Conto erótico: Fodendo no sertão paraibano

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A poeira subia em espiral fina entre os dedos dela, e por um segundo Maria quase esqueceu que o açude estava secando, que o gado definhava, que o céu de agosto parecia uma lâmina de ferro em brasa. O que fazia o corpo dele vibrar assim, contra o tronco da juazeiro, enquanto a camisa desbotada se colava à pele suada? Não era o sol. Não era o calor de quarenta graus. Era o modo como ele a olhava, como se o tempo todo houvesse uma pergunta pairando, e a resposta estivesse na nuca dela, na curva da cintura.

Ele se chamava Tadeu. Chegara na semana anterior, com um carro velho e uma caixa de ferramentas, dizendo que consertava bombas. E agora estava ali, com os braços cruzados, o olhar fixo na linha do vestido dela, onde o tecido fino se movia com o vento que não refrescava. Ela sentiu o toque antes de acontecer — a memória do dedo dele na mão dela, ao passar a chave de fenda, um instante que durou um segundo e ecoou três noites. Acidental? Talvez. Mas o silêncio entre eles agora era carregado de intenção, denso como o ar antes da chuva que nunca vinha.

— Esse poço não vai aguentar mais uma semana — ele disse, mas a voz não era sobre o poço.

Maria desviou o rosto, fingiu ajustar a barra do vestido. Sentia o coração bater na garganta, e a vergonha vinha quente, junto com outra coisa que ela não queria nomear. O corpo lembrava. O corpo lembrava de quando ele encostou nela para mostrar a mangueira, e o braço roçou seu seio, e nenhum dos dois pediu desculpas. Ela lembrou da respiração dele, presa, curta. Lembrou de como ele apertou a ferramenta até os nós dos dedos ficarem brancos.

— Você sempre observa assim? — perguntou, a voz mais firme do que se sentia.

Ele deu um passo. Depois outro. A sombra da juazeiro cobria metade do rosto dele, e a luz rasgava o resto, criando um jogo de claro e escuro que parecia desenhar o que estava por vir. Tadeu não respondeu. Em vez disso, parou a centímetros dela, e o calor que vinha do corpo dele era diferente do sol. Era úmido, vivo, cheio de uma eletricidade que fazia os pelos do braço dela se eriçarem.

— Não sei o que você está fazendo comigo — ele murmurou, e a voz era tão baixa que parecia vir de dentro da terra.

Maria quis recuar. Quis dizer que aquilo era loucura, que o sertão não era lugar para esse tipo de jogo, que a sogra podia aparecer a qualquer momento com a bacia de roupa. Mas o corpo não obedeceu. O corpo ficou. O corpo inclinou levemente o quadril, num movimento que ela não autorizou, e viu os olhos dele escurecerem, perdendo aquele tom de mel para algo mais profundo, mais perigoso.

O toque veio de novo, mas dessa vez não foi acidental. A mão dele subiu pelo braço dela, devagar, como quem testa um terreno incerto, e os dedos encontraram a curva do ombro, a clavícula, a base do pescoço. Ela prendeu a respiração. O mundo ao redor — o terreiro de terra batida, a cerca de arame, o latido distante de um cachorro — tudo se apagou. Só existia a pressão da palma da mão dele contra a pele dela, o polegar traçando um arco que ia da orelha ao queixo.

— Eu não vim aqui só por causa do poço — ele disse, e a confissão veio como um sopro.

Ela sentiu o corpo responder antes da mente. Um tremor que começou na espinha e desceu, molhando o tecido do vestido, criando um desconforto úmido e delicioso. A dúvida lutou contra o desejo: era casada, tinha filhos, a vida era uma rotina de panelas e reza. Mas Tadeu não olhava para ela como um homem comum. Ele olhava como quem enxerga algo que ela mesma havia esquecido.

— Para com isso — sussurrou, mas a mão dela subiu e tocou o peito dele, sentindo o coração acelerado sob o algodão.

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Ele inclinou a cabeça, e o nariz roçou o cabelo dela, e a respiração dele aqueceu a orelha. O silêncio se estendeu, cheio de coisas não ditas — o cheiro da terra seca, o zumbido das moscas, o pensamento intrusivo de que alguém podia ver. Mas a vergonha era uma brasa que queimava e excitava ao mesmo tempo, e quando ele a puxou contra o tronco da juazeiro, a casca áspera arranhou as costas, e ela não reclamou.

— Me diz que você sente isso também — ele pediu, e a voz trêmula revelou que ele também tinha medo.

Maria olhou para os olhos dele, e o que viu foi um espelho: desejo, dúvida, a mesma impulsividade que a fazia acordar suada às três da manhã. As mãos dele encontraram a cintura dela, subiram lentamente, e o tecido do vestido subiu junto, revelando a coxa, o começo da curva que ele parecia adivinhar.

Ela podia ter parado. Podia ter dito não, podia ter virado as costas e voltado para a casa, para a panela de feijão, para o rosário pendurado na parede. Mas o corpo dela já havia decidido. Quando a boca dele encontrou a dela, o beijo foi uma pergunta e uma resposta, uma mistura de sal, terra e desespero. Ela mordeu o lábio inferior dele, e ele gemeu, e o som foi tão cru que a fez apertar as unhas nos ombros dele.

O juazeiro testemunhou o resto: as mãos ansiosas, os sussurros entrecortados, o corpo dele contra o dela, a sensação de ser preenchida por algo que não era só carne. Tadeu a levantou levemente, e a pressão contra a árvore era dura, mas o movimento dele era macio, ritmado, como a dança que a vida não permitia que eles tivessem. Cada empurrão trazia um pensamento: os filhos, o marido, a missa de domingo. Mas logo o pensamento se dissolvia no suor, no cheiro de homem, na mão que segurava a nuca dela com firmeza.

— Olha para mim — ele ordenou, e ela obedeceu, porque o controle havia mudado, e ela não queria mais lutar contra isso.

O olhar prolongado durou o suficiente para que ela visse tudo: o arrependimento que ainda não chegara, a gratidão que já se instalava, o medo que ambos carregavam. Quando o corpo dele tremeu, e o dela se contraiu, o grito foi abafado no ombro sujo de óleo. E depois, o silêncio. A juazeiro balançou ao vento quente, e a poeira assentou sobre os pés descalços deles.

Maria ajustou o vestido com as mãos trêmulas, sem saber se ria ou se chorava. Tadeu encostou a testa na dela, e os olhos dele estavam úmidos.

— Isso não acaba aqui, você sabe — ele disse.

Ela não respondeu. Virou-se e foi em direção à casa, sentindo o gosto da dúvida na língua, e o desejo ainda latejando nas coxas. O marido estava na rede. O almoço esfriava. Mas por um instante, antes de atravessar a porta, ela parou e olhou para trás.

Tadeu ainda estava ali, imóvel, a sombra da juazeiro escondendo metade do rosto. E no silêncio de agosto, Maria soube que o sertão não estava tão seco quanto parecia.

Conto erótico enviado por Carlos Sertanejo

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Conteúdo proibido para menores de 18 anos. Em Contos eróticos temos diversos artigos sobre este tema. Recomendo :)

Suellen Gomes

Suellen Gomes é pesquisadora e criadora de conteúdo voltada para o universo da sensualidade, bem-estar sexual e autoestima. À frente do Fetiche em pé, trabalha na desmistificação de fetiches e fantasias, promovendo um diálogo seguro, consensual e informativo sobre a liberdade de expressão corporal. Sua missão é empoderar pessoas através do conhecimento e do respeito aos próprios desejos.

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