Conto erótico: Fantasia na varanda sob a lua cheia

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A varanda de madeira rangeu sob seus pés descalços. Não era o som que a incomodava, mas a maneira como ele a observava. O ar noturno, pesado com o perfume das gardênias, colava a camisa fina ao seu corpo, como se a própria noite quisesse senti-la. A lua cheia, prateada e implacável, derramava luz sobre os móveis antigos, sobre os dedos dele, que brincavam com o copo de vinho quase vazio. Quase. Como tudo ali.

Ela não se lembrava de ter se aproximado. Mas agora estava ali, a menos de um palmo de distância, e o calor que emanava dele era mais intoxicante que o vinho. Um riso abafado, mais nervoso do que pretendia, escapou de seus lábios. Ele não sorriu. Apenas ergueu os olhos, devagar, como se o movimento fosse uma concessão, não uma escolha. E ali, naqueles segundos esticados, ela sentiu o peso do olhar dele: não era um convite, era uma promessa.

Você sabe o que está fazendo? A voz na cabeça dela não era sua. Ou talvez fosse, mas distorcida pelo eco de outras noites, de outras varandas, de outras luas que haviam testemunhado silêncios como aquele. Os dedos dele roçaram os seus ao pegar a garrafa. Um acidente? Um teste? O toque foi breve, mas suficiente para queimá-la por dentro. A pele dela ardeu, não de dor, mas de uma fome que não tinha nome.

— A lua está diferente hoje — ela disse, e odiou a banalidade das palavras.

Ele não respondeu. Em vez disso, inclinou-se levemente para frente, e o cheiro de cravo e canela a envolveu. Não era um perfume, era algo mais primitivo, como se o próprio ar entre eles tivesse se tornado uma substância densa, carregada de intenções não ditas.

Não olhe para baixo. Não recue.

Mas ela olhou. Os botões da camisa dele estavam semiabertos, e a sombra entre os tecidos dançava com a luz da lua. Um convite. Uma armadilha. O coração dela batia tão forte que tinha certeza de que ele podia ouvi-lo. Ou será que era o dela que ouvia o dele? O som se misturava ao zumbido dos grilos, ao farfalhar das folhas, ao rangido da varanda.

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— Você está tremendo — ele finalmente falou, e a voz era áspera, como se as palavras tivessem sido arrastadas de algum lugar profundo.

Ela não tinha percebido. Mas agora sim. As mãos dela estremeciam, e não era de frio. Era de algo muito mais perigoso: a certeza de que, se ele a tocasse de verdade, se os dedos dele se fechassem em torno dos seus, não haveria volta. Não naquela noite. Não sob aquela lua.

Um vento súbito sacudiu as cortinas. Por um instante, a sombra dele se fundiu à dela na parede, como se os dois fossem uma só coisa, uma só silhueta descontrolada. Ela fechou os olhos. Sentiu o hálito dele, quente, próximo ao seu ouvido.

— E se eu te dissesse que já sonhei com isso? — ele murmurou.

O que era "isso"? O toque? O silêncio? A queda?

Ela não respondeu. Não precisava. O corpo dela já havia respondido, arqueando-se levemente em sua direção, como uma flor que se volta para o sol. Mas não havia sol ali. Só a lua, fria e indiferente, testemunhando o momento em que o controle mudava de mãos.

Quando os lábios dele finalmente encontraram os dela, não foi um beijo. Foi uma rendição.

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Conto erótico enviado por Larissa Varga

Conteúdo proibido para menores de 18 anos. Em Contos eróticos temos diversos artigos sobre este tema. