
Conto erótico: A mulher Domme que me conquistou

A ponta do chicote desenhou um círculo lento no ar antes de tocar minha nuca. Não doía. Era quase um carinho, um lembrete de que ela estava ali, respirando no mesmo espaço rarefeito que eu. O som do couro contra a pele seca parecia ecoar em algum canto remoto do apartamento, misturado ao zumbido do ar-condicionado e à minha própria respiração, que teimava em não se regular.
Lembro da primeira vez que a vi. Não foi num desses clubes escuros com cheiro de cera e couro que ela frequentava com a desenvoltura de quem nasceu para aquilo. Foi numa livraria, num domingo qualquer, sob a luz fria das lâmpadas fluorescentes. Eu folheava um livro de poesia quando percebi que alguém me observava. Ela estava encostada na estante ao lado, com um exemplar de Sade nas mãos, os olhos fixos em mim com uma intensidade que desviava qualquer possibilidade de acaso.
— Esse é bom — ela disse, apontando para o livro que eu segurava. — Mas você parece mais do tipo que gosta de ser lido do que de ler.
A voz era macia, mas tinha uma aresta, como se cada palavra fosse medida antes de ser solta. Eu não soube responder. Fiquei parado, sentindo o peso do silêncio entre nós dois, carregado de uma intenção que eu ainda não compreendia totalmente. Ela sorriu, virou as costas e foi embora, deixando no ar um perfume que me seguiu pelos dias seguintes como uma assombração agradável.
Agora, meses depois, estou aqui, de joelhos no carpete do loft dela, enquanto seus dedos passeiam pela minha coluna vertebral como quem traça um mapa. Cada vértebra parece ganhar vida sob o toque leve, quase distraído. Ela não olha para mim — está concentrada em algo na parede, talvez no reflexo borrado de nós dois no vidro da janela. A cidade lá fora é um mosaico de luzes distantes, indiferentes ao que acontece neste quarto.
— Você treme — ela observa, sem tirar os olhos do horizonte noturno.
— É o frio.
Ela ri baixinho. Um som seco, sem crueldade, mas com uma certeza que me desarma.
— Não minta para mim.
A mão dela desce, encontra a curva do meu ombro e aperta. Não é forte o bastante para doer, mas é firme. Um lembrete. Eu fecho os olhos e respiro fundo, tentando lembrar quando foi que cedi. Talvez tenha sido naquela noite em que ela me chamou para um jantar e passou a noite inteira me fazendo perguntas que ninguém nunca havia feito, desfiando minhas respostas com uma paciência meticulosa. Ou talvez tenha sido no toque acidental de nossas mãos ao pegar o mesmo copo, um atrito breve que durou segundos a mais do que o necessário e deixou um rastro elétrico na minha pele.
O chicote volta a dançar, agora traçando linhas invisíveis nas minhas costas. Sinto a tensão se acumular no centro do meu peito, uma mistura de ansiedade e desejo que me deixa tonto.
— Você gosta de sentir que não tem controle — ela diz. É uma afirmação, não uma pergunta.
Eu abro a boca para responder, mas as palavras não vêm. Ela se inclina, e sinto seu hálito quente perto da minha orelha.
Conto erótico: O bar e o estranho— Não precisa dizer nada. Seu corpo já fala por você.
A verdade é que eu não sei se gosto. Ou talvez saiba e tenha medo de admitir. Ela tem esse poder de deslocar as certezas, de embaralhar o que eu achava que sabia sobre mim mesmo. Cada encontro é uma renegociação silenciosa, um jogo de xadrez onde ela já leu todos os meus movimentos antes mesmo de eu pensar neles.
A mão dela desliza para a frente, toca meu queixo e o levanta. Nossos olhos se encontram. O olhar prolongado que trocamos agora é diferente dos outros — não há estratégia, só uma entrega mútua que me assusta pela facilidade com que acontece. As pupilas dilatadas dela refletem uma centelha de algo que não sei nomear.
— Hoje não vou usar o chicote — ela diz, soltando meu queixo como quem devolve um objeto precioso. — Só quero que você fique aqui, comigo, sem precisar ser nada além do que é.
As palavras dela ecoam em algum lugar profundo, um espaço que eu mantinha trancado. O silêncio que se segue não é vazio; é denso, cheio de possibilidades e medos. Sinto um nó na garganta e percebo que há algo que quero dizer, mas ainda não sei como.
Ela se levanta, estende a mão. Eu a encaro por um instante antes de aceitá-la, sentindo o calor dos seus dedos envolver os meus. Não há pressa no movimento dela. Há apenas a calma de quem sabe que o tempo está a seu favor.
— Amanhã você vai acordar e pensar que isso foi um sonho — ela murmura, puxando-me para perto.
— E se eu não quiser que seja?
Ela inclina a cabeça, um sorriso enigmático nos lábios.
— Então você volta.
E a noite se estende, cheia de silêncios e toques que dizem mais do que qualquer palavra poderia.
Conto erótico enviado por Lucas Mendes
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Conto erótico: Os passos que me levaram ao prazerConteúdo proibido para menores de 18 anos. Em Contos eróticos temos diversos artigos sobre este tema. Recomendo :)
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