Conto erótico: O bar e o estranho

Conto erótico: O bar e o estranho

A noite em São Paulo era daquelas que prometiam segredos. O ar pesava com o cheiro de chuva iminente, e as luzes do bar Veludo Negro piscavam como olhares cúmplices entre os frequentadores. Eu, Clara, sentada no balcão com meu vestido preto justíssimo, sentia o tecido deslizar pela pele a cada movimento. O barman, um homem de mãos firmes e sorrisos discretos, me serviu mais um negroni, e eu deixei os dedos roçarem nos seus por um segundo a mais do que o necessário. Mas não foi ele que chamou minha atenção.

O estranho entrou como se o lugar fosse dele. Alto, com um terno escuro que moldava os ombros largos, e um relógio de pulso que brilhava a cada gesto. Seus olhos, um verde profundo, varreram o ambiente até pousarem em mim. Não foi um olhar casual. Foi um convite.

Você parece sozinha, ele disse, aproximando-se com uma confiança que me fez apertar as coxas sob o balcão. A voz era grave, com um tom que parecia acariciar as palavras antes de soltá-las.

E você parece perigoso, respondi, sem tirar os olhos dos seus lábios. Ele sorriu, e foi como se o ar entre nós ficasse mais denso, mais quente.

Só para quem merece.

A tensão era tão palpável que eu quase conseguia saboreá-la. Ele se sentou ao meu lado, e o cheiro de seu perfume — algo amadeirado, com um toque de especiarias — invadiu meu espaço. Meus sentidos ficaram em alerta. O bar, antes barulhento, agora parecia um palco onde só existíamos nós dois.

Qual o seu nome? — perguntei, brincando com o canudo do meu drink.

Daniel. E o seu?

Clara.

Ele estendeu a mão, e quando nossos dedos se tocaram, uma corrente elétrica percorreu meu braço. Suas mãos eram grandes, com veias saltadas e uma cicatriz fina no dorso. O que mais ele esconde?

Você sempre fica aqui sozinha, Clara?

Só quando quero ser encontrada.

Daniel ri baixinho, um som que vibrou no meu peito. Ele se inclinou, e eu senti seu hálito quente no meu ouvido.

E se eu dissesse que vim aqui hoje justamente para te encontrar?

Meu coração acelerou. Não era uma cantada barata. Era uma promessa.

Eu diria que você é muito confiante.

Ou muito observador. Ele deslizou um dedo pela minha nuca, e eu estremeci. Você tem um jeito de olhar para a porta como se esperasse alguém. E adivinha?

O que?

Eu sou esse alguém.

A respiração falhou. Ele não estava brincando. E, pela primeira vez na noite, eu não soube o que dizer. Daniel aproveitou o silêncio. Seu polegar traçou uma linha invisível do meu ombro até o decote, e eu não o parei. A pele queimava onde ele tocava.

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Vamos dar uma volta? — ele propôs, com um tom que não era pergunta.

Saímos do bar, e a noite de São Paulo nos engoliu. A chuva começava a cair, fina, e Daniel me puxou para debaixo de uma marquise. O som da água batendo no asfalto misturava-se com nossas respirações ofegantes. Ele me encostou na parede, e eu senti cada centímetro do seu corpo contra o meu. O terno estava frio, mas sua pele era fogo.

Você é ainda mais linda de perto — ele murmurou, antes de seus lábios encontrarem os meus. O beijo não foi suave. Foi uma reivindicação. Suas mãos seguraram meu rosto, e eu me perdi no gosto do uísque em sua boca. Minhas unhas afundaram em seus ombros, e ele gemiu, um som gutural que me fez molhar instantaneamente.

Daniel… — eu suspirei, quando ele desceu os lábios pelo meu pescoço, mordiscando a pele sensível logo abaixo da orelha.

Diga que quer isso tanto quanto eu.

Eu não precisei dizer nada. Meu corpo já tinha respondido. Ele deslizou a mão pelo meu vestido, encontrando a calcinha de renda, e eu arqueei as costas quando seus dedos me tocaram. Não foi um toque tímido. Foi possessivo, como se já soubesse cada curva, cada suspiro que eu ia dar.

Porra, Clara… — ele rosnou, enquanto eu me movia contra sua mão, desesperada por mais. Você está encharcada.

Culpa sua.

Ele ri, um som rouco, antes de me erguer como se eu não pesasse nada. Minhas pernas envolveram sua cintura, e eu senti o quanto ele me desejava, duro e latejante contra a minha coxa. O mundo ao redor desapareceu. Só existia o calor entre nós, o cheiro de chuva, o gosto do beijo, e a promessa de que aquela noite não ia terminar ali.

Vamos para o meu apartamento — ele disse, com a voz áspera de desejo. É aqui perto.

Eu não hesitei. Não havia mais dúvidas, nem jogos. Só o desejo cru, a necessidade de sentir ele dentro de mim.

O elevador do prédio subiu devagar, e Daniel não perdeu tempo. Suas mãos exploraram meu corpo como se fosse um mapa que ele já conhecesse de cor. Quando as portas se abriram, ele me carregou até a porta do apartamento, e eu mal notei o ambiente. O sofá de couro, as luzes amenas, a vista da cidade pela janela. Nada disso importava.

Ele me deitou na cama, e o colchão afundou sob nosso peso. Daniel se ajoelhou entre as minhas pernas, e eu tremi quando seus lábios encontraram a minha pele, descendo pelo ventre, até que sua língua me tocou. Eu gritei, as mãos enterradas em seus cabelos, enquanto ele me levava ao limite com uma habilidade que me fez ver estrelas.

Daniel, por favor… — eu supliquei, o corpo tremendo de prazer.

Ele não me fez esperar. Em um movimento rápido, tirou a calça, e eu o senti, finalmente, me preenchendo por completo. Cada investida era profunda, cada gemido seu era um combustível para o meu próprio prazer. Nossas peles colavam com o suor, e o som dos nossos corpos se chocando era a trilha sonora mais erótica que eu já tinha ouvido.

Você é incrível — ele sussurrou, os olhos fixos nos meus, enquanto me levava ao orgasmo com uma intensidade que me deixou sem fôlego.

Quando caímos na cama, ofegantes, eu soube que aquela não seria a última vez. Daniel me puxou para perto, e eu me aninhei em seus braços, ouvindo o batimento acelerado do seu coração.

Isso foi… — eu comecei, sem encontrar palavras.

Só o começo — ele respondeu, beijando minha testa.

E eu soube que ele estava certo.

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Conto erótico enviado por Clara Moreira

Conteúdo proibido para menores de 18 anos. Em Contos eróticos temos diversos artigos sobre este tema. Recomendo :)

Suellen Gomes

Suellen Gomes é pesquisadora e criadora de conteúdo voltada para o universo da sensualidade, bem-estar sexual e autoestima. À frente do Fetiche em pé, trabalha na desmistificação de fetiches e fantasias, promovendo um diálogo seguro, consensual e informativo sobre a liberdade de expressão corporal. Sua missão é empoderar pessoas através do conhecimento e do respeito aos próprios desejos.

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