu, lá fora, estava em chamas. E no meio do caos, eu percebi, com a clareza de quem acorda de um sonho, que aquela noite não era apenas sobre nós.
A grande revolta das máquinas tinha começado.
Conto erótico enviado por Rodrigo Sampaio
Conto erótico: Noite em praga
Conto erótico: A noite de desejos entrelaçadosConteúdo proibido para menores de 18 anos. Em Contos eróticos temos diversos artigos sobre este tema. Recomendo :)
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