Conto erótico: Signo de capricórnio o sonho da minha vida

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A primeira vez que a vi, ela estava observando o mar da janela do meu apartamento. Não era uma visita esperada, mas também não era uma surpresa total. Carolina tinha o hábito de aparecer assim, sem aviso, como se o mundo devesse se ajustar à sua presença. Usava um vestido preto que caía até os joelhos, simples, mas que realçava cada curva com uma elegância que só ela conseguia transmitir. O tecido se movia levemente com a brisa que entrava pela janela aberta, e eu me peguei observando como o sol da tarde desenhava sombras suaves em sua pele.

"Você sempre deixa a porta destrancada?" ela perguntou, sem se virar. A voz era baixa, quase um sussurro, mas com um tom de ironia que eu já conhecia bem.

"Só quando sei que você vai aparecer", respondi, enquanto fechava o livro que estava lendo. Não era verdade, mas a mentira saía fácil, como se fosse parte de um jogo que a gente já jogava há tempo.

Ela finalmente se virou, e seus olhos — escuros, profundos — me fixaram por um instante. Havia algo neles que eu não conseguia decifrar, uma mistura de desafio e curiosidade. Carolina sempre teve esse dom de fazer com que eu me sentisse ao mesmo tempo atraído e inseguro, como se cada palavra dela pudesse ser uma armadilha ou um convite.

"Você está lendo o mesmo livro há uma semana", ela observou, aproximando-se. O perfume que usava era leve, mas inconfundível: um toque de baunilha com algo cítrico, que ficava no ar mesmo depois que ela saía.

"É que ele é longo", menti de novo. Na verdade, eu mal tinha virado vinte páginas. Mas não importava. O que importava era a forma como ela se movia pelo cômodo, como se cada passo fosse calculado para me deixar tenso. E funcionava.

Ela se sentou no sofá, cruzando as pernas com uma naturalidade que me fez engolir em seco. O vestido subiu um pouco, revelando um pedaço de pele que eu não tinha visto antes. Não era um gesto proposital, ou pelo menos não parecia. Mas com Carolina, nunca se sabia ao certo.

"Você não vai me oferecer nada para beber?" ela perguntou, erguendo uma sobrancelha.

"Claro. O que você quer?" perguntei, me levantando em direção à cozinha.

"Água. Estou com sede."

Servi dois copos e voltei para a sala. Ela aceitou o dela com um sorriso que não chegava a ser agradecido, mas também não era indiferente. Bebe um gole e deixou o copo sobre a mesa, bem ao meu alcance. Seus dedos roçaram nos meus quando peguei o meu copo, e foi como se uma corrente elétrica tivesse passado entre a gente. Não foi um toque demorado, mas foi o suficiente para que eu sentisse o calor subindo pelo meu pescoço.

"Você está nervoso?" ela perguntou, como se já soubesse a resposta.

"Por que eu estaria nervoso?" retorqui, tentando manter a voz firme.

"Não sei. Talvez porque você sabe que eu sei que você está mentindo sobre o livro."

Rir foi a minha saída. "Você sempre acha que sabe de tudo."

"Não acho. Sei." Ela se inclinou para frente, apenas um pouco, mas o suficiente para que eu sentisse o cheiro do perfume de novo. "E sei que você está evitando me olhar nos olhos."

Era verdade. Eu não conseguia. Havia algo em Carolina que me desestabilizava, uma combinação de confiança e mistério que me fazia querer e temer ao mesmo tempo. Ela era assim: uma mulher que parecia saber exatamente o que queria, mas que nunca revelava tudo de uma vez.

"Talvez eu só esteja cansado", falei, olhando para o copo.

"Cansado ou com medo?"

A pergunta me pegou de surpresa. Medo não era uma palavra que eu associava a mim mesmo, mas ali, naquele momento, eu sentia algo parecido. Medo de perder o controle, medo de me deixar levar por uma corrente que eu não tinha certeza se conseguiria nadar contra.

"Medo de quê?" perguntei, finalmente olhando para ela.

Carolina sorriu, devagar, como se estivesse saboreando o momento. "De mim. De você. De tudo que a gente não diz, mas que está aqui, no ar."

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E estava mesmo. A tensão entre a gente era tão palpável que eu quase conseguia tocá-la. Era como se cada palavra, cada gesto, cada silêncio fosse um fio que nos puxava um para o outro, devagar, mas sem volta.

Ela se levantou e foi até a janela de novo. O sol já estava mais baixo, e a luz dourada iluminava o perfil dela, destacando o contorno do nariz, os lábios entreabertos, o queixo levemente erguido. Fiquei observando, imóvel, como se qualquer movimento meu pudesse quebrar o feitiço.

"Você sabe que eu não sou de fugir das coisas", ela disse, sem se virar.

"Eu sei."

"E você?"

Não respondi. Não precisava. A gente ambos sabia a resposta.

Ela se virou, então, e seus olhos me encontraram. Não havia mais ironia neles, nem desafio. Havia apenas uma pergunta silenciosa, uma que eu não tinha coragem de responder com palavras. Mas o meu corpo respondia por mim. O ar ficara pesado, carregado de algo que não precisava de nome.

Carolina deu um passo em minha direção. Depois outro. E outro. Até que seus sapatos encostaram nos meus pés. Eu não me mexi. Não conseguia. Ela ergueu a mão e passou os dedos pelo meu rosto, devagar, como se estivesse memorizando cada traço. Seu toque era quente, e eu fechei os olhos por um instante, deixando que a sensação me invadis.

"Você está tremendo", ela sussurrou.

Não era tremor de frio. Era algo mais profundo, algo que vinha de um lugar que eu não controlava.

"Carolina...", comecei a dizer, mas minha voz falhou.

Ela não deixou que eu terminasse. Seus lábios encontraram os meus, e foi como se o mundo parasse. Não era um beijo apressado, nem desesperado. Era lento, exploratório, como se a gente tivesse todo o tempo do mundo. E, naquele momento, eu acho que a gente tinha.

Suas mãos desceram pelo meu pescoço, pelos meus ombros, até que seus dedos se entrelaçaram nos meus. Eu não resisti. Não queria. E quando ela me puxou para mais perto, eu fui, sem hesitar, sem pensar, sem nada além daquilo.

O sol já tinha se posto quando a gente finalmente se afastou. A sala estava na penumbra, e o único som era o da nossa respiração, ainda acelerada. Carolina sorriu, e dessa vez era um sorriso de satisfação, de algo que tinha sido resolvido sem palavras.

Qual é o nome da personagem feminina do conto?

O que Carolina está observando quando o narrador a vê pela primeira vez no conto?

Qual é o perfume que Carolina usa no conto?

O que o narrador oferece a Carolina para beber?

Como o narrador descreve o beijo de Carolina?

"Eu sabia que você não ia fugir", ela disse, passando a mão pelo meu cabelo.

E eu não tinha fugido. Não dessa vez.

Conto erótico enviado por Marina Oliveira, de Florianópolis.

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Conteúdo proibido para menores de 18 anos. Em Contos eróticos temos diversos artigos sobre este tema. Recomendo :)

Suellen Gomes

Suellen Gomes é pesquisadora e criadora de conteúdo voltada para o universo da sensualidade, bem-estar sexual e autoestima. À frente do Fetiche em pé, trabalha na desmistificação de fetiches e fantasias, promovendo um diálogo seguro, consensual e informativo sobre a liberdade de expressão corporal. Sua missão é empoderar pessoas através do conhecimento e do respeito aos próprios desejos.

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