Conto erótico: A esposa carinhosa e o moleque do condomínio

Conto erótico: A esposa carinhosa e o moleque do condomínio

O apartamento 42 precisava de uma assinatura.

Mariana abriu a porta da frente e encontrou o rapaz do condomínio segurando uma caixa modesta. O sol da tarde de verão colava a camisa branca no corpo dele. Ele não devia ter mais de vinte anos.

— Entrega para o apartamento 42 — disse ele, consultando o celular.

— Sou eu — respondeu Mariana, enxugando as mãos no avental. — Só um minuto para pegar a caneta.

Ela se virou e sentiu o olhar dele no movimento. Não era nada. Apenas curiosidade juvenil. O tipo de coisa que acontece quando um rapaz entrega pacotes o dia inteiro e encontra uma mulher sozinha em casa.

A caneta estava na gaveta da cozinha.

Quando retornou, ele tinha entrado no hall de entrada. O espaço era pequeno demais para dois. Ela estendeu a mão para a caixa, mas ele não a soltou imediatamente.

— Precisa testar o conteúdo — explicou ele. — É protocolo.

Mariana assinou o papel que ele ofereceu. Os dedos dele rocaram os dela por um segundo a mais do que necessário. O suor no lábio superior dele brilhava sob a luz fraca do corredor.

— Tudo certo — disse ela, e a voz saiu mais rouca do que pretendia.

Ele não se moveu.

O silêncio entre eles carregava algo novo. Mariana percebeu que estava sem maquiagem, cabelo preso de qualquer jeito, vestindo aquele vestido de algodão simples que usava para arrumar a casa. Ela deveria sentir desconforto. Não sentiu.

— O senhor não está? — perguntou ele, finalmente.

— Viajando. Volta sexta.

A informação saiu antes que ela pudesse filtrar. Por que tinha dito isso? Por que especificado o dia?

Ele assentiu. Seus olhos desceram até os pés descalços dela e subiram devagar. A inspeção era descarada. Mariana deveria se ofender. Deveria pedir que ele saísse.

— O calor está insuportável — comentou ela em vez disso.

— No terraço do prédio deve estar pior — respondeu ele. — O concreto retém tudo.

— Você conhece bem o prédio.

— Faço entregas aqui há seis meses.

Mariana pegou a caixa. Os dedos deles se entrelaçaram brevemente no plástico áspero. Ela não recuou. Ele não soltou.

— A senhora sempre está sozinha quando entrego — observou ele.

— Coincidência.

— Ou não.

O tom dele mudou. Não era mais o rapaz educado de uniforme. Algo na postura se alterou. Ele ocupava mais espaço agora. Os ombros largos bloqueavam parcialmente a saída.

Mariana sentiu o primeiro estalo de alerta. Não de medo. Alerta diferente. O tipo que faz a pele formigar.

— Preciso voltar para minhas tarefas — disse ela, mas não se moveu.

— Claro.

Ele não se afastou. A caixa permanecia entre eles, ponto de contato físico constante. Mariana podia sentir o calor irradiando do corpo dele. O cheiro de sabonete barato misturado com suor masculino.

— O elevador demora neste horário — comentou ele.

— Eu sei. Moro aqui.

— Então a senhora sabe de tudo. Dos horários. Dos vizinhos. De quem entra e sai.

A insinuação era clara demais. Mariana sentiu o calor subir pelo pescoço. Não era vergonha. Era outra coisa. Algo que ela não nomeava havia anos.

— Você está insinuando algo? — perguntou, e a pergunta soou falsa. Ela sabia exatamente o que ele insinuava.

— Estou observando — corrigiu ele. — É diferente.

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Ele deu um passo. O espaço entre eles encolheu. Mariana podia ver as pequenas manchas de suor na camisa dele, a textura da pele no queixo mal barbeado, a pulsação no pescoço.

