
Conto erótico: O alemão e a noite em São Paulo

A chuva caía leve sobre a Avenida Paulista, transformando as luzes da cidade em manchas douradas no asfalto molhado. Clara, com seu casaco preto e a pasta de couro sob o braço, caminhava apressada, mas sem pressa. O relógio no pulso marcava 19h30, e o ar trazia o cheiro de café recém-feito das padarias que ainda resistiam ao horário comercial.
Ela não esperava por nada, nem por ninguém. Apenas seguia seu ritual de sempre: metrô, trabalho, metrô, casa. Até que o destino, ou talvez o acaso, resolveu interferir.
O elevador do prédio comercial onde trabalhava como tradutora freela estava em manutenção. Subir dez andares a pé não era opção. Ficou ali, sob a marquise, observando as gotas escorrerem pela vidraça, quando ouviu passos apressados atrás de si. Um homem alto, de cabelos loiros e um sobretudo bege que parecia ter saído de um filme dos anos 50, parou ao seu lado.
Ele olhava para o céu, como se buscasse uma resposta no cinza das nuvens. Clara notou as mãos grandes, os dedos longos, a forma como segurou o guarda-chuva preto com um detalhe em prata. Um estrangeiro, sem dúvida. O sotaque, quando ele finalmente falou, confirmou.
— Desculpe, você sabe se tem outro elevador? — perguntou ele, em um português cuidadoso, mas com um tom que denotava impaciência.
— Não, infelizmente. A não ser que você queira subir pelas escadas — respondeu Clara, sem tirar os olhos da chuva. Mas algo em sua voz, um tom brincalhão que ela não reconheceu como seu, a surpreendeu.
Ele sorriu, e foi então que ela notou os olhos. Azuis, claros, como o mar do Caribe em um dia de sol. Olhos que pareciam capazes de ver através das pessoas, das situações, das mentiras que a gente conta para si mesmo.
— Escadas não são problema para mim. Mas para você, talvez? — ele perguntou, inclinando levemente a cabeça, como se a avaliasse.
Clara sentiu um calafrio que não tinha nada a ver com o frio. Era uma sensação estranha, uma mistura de desconforto e curiosidade. Ela não era de aceitar caronas de estranhos, muito menos de subir escadas com homens que mal conhecia. Mas havia algo nele, uma confiança tranquila, que a fez hesitar.
— Acho que consigo — disse ela, finalmente, ajustando a pasta sob o braço.
E assim começaram a subir. Os degraus de mármore do prédio antigo rangiam levemente sob seus passos. Ele ia à frente, e a cada lance, Clara notava como o tecido do sobretudo se ajustava aos ombros largos, como os músculos se moviam sob a roupa. A proximidade era inevitável. Em um dos patamares, ele parou, virando-se para ela com um sorriso que era ao mesmo tempo um convite e um desafio.
— Você é tradutora, não é? — ele perguntou, como se já soubesse a resposta.
— Sim. E você? — ela retrucou, sentindo o coração acelerar.
Conto erótico: O match point do desejo— Sou... digamos, um observador. Gosto de entender as coisas. As pessoas. — Ele fez uma pausa, e seus olhos desceram até os lábios dela, apenas por um segundo, mas o suficiente para que Clara sentisse o peso daquele olhar. — E você, o que gosta de entender?
A pergunta era simples, mas carregada de possibilidades. Clara sentiu a boca seca. Não era um flerte direto, mas também não era inocente. Havia um jogo ali, uma dança que ela não sabia se queria ou não dançar.
— Acho que gosto de entender o que não é óbvio — respondeu, depois de um momento.
Ele sorriu novamente, e dessa vez, foi como se um segredo tivesse sido compartilhado entre eles. Chegaram ao décimo andar, e Clara notou que sua respiração estava um pouco mais rápida. Ele estendeu a mão para abrir a porta do corredor, e seus dedos roçaram nos dela. Um toque acidental, mas que queimou como fogo.
— Acho que você é uma pessoa interessante, Clara — disse ele, como se lesse seus pensamentos. — E eu gosto de coisas interessantes.
Ela não perguntou como ele sabia seu nome. Não questionou por que, de repente, o ar entre eles parecia carregado de eletricidade. Apenas sentiu. E, pela primeira vez em muito tempo, permitiu-se não pensar.
— Eu moro ali — disse ela, apontando para uma porta ao final do corredor.
— Eu também — mentiu ele, ou talvez não. — Que coincidência.
Ficaram ali, um de frente para o outro, a distância entre eles agora uma questão de centímetros. O cheiro do perfume dele, algo amadeirado e levemente cítrico, misturava-se ao aroma da chuva que ainda pingava do guarda-chuva. Clara não sabia o que fazer. Não sabia se devia recuar, se devia rir, se devia dizer algo. Mas então, ele levantou a mão e, com um dedo, tocou levemente seu queixo, ergueram seu rosto para que seus olhos se encontrassem.
— Você sabe o que quer, Clara? — ele sussurrou, e a voz era tão baixa que ela quase não ouviu.
E foi então que ela entendeu. Não era uma pergunta. Era um convite. Um convite para mergulhar em algo que ela não conhecia, mas que, de alguma forma, sempre soube que existia. O desejo não era mais uma faísca. Era um incêndio, lento, mas implacável.
Ela não respondeu com palavras. Apenas fechou os olhos e deixou que o silêncio entre eles falasse mais alto do que qualquer coisa que pudesse ser dita.
Conto erótico enviado por Helena Voss
Conto erótico: O match point do desejo
Conto erótico: Noites de Miami e o sabor do desejo proibidoConteúdo proibido para menores de 18 anos. Em Contos eróticos temos diversos artigos sobre este tema. Recomendo :)
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