Conto erótico: Signo de aquário foi muito além do que eu esperava no dia

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A primeira vez que vi Laura, ela estava discutindo com o barista sobre a temperatura da água do chá. Não era uma discussão qualquer: seus dedos, longos e delicados, tocavam a xícara como se testassem a sinceridade das palavras dele. O movimento era quase imperceptível, mas eu notei. Sempre notava esses detalhes. O café da manhã no Bistrô das Flores era meu ritual matinal, um momento de silêncio antes do escritório. Mas naquele dia, o silêncio foi interrompido por uma voz suave, teimosa, que insistia que o chá verde não podia estar a menos de 80 graus.

Eu sorri para mim mesmo. Aquário, pensei. Ela tinha o jeito: teimosa, curiosa, com uma intensidade que não pedia permissão para existir. Quando ela finalmente se sentou à mesa ao lado, com um suspiro de vitória, seus olhos — um verde claro, quase transparente — cruzaram os meus por um segundo. Não foi um olhar de reconhecimento, mas de avaliação. Como se ela estivesse decidindo se eu valia a pena ser notado.

E eu quis ser notado.

Os dias seguintes foram uma dança de olhares furtivos e sorrisos contidos. Ela sempre chegava às 7h45, pedia o mesmo chá, e eu, o mesmo café preto. Uma vez, nossos cotovelos se roçaram ao alcançar o açúcar ao mesmo tempo. Um toque acidental, mas que queimou mais do que o café escaldante que eu tomava. Ela não se desculpou. Eu também não. Apenas um sorriso tímido, como se ambos soubéssemos que aquele não era um acidente qualquer.

Até que uma manhã chuvosa, o bistrô estava quase vazio. Ela sentou à minha mesa sem pedir licença, como se fosse o lugar mais natural do mundo. "O tempo está horrível", disse, enquanto pingos de chuva escorriam de seu casaco preto. "Perfeito para um chá quente", respondi, sem tirar os olhos do jornal que não estava lendo. Ela riu, um som baixo e rouco, e eu soube que estava perdido.

A conversa fluiu como se tivéssemos nos conhecido há anos. Falamos de tudo e de nada: do gosto amargo do café, da inutilidade dos guardanapos de papel, do modo como a chuva batia nas janelas. Em um momento, ela inclinou o corpo para frente, os cotovelos sobre a mesa, e eu senti o cheiro de seu perfume: algo cítrico, fresco, como o ar depois de uma tempestade. "Você acha que a gente se conhece de algum lugar?", ela perguntou, brincando com a colher. Eu não respondi de imediato. A pergunta era um convite, uma armadilha, um jogo. E eu não queria errar a jogada.

"Talvez de um sonho", falei, finalmente. Ela sorriu, e por um instante, vi um brilho nos seus olhos que não estava lá antes. Era como se ela soubesse que eu não estava falando do sono.

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A tensão entre nós era um fio esticado, pronto para arrebentar. Cada palavra, cada gesto, cada silêncio carregava um peso que não podíamos mais ignorar. Quando ela se levantou para ir embora, seus dedos roçaram meu ombro. Não foi um toque acidental. Foi uma promessa.

1. Onde os personagens se conhecem?

2. Qual é o detalhe que o narrador nota em Laura na primeira vez que a vê?

3. O que Laura pede sempre que vai ao bistrô?

4. Qual é o perfume de Laura?

5. O que Laura faz ao sair do bistrô na manhã chuvosa?

Fiquei ali, observando-a sair, o casaco preto se misturando com a sombra da porta. A xícara de chá, agora fria, estava esquecida na mesa. Assim como eu, até então, tinha esquecido como era sentir algo tão intenso.

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Conto erótico enviado por Marina Oliveira, de Florianópolis.

Conteúdo proibido para menores de 18 anos. Em Contos eróticos temos diversos artigos sobre este tema. Recomendo :)

Suellen Gomes

Suellen Gomes é pesquisadora e criadora de conteúdo voltada para o universo da sensualidade, bem-estar sexual e autoestima. À frente do Fetiche em pé, trabalha na desmistificação de fetiches e fantasias, promovendo um diálogo seguro, consensual e informativo sobre a liberdade de expressão corporal. Sua missão é empoderar pessoas através do conhecimento e do respeito aos próprios desejos.

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