
Conto erótico: O vizinho e o desejo proibido entre dois corpos

A mão dele pairou a centímetros da maçaneta. Três segundos. Foi o que levou para decidir que não ia bater. Que não devia. Que talvez aquilo fosse apenas um devaneio febril que o ar condicionado do quarto não conseguia dissipar.
Mas ela já tinha ouvido os passos.
Pelas frestas da porta, pelo farfalhar do carpete, pelo ritmo conhecido que vinha do corredor há meses. O vizinho do 302. O homem que ela evitava encontrar no elevador porque, quando acontecia, o ar ficava denso demais para caber dentro da cabine de metal.
Ela abriu.
E ali estavam eles. As mãos dele, ainda suspensas. O olhar dela, descendo até os dedos que não ousaram tocar a madeira. E um silêncio que não era vazio. Era cheio de coisas que nenhum dos dois dizia.
— Não esperava você — ela mentiu.
Ele sabia que era mentira. Ela sabia que ele sabia. Esse jogo tinha começado no dia em que ele se mudou, quando ela o viu carregando caixas sob a luz laranja do entardecer e sentiu algo se romper dentro do peito. Algo que ela chamou de curiosidade. Depois, de atração. Depois, de preocupação.
Agora, era outra coisa.
— Eu também não esperava estar aqui — ele respondeu, a voz mais baixa do que o necessário, como se as paredes finas fossem testemunhas demais.
Ela recuou um passo. Ele entrou.
Não houve toque. Não ainda. Mas havia um campo elétrico entre os ombros deles, entre as respirações que se aceleravam em compassos diferentes. Ela sentiu o cheiro dele — sabão neutro, algo amadeirado, o calor da pele depois do trabalho. Ele sentiu o perfume que escapava do cabelo dela, desfeito depois do banho.
Dois corpos que jamais se tocaram, mas que já tinham se desejado em tantos sussurros mentais que o quarto parecia pequeno demais para tanta história não contada.
— Por que você veio? — ela perguntou, apoiando as costas na parede.
— Porque você deixou a cortina aberta.
A resposta veio como um golpe. Ela prendeu a respiração. Lembrou. Lembrou daquela noite. Da luz da lua entrando pelo vidro. Lembrou que tinha se despido devagar, sabendo que ele podia ver — não tudo, mas o suficiente. Lembrou que fez de propósito.
Não foi acaso. Foi convite.
Ele cruzou os braços. Ela percebeu que as mãos dele tremiam levemente. Não de medo. De contenção.
O desejo proibido entre dois corpos não era só sobre pele. Era sobre o que eles fingiam não saber. Ele era casado — ou tinha sido. Ela, divorciada, morando sozinha depois de um relacionamento que a deixou mais calejada do que apaixonada.
E ainda assim.
— Você está namorando? — ele perguntou, quebrando o silêncio com uma pergunta que não era inocente.
— Você está? — ela devolveu.
Ele riu. Um riso seco, sem humor.
— Eu estou aqui, não estou?
O dedo dela encontrou a parede fria. Deslizou. Ele acompanhou o movimento com os olhos — e aquilo era mais íntimo do que qualquer toque. Ver alguém te ver. Reconhecer no olhar do outro o mesmo desejo que você está tentando esconder.
Ela lembrou de uma tarde. Ele na varanda, ela na dela. Uma distância de dois metros que parecia o oceano. Os olhos se encontraram. Ele segurou o olhar três batidas de coração a mais que o necessário.
Ela desviou. Ele sorriu.
— Você me deve um café — ele disse naquela época.
— Devo nada — ela respondeu.
Mas foi ela quem foi até a porta agora.
— Senta — ela apontou para o sofá.
Ele não sentou. Ficou em pé, plantado no meio da sala, como se estivesse em um território hostil. E talvez estivesse. O território mais hostil era o próprio corpo, o próprio desejo, a própria culpa que vinha mastigada em pequenas doses toda vez que pensava nela.
— Não vou sentar — ele disse.
— Por quê?
— Porque se eu sentar, vou querer ficar.
Ela sentiu as pernas amolecerem. Apoiou-se na parede. O silêncio tomou conta de novo — mas não era vazio. Era cheio de intenção. Cheio de respirações ofegantes que ambos tentavam disfarçar.
Um som. O vizinho de cima arrastando uma cadeira. Os dois pularam, leves, como se tivessem sido pegos em algo que ainda não tinha acontecido.
Ela riu. Ele riu.
Conto erótico: A entrega especialE então, o olhar.
Aquele olhar prolongado que não pede licença. Que entra pela pupila e desce pela espinha. Que desmonta cada defesa construída com anos de terapia, de promessas, de noites em claro pensando que o amor era uma escolha e não uma urgência.
— Você quer que eu vá embora? — ele perguntou, com uma honestidade que doía.
Ela pensou. Pensou na rotina. No silêncio do apartamento. Nos domingos sem graça. No cheiro da própria solidão. Pensou em tudo que era seguro.
E disse:
— Não.
Ele deu o primeiro passo. Não foi em direção a ela. Foi em direção à janela — onde a cortina ainda estava aberta.
— Foi de propósito? — ele perguntou, apontando com o queixo.
Ela mordeu o lábio. Conflito interno. Sim, foi. E não, não foi. Foi impulso. Foi cansaço. Foi uma noite em que a falta de toque estava doendo mais do que a falta de sono.
— Talvez — ela respondeu, e a palavra veio rouca.
Ele virou. Os olhos encontraram os dela. E algo mudou. A sala ficou menor. O ar ficou mais denso. O controle, que estava dividido entre os dois, escorregou para um território desconhecido.
Ela sentiu o coração acelerar.
Não porque ele se aproximou. Mas porque ele não se aproximou. Ficou ali, imóvel, a distância de um braço, e a expectativa do que poderia acontecer era mais intensa do que qualquer toque.
— O que você quer? — ela sussurrou.
Ele hesitou.
— Eu quero... — começou.
Mas não terminou.
Em vez disso, estendeu a mão. Não para tocá-la. Para segurar o ar perto do rosto dela. A palma aberta, a poucos centímetros da pele. Ela sentiu o calor. Sentiu a ausência. Sentiu o que poderia ser, o que talvez fosse, o que talvez nunca fosse.
Ela fechou os olhos.
O silêncio voltou.
Mas agora, ele era diferente.
Ela não sabia se ia beijá-lo. Não sabia se ia empurrá-lo. Não sabia se ia deixar a mão dele finalmente tocar onde tanto desejava.
E talvez — justamente por isso — aquela fosse a melhor parte.
A incerteza.
A possibilidade.
O desejo proibido entre dois corpos que se encontram sem promessas, sem garantias, sem respostas.
Ela abriu os olhos.
Ele ainda estava ali. A mão ainda suspensa.
A cortina ainda aberta.
E o vizinho do 302, finalmente, tocou o rosto dela.
Com a ponta dos dedos. Como quem toca um segredo.
Ela não se mexeu.
O mundo não acabou.
O desejo, na verdade, começou ali — não na pele, mas no espaço entre os corpos. No ar que não ousavam respirar. Na dúvida que não se resolvia.
O final não veio. Não precisava.
Porque entre dois corpos que se desejam, o fim nunca é o fim.
É sempre o começo de mais uma pergunta.
Conto erótico: A entrega especial
Conto erótico: O piru que marcou minha memóriaConto erótico enviado por Ana R. S.
Conteúdo proibido para menores de 18 anos. Em Contos eróticos temos diversos artigos sobre este tema. Recomendo :)
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