— A senhora deixa a janela do quarto aberta às tardes — disse ele, baixo. — O sol bate direto. Dá para ver da rua.

Mariana sentiu as pernas tremerem. Não era possível. O quarto ficava no fundo do apartamento. Ele estava blefando. Tinha que estar.

— Você está mentindo — sussurrou ela.

— Estou? — Ele sorriu. — Quer que eu descreva a cor das cortinas?

Ela não respondeu. Não conseguia. A caixa entre eles parecia pesar toneladas.

— Posso usar o banheiro? — perguntou ele de repente. — Estou desde manhã sem parar. É só um minuto.

A solicitação era inocente na superfície. Absurda na prática. Ela deveria recusar. Deveria fechar a porta.

— É logo ali — disse ela, apontando.

Ele passou por ela no corredor estreito. O ombro dele deslizou contra o braço dela. O contato durou menos de um segundo. Mariana prendeu a respiração.

Ela ouviu os passos dele no piso frio. A porta do banheiro fechou. A água começou a correr.

Mariana ficou parada no hall. Olhou para a caixa nas mãos. Não se lembrava do que havia pedido. Não se importava.

A porta do banheiro demorou mais do que um minuto para se abrir.

Quando ele reapareceu, a camisa estava desabotoada em dois botões. Ele não parecia mais o mesmo rapaz de vinte anos. Algo na maneira como ele enxugava as mãos na própria roupa sugeria intimidade indevida.

— A senhora não foi embora — constatou ele.

— Estava espera

ndo você sair.

— Muito educada.

— Sou casada — disse ela, como se isso explicasse algo.

— Eu sei — respondeu ele. — Vi as fotos na sala. Naquela estante. Casamento na praia. Aniversários. Ele é mais velho, não é? Tem cara de quem viaja muito.

Mariana sentiu o controle escorregar. Ela era quem deveria estar no comando. Era sua casa. Sua regra. Mas ele falava como se conhecesse a vida dela melhor do que ela mesma.

— Você precisa ir — disse ela, sem convicção.

— Já? — Ele deu outro passo. Agora estavam no limiar da sala. O sofá estava atrás dela. Ela sentiu o tecido tocar as costas das pernas. — Acho que a senhora quer que eu vá. Mas querer e precisar são coisas diferentes.

— Não sei o que você quer.

— Queremos a mesma coisa — disse ele. — Desde a primeira entrega. A senhora sabe. Eu sei que sabe.

Mariana abriu a boca para negar. Nenhum som saiu.

Ele ergueu a mão. Lenta. Dando tempo para ela recuar. Ela não recuou. Os dedos dele tocaram a lateral do rosto dela. A pele dele era áspera. Trabalhada. Diferente das mãos macias do marido.

— A janela do quarto — sussurrou ele. — Eu não estava blefando.

Mariana fechou os olhos. Sentiu o calor do corpo dele se aproximando. O cheiro dele invadindo o espaço. A respiração dele no ouvido.

— Sexta-feira é longe — disse ele. — Muito longe.

Ela não respondeu. Não precisava. O silêncio entre eles já dizia tudo. A tensão no ar era palpável. Irrespirável. Irresistível.

Quando os lábios dele finalmente encontraram o pescoço dela, Mariana já sabia que não havia volta. Que não queria volta.

A caixa caiu no chão com um som surdo.

Ninguém veio atender.

Conto erótico enviado por Rafaela Moretti

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Conteúdo proibido para menores de 18 anos. Em Contos eróticos temos diversos artigos sobre este tema. Recomendo :)

Suellen Gomes

Suellen Gomes é pesquisadora e criadora de conteúdo voltada para o universo da sensualidade, bem-estar sexual e autoestima. À frente do Fetiche em pé, trabalha na desmistificação de fetiches e fantasias, promovendo um diálogo seguro, consensual e informativo sobre a liberdade de expressão corporal. Sua missão é empoderar pessoas através do conhecimento e do respeito aos próprios desejos.

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