Conto erótico: A entrega entre quatro paredes e o prazer sem limites

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A chave girou na fechadura com um clique seco que ecoou no silêncio do apartamento. Ele estava lá, parado no centro da sala como se tivesse materializado do nada. Não me cumprimentou. Apenas me observou enquanto eu trancava a porta, o som do metal se encaixando parecendo um selo, um contrato.

"Você está atrasada," disse ele, e a frase pairou no ar entre nós, densa, cheia de significados que eu ainda não ousava decifrar.

Meus pulsos formigavam. A ansiedade era uma gaiola de pássaros selvagens em meu peito, mas sob ela, algo mais escuro e mais quente começava a se agitar. A entrega. Era assim que ele chamava nossos encontros. Não uma transação, mas uma rendição. Uma entrega de controle.

"O trânsito," murmurei, minha voz mais fraca do que eu gostaria. Eu me sentia exposta, como se cada camada de minha roupa fosse uma mentira que ele podia ver através.

Ele deu um passo à frente. Não um passo ameaçador, mas um passo de posse. O ar ficou mais pesado, mais carregado com seu perfume de madeira e algo inerentemente masculino. "O trânsito não espera por ninguém. Mas eu esperei por você."

Essa frase. Sempre essa frase. Era um lembrete sutil de que eu tinha escolhido estar aqui, de que essa rendição era um ato de minha própria vontade. O conflito interno, aquele monstro de duas cabeças chamado desejo e dúvida, começou a rugir dentro de mim. Uma parte de mim queria virar e correr, sair correndo pelo corredor e não olhar para trás. A outra parte, a parte que me trouxe aqui hoje, ansiava por aquela primeira quebra de protocolo, aquele primeiro toque que mudaria tudo.

Ele parou a poucos centímetros de mim. Perto o suficiente para sentir o calor de seu corpo, mas longe o suficiente para que o espaço entre nós vibrasse com tensão. Seus olhos me examinaram, um olhar prolongado que era ao mesmo tempo uma avaliação e uma adoração. Eu me senti despida, não fisicamente, mas de todas as minhas defesas. Ele viu a hesitação em meus olhos, a forma como eu segurava a respiração.

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"Respire," ele ordenou, sua voz um sussurro baixo que fez meus joelhos fraquejarem. "Não consigo te entregar o que você veio buscar se você está presa em seu próprio corpo."

A ironia. Eu vim aqui para me entregar, para perder o controle, mas meu próprio corpo me traía, mantendo-me presa em uma armadura de nervosismo. Eu inspirei fundo, o ar enchendo meus pulmões de forma dolorosa, e ao expirar, algo dentro de mim se quebrou. Um pequeno abandono.

Ele viu. Ele sempre via.

Seus dedos tocaram meu pulso, um toque acidental que foi qualquer coisa, menos acidental. A eletricidade percorreu meu braço, uma corrente direta para o centro do meu desejo. O clima mudou instantaneamente. O jogo de poder havia começado de verdade.

"Mãos nas costas," ele disse, a voz ainda suave, mas agora com uma borda de aço.

Eu obedeci sem hesitar. O momento de dúvida havia passado. Agora, só restava a entrega. Ele me guiou até a parede do quarto, meu rosto pressionado contra o papel de parede frio e liso. A escuridão me envolveu quando ele amarrou um lenço de seda em meus olhos. A privação da visão aguçou meus outros sentidos. Eu podia ouvir sua respiração, sentir o deslocamento do ar quando ele se movia, sentir o cheiro dele me envolvendo.

"Você sabe o que acontece agora," ele sussurrou em meu ouvido, seu hálito quente contra minha pele. "Você sabe o que veio buscar."

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Eu não respondi. As palavras eram inúteis agora. Minha linguagem era a do corpo, a da submissão. A do prazer que se aproximava como uma tempestade no horizonte, inevitável e poderosa. O silêncio se estendeu, carregado de intenção, até que o primeiro toque deliberado em minha coxa me fez estremecer. A entrega estava completa. E o prazer, sem limites, estava apenas começando.

Conteúdo proibido para menores de 18 anos. Em Contos eróticos temos diversos artigos sobre este tema. Recomendo :)

Suellen Gomes

Suellen Gomes é pesquisadora e criadora de conteúdo voltada para o universo da sensualidade, bem-estar sexual e autoestima. À frente do Fetiche em pé, trabalha na desmistificação de fetiches e fantasias, promovendo um diálogo seguro, consensual e informativo sobre a liberdade de expressão corporal. Sua missão é empoderar pessoas através do conhecimento e do respeito aos próprios desejos.

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