Conto erótico: O toque proibido no balcão

Conto erótico: O toque proibido no balcão

A mão dele pairava sobre o balcão de mármore frio, tão perto que eu sentia o calor emanando de seus dedos antes mesmo que tocassem a superfície. Três segundos. Apenas três segundos antes que o cliente do outro lado do bar chamasse por mais uma bebida, quebrando o feitiço que nos prendia naquele instante silencioso.

"Desculpe," murmurou ele, recolhendo a mão como se tivesse sido queimada.

Eu balancei a cabeça, incapaz de formar palavras enquanto limpava um copo já brilhante. A terceira vez esta semana. A terceira vez que seu toque "acidental" permanecera um segundo demais em minha mão enquanto trocávamos o troco. A terceira vez que o silêncio entre nós se esticara até quase romper, deixando um espaço vazio onde palavras não ousavam entrar.

O bar estava quase vazio naquela terça-feira chuvosa, apenas alguns casais nos cantos escuros e um homem solitário lendo um livro na extremidade do balcão. Longe o suficiente para não perceber. Perto o suficiente para aumentar a tensão.

Lembro-me da primeira vez que o vi, há duas semanas. Entrou sozinho, sentou-se no meu canto habitual e pediu um uísque. Não era particularmente bonito, mas havia algo em seus olhos — uma intensidade que me fez desviar o olhar quando ele me encarou por muito tempo. Desde então, tornou-se um ritual. Ele chegava às nove, sentava-se no mesmo lugar, pedia a mesma bebida, e ficava observando enquanto eu trabalhava.

Hoje, algo era diferente. A chuva batia contra as janelas do bar, criando uma soundtrack íntima para os poucos presentes. Ele não tinha um livro. Não olhava para o celular. Apenas me observava.

"Você trabalha aqui há muito tempo?" A pergunta surgiu do nada, interrompendo o ritual silencioso que estabelecemos.

"Três anos," respondi, minha voz mais rouca do que o esperado. "E você?"

"Primeira vez aqui," mentiu ele. Eu sabia que era mentira. "Mas talvez não a última."

O coração bateu mais rápido. Era a primeira vez que falávamos além de pedidos de bebida e agradecimentos. A primeira vez que suas palavras continham uma promessa velada.

Enquanto preparava seu uísque, senti sua aproximação. Não fisicamente, mas uma presença que preenchia o espaço entre nós. Quando me virei para entregar a bebida, nosso rostos estavam mais próximos do que o normal. O cheiro de sua colônia — algo com notas de madeira e baunilha — invadiu meus sentidos.

"Você tem um olhar..." ele começou, mas parou, como se estivesse avaliando cada palavra.

"Um olhar o quê?" incentivei, surpresa com minha própria audácia.

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Ele sorriu, um movimento lento que não alcançou seus olhos. "Um olhar que diz coisas que sua boca não diz."

A temperatura subiu alguns graus. A mão que segurava o copo tremeu levemente. Coloquei o uísque no balcão com um clique mais alto que o necessário.

"Não sei do que está falando," menti, sabendo que ele perceberia.

"Não?" Ele inclinou-se para frente, o cotovelo apoiado no mármore. Seus dedos traçaram um caminho invisível na superfície, cada vez mais perto da minha mão. "Sua boca diz 'não sei', mas seus olhos dizem 'eu sei exatamente'."

A respiração prendeu em minha garganta. O conflito interno era avassalador. Parte de mim queria recuar, manter a distância profissional que mantivera por anos. Outra parte — a parte que passara noites imaginando este exato momento — ansiava por fechar a distância entre nós.

"Não devemos," comecei, mas as palavras morreram quando seu dedo finalmente tocou o meu.

O toque foi leve, quase imperceptível, mas enviou uma corrente elétrica por todo meu corpo. Foi diferente dos outros toques "acidentais". Desta vez, havia intenção. Desta vez, não havia como fingir que foi um engano.

"Eu sei," ele sussurrou, seus olhos fixos nos nossos dedos que agora se entrelaçavam no balcão. "Mas às vezes, o que não devemos é exatamente o que mais precisamos."

A porta abriu-se com um rangido, trazendo um grupo ruidoso que quebrou o feitiço. Recuei a mão como se tocasse fogo, o coração batendo descompassadamente contra as costelas.

"Desculpe," disse ele novamente, mas desta vez havia uma promessa em seus olhos. "Amanhã?"

Eu não respondi, apenas balancei a cabeça enquanto me afastava, sabendo que amanhã voltaria. Sabendo que amanhã talvez não houvesse necessidade de toques acidentais ou silêncios carregados. Sabendo que amanhã, o proibido talvez se tornasse permitido.

Enquanto o novo grupo ocupava os assuntos próximos a ele, senti seu olhar em minhas costas. Não precisei me virar para saber que ainda me observava. Não precisei me virar para saber que esta história estava apenas começando.

Conto erótico enviado por Marcelo Silva

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Conteúdo proibido para menores de 18 anos. Em Contos eróticos temos diversos artigos sobre este tema. Recomendo :)

Suellen Gomes

Suellen Gomes é pesquisadora e criadora de conteúdo voltada para o universo da sensualidade, bem-estar sexual e autoestima. À frente do Fetiche em pé, trabalha na desmistificação de fetiches e fantasias, promovendo um diálogo seguro, consensual e informativo sobre a liberdade de expressão corporal. Sua missão é empoderar pessoas através do conhecimento e do respeito aos próprios desejos.

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