Conto erótico: A entrega especial

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A porta rangeu ao se abrir, como se o próprio apartamento suspirasse. Ele não esperava que ela estivesse ali, em pé, com o vestido colado ao corpo como uma segunda pele, os cabelos escuros ainda úmidos da chuva que caía lá fora. O pacote que trazia nas mãos de repente parecia pesado demais, irrelevante. Seus olhos — aqueles olhos que sempre pareciam ver através dele — fixaram-se nos dela, e o ar entre os dois ficou denso, como se o mundo tivesse pausado para segurar a respiração.

Não era a primeira vez que se viam, mas era a primeira vez que o silenciava assim. Um silêncio que não era vazio, mas cheio de algo não dito, de uma promessa que ambos sabiam que não poderia ser ignorada. Ele sentia o suor frio nas palmas das mãos, não pelo esforço de subir as escadas, mas pela maneira como ela mordiscava o lábio inferior, como se estivesse decidindo algo que já estava decidido há muito tempo.

— Você está ensopada — ele disse, a voz mais rouca do que pretendia.

Ela não respondeu. Apenas estendeu a mão, não para pegar o pacote, mas para roçar os dedos nos dele, um toque tão leve que poderia ser acidental. Mas não era. Nada ali era acidental. O calor da pele dela queimava através do tecido fino da camisa, e ele sentiu o corpo reagir, traindo-o antes que a mente pudesse processar o que estava acontecendo.

Ele não deveria ter aceitado fazer essa entrega. Sabia disso desde o momento em que o pedido chegou, com a assinatura dela no recibo, a letra tremida como se ela também soubesse o que estaria por vir. Mas não havia como recuar agora.

— Entre — ela murmurou, finalmente, e o som da voz dela foi como um empurrão suave nas costas.

O apartamento cheirava a jasmim e algo mais, algo doce e perigoso. Ele cruzou a soleira, e a porta se fechou atrás dele com um clique final. O pacote escorregou dos seus dedos, caindo no chão sem que nenhum dos dois se importasse. Ela estava perto demais. O perfume dela, misturado ao cheiro da chuva, invadia seus sentidos, e ele não conseguia pensar em nada além da distância entre os corpos deles, que de repente parecia intolerável.

— Você sempre demora tanto? — ela perguntou, mas não era uma pergunta de verdade. Era um desafio, um convite.

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Ele não respondeu. Em vez disso, levantou a mão, hesitante, até que os dedos roçaram o rosto dela, seguindo a trilha de uma lágrima que ele não tinha notado antes. Ela não se afastou. Pelo contrário, inclinou-se levemente, como se quisesse aumentar o contato, como se estivesse faminta por isso.

O primeiro beijo foi um erro. Ou talvez fosse a coisa mais certa que ele já tinha feito. Não havia como saber. Os lábios dela eram macios, mas o beijo era urgente, como se ambos tivessem esperado por isso por uma eternidade. As mãos dela subiram pelos seus braços, e ele sentiu as unhas afundarem levemente na pele, uma dor suave que só aumentava o fogo dentro dele.

Não havia mais pacotes, mais entregas, mais desculpas. Havia apenas aquele momento, aquele quartinho escuro, a chuva batendo na janela como um lembrete de que o mundo lá fora ainda existia, mas não importava. Nada importava além do calor, do cheiro, do gosto dela, da maneira como o corpo dela se moldava ao dele, como se tivessem sido feitos para se encaixar assim.

E então, de repente, ela se afastou. Não muito, apenas o suficiente para que o ar frio entre eles fosse uma facada. Os olhos dela brilhavam, não com lágrimas, mas com algo mais intenso, mais perigoso.

— Você sabe que não pode ficar — ela disse, mas a mão dela ainda estava no peito dele, os dedos brincando com os botões da camisa.

Ele não respondeu. Não podia. Porque se abrisse a boca, não sabia o que sairia: um sim, um não, um pedido, uma ordem. Tudo parecia possível, e ao mesmo tempo, nada parecia suficiente.

O relógio na parede tiquetaqueava, marcando segundos que não existiam mais. Ela sorriu, um sorriso lento, deliberado, e ele soube que estava perdido. Não havia mais escolhas a fazer. Não ali. Não com ela.

Conto erótico enviado por Lucas Viana

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Conteúdo proibido para menores de 18 anos. Em Contos eróticos temos diversos artigos sobre este tema. Recomendo :)

Suellen Gomes

Suellen Gomes é pesquisadora e criadora de conteúdo voltada para o universo da sensualidade, bem-estar sexual e autoestima. À frente do Fetiche em pé, trabalha na desmistificação de fetiches e fantasias, promovendo um diálogo seguro, consensual e informativo sobre a liberdade de expressão corporal. Sua missão é empoderar pessoas através do conhecimento e do respeito aos próprios desejos.

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