Conto erótico: O Natal que a memória guardou

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Hoje o cheiro de canela me acordou. Não era o aroma vindo da cozinha, não havia panela no fogo nem pão assando. Era apenas a lembrança, teimosa, grudada nas paredes do meu quarto como se o tempo não tivesse passado. Fechei os olhos e lá estava ela de novo: a sala da casa da serra, o sofá de couro escuro, o abajur aceso mesmo de tarde, jogando uma luz amarela sobre o tapete felpudo. E o som do vinho sendo servido, o tilintar dos copos que não era casual, não naquela tarde.

Ele tinha chegado cedo, trazendo uma garrafa que não era para a ceia. "Para abrir o apetite", disse, com um sorriso que não era só cortesia. Eu fingi não notar a intenção por trás das palavras, mas o corpo não mentia: um calor subia pelo pescoço, e os dedos tremiam levemente ao segurar o copo. A proximidade era um jogo. Ele se sentou no sofá, e eu, na poltrona em frente, mas a distância parecia encolher a cada segundo. Os olhares se cruzavam, demoravam, como se cada um quisesse desvendar o que o outro não ousava dizer.

O silêncio não era vazio. Era carregado, como o ar antes de uma tempestade. Eu sentia o peso do meu próprio respiro, a textura do tecido da blusa colando na pele, o cheiro do perfume dele — algo amadeirado, com um toque de especiarias. Quando ele esticou a mão para pegar o meu copo e o colocou na mesa, seus dedos roçaram nos meus. Não foi acidente. Eu soube na hora. E não recuei.

A tensão crescia como uma maré. Ele se levantou, aproximou-se devagar, e eu fiquei imóvel, como se qualquer movimento pudesse quebrar o encanto. Quando sua mão tocou meu ombro, foi como um raio: uma descarga de desejo que eu vinha reprimindo há semanas. "Você sabe que isso vai acontecer", ele murmurou, e não era uma pergunta. Era uma afirmação, um convite, uma rendição. Eu não respondi com palavras. Apenas fechei os olhos e deixei que o calor entre nós tomasse conta.

1. Qual aroma acorda a narradora no início do texto?

2. O que o personagem masculino traz que não era para a ceia?

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3. Qual elemento sensorial NÃO é mencionado no texto?

4. Como a narradora reage ao toque do personagem masculino em seu ombro?

5. Qual a dinâmica emocional predominante entre os personagens?

Você deixou algumas respostas pelo caminho. Complete as cinco antes de descobrir o quanto realmente prestou atenção.

Agora, anos depois, ainda sinto o gosto do vinho na boca, a textura do sofá sob as minhas costas, o peso do seu corpo sobre o meu. Não foi só o Natal que marcou aquela data. Foi a primeira vez que eu entendi que o desejo não é algo que se controla. Às vezes, ele apenas acontece.

Conto erótico enviado por Marina Costa, de Florianópolis.

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Conteúdo proibido para menores de 18 anos. Em Contos eróticos temos diversos artigos sobre este tema. Recomendo :)

Suellen Gomes

Suellen Gomes é pesquisadora e criadora de conteúdo voltada para o universo da sensualidade, bem-estar sexual e autoestima. À frente do Fetiche em pé, trabalha na desmistificação de fetiches e fantasias, promovendo um diálogo seguro, consensual e informativo sobre a liberdade de expressão corporal. Sua missão é empoderar pessoas através do conhecimento e do respeito aos próprios desejos.

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