Conto erótico: A gozada selvagem na floresta acreana com a morena

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O cheiro de terra molhada e ipê em flor sempre a transportava de volta àquele instante. Não o início — ninguém se lembra do início de verdade — mas o ponto exato em que o ar mudou. A morena de cabelos escuros que desciam como cascata até a curva das costas estava de pé, encostada no tronco áspero da samaumeira, e o olhar dela era uma coisa que não se desviava.

Maria sentiu a umidade escorrer pelo pescoço, confundindo-se com o suor da caminhada. Não era a primeira vez que faziam a trilha até a cachoeira escondida, mas era a primeira vez que a amiga de sua irmã a encarava daquele jeito — como se lesse em sua pele algo que nem ela mesma sabia escrever.

O silêncio entre elas pesava, mas não era vazio. Era um silêncio cheio de intenções, como o zumbido das abelhas antes da tempestade. A floresta acreana sussurrava ao redor, cada folha molhada um pequeno tambor anunciando o que estava por vir. E quando os dedos da morena tocaram os seus, num gesto quase acidental ao passar-lhe a cantil, Maria sentiu o choque subir pelo braço e se alojar no fundo do peito.

— Você está tremendo — disse a outra, e a voz era baixa, mais baixa do que o rumor dos pássaros.

— É o frio da cachoeira.

Ambas sabiam que era mentira. O calor da floresta úmida era sufocante, e a pele de Maria ardia sob a blusa fina. Mas era mais fácil fingir que o corpo reagia ao clima do que admitir que reagia à presença daquela mulher de olhos amendoados e boca cheia, que a olhava como quem decifra um enigma.

Conteúdo
  1. O controle que escorrega entre os dedos
  2. A entrega que desmonta

O controle que escorrega entre os dedos

Ela pensou em sua irmã, na cidade, no compromisso que tinham — buscar as frutas no fim da tarde. Pensou no namorado que a esperava, nas mensagens que não respondia há horas. Mas cada pensamento racional era engolido pelo som dos passos da morena sobre as folhas secas, aproximando-se com uma lentidão deliberada.

— Sabe o que eu sempre quis fazer quando te vi pela primeira vez? — a pergunta veio sem convite, e Maria sentiu o estômago contrair.

Negou com a cabeça, incapaz de formar palavras. A outra mulher ergueu a mão e tocou seu rosto, deslizando o polegar sobre a maçã do rosto como quem testa a textura de uma fruta madura. A respiração de Maria ficou presa em algum lugar entre o desejo e o pânico.

— Quis te beijar ali mesmo, na cozinha da sua mãe, com todo mundo olhando.

A confissão caiu entre elas como uma pedra na água parada. Ondas. O tempo se partiu em fragmentos: a lembrança do jantar em família, os olhos da morena fixos nela por tempo demais, o calor estranho que sentiu nas coxas sem saber explicar. E agora, ali, na clareira onde a luz do entardecer filtrava-se pelas copas, todas as dúvidas se dissolviam no toque.

O beijo começou como uma pergunta e terminou como uma resposta que não precisava de palavras. A boca da morena era macia e ao mesmo tempo firme, e Maria sentiu os dentes roçarem seu lábio inferior com uma precisão que a desmontou por dentro. Suas mãos, antes inertes, agarraram a camisa da outra, puxando-a para mais perto num movimento impulsivo que a surpreendeu.

A floresta ao redor não testemunhava — ela participava. O vento que balançava as palmeiras, o canto distante de um uirapuru, o cheiro de mato e suor que se misturava ao perfume doce do cabelo da morena quando ela inclinou a cabeça para morder-lhe o pescoço. Maria arqueou o corpo contra o tronco da samaumeira, sentindo a aspereza da casca através da blusa, enquanto a outra deslizava a mão por dentro de sua calça.

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O toque foi direto, sem rodeios. Dois dedos encontraram o centro úmido de seu desejo, e Maria soltou um gemido que ecoou entre as árvores como um chamado. A morena sorriu contra sua pele, e naquele sorriso havia algo animalesco — uma fome contida que finalmente se libertava.

— Você está tão molhada — murmurou, e a palavra que deveria soar vulgar era apenas uma constatação.

Maria sentiu a própria respiração se despedaçar quando os dedos começaram a se mover, lentos no início, depois mais rápidos, seguindo um ritmo que parecia vir de dentro dela, como se o corpo soubesse o que queria antes mesmo da mente. A mão livre da morena segurou seu queixo, forçando-a a manter os olhos abertos, a encarar o desejo refletido no olhar da outra.

A entrega que desmonta

— Olha pra mim — ordenou, e a voz era um sussurro que continha todo o peso da floresta.

Maria obedeceu, porque naquele momento não havia outra opção. As sensações se misturavam: a pressão dos dedos dentro dela, a aspereza da árvore em suas costas, o olhar da morena que não desviava, que a penetrava de uma forma mais profunda do que qualquer toque físico.

O prazer cresceu como uma onda que se forma longe da praia, indistinta no horizonte, e depois se aproxima com uma violência que aterra. Ela sentiu os dedos da outra se curvarem dentro dela, encontrando o ponto exato que a fazia perder o chão, e o grito que escapou de sua garganta foi ao mesmo tempo um alívio e uma rendição.

A morena a segurou quando suas pernas fraquejaram, e por um longo momento — quanto tempo? segundos? minutos? — ficaram ali, abraçadas, respirando o ar úmido da floresta. Maria sentiu o coração da outra bater contra o seu, um ritmo descompassado que se sincronizava lentamente com o seu.

Quando finalmente conseguiu falar, a voz saiu rouca:

— E agora?

A morena riu, um som baixo que vibrou contra seu peito.

— Agora a gente volta. Mas você nunca mais vai me olhar do mesmo jeito.

Ela tinha razão. Maria sabia que, dali em diante, toda vez que visse o brilho dos olhos amendoados, sentiria o gosto da floresta na boca e o eco do próprio desejo ecoando entre as árvores. O beijo final foi mais suave, quase um selo, e continha a promessa de que aquilo não precisava ser o fim — nem o começo.

Enquanto desciam a trilha de volta, a mão da morena ocasionalmente roçava a sua, e cada toque era um lembrete do que tinham feito, do que tinham descoberto na clareira onde a luz se derramava como mel sobre a pele suada. Maria não olhou para trás. Não precisava. A floresta já guardava o segredo, e ele pulsava dentro dela como uma segunda respiração.

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Conto erótico enviado por Luna Sampaio

Conteúdo proibido para menores de 18 anos. Em Contos eróticos temos diversos artigos sobre este tema. Recomendo :)

Suellen Gomes

Suellen Gomes é pesquisadora e criadora de conteúdo voltada para o universo da sensualidade, bem-estar sexual e autoestima. À frente do Fetiche em pé, trabalha na desmistificação de fetiches e fantasias, promovendo um diálogo seguro, consensual e informativo sobre a liberdade de expressão corporal. Sua missão é empoderar pessoas através do conhecimento e do respeito aos próprios desejos.

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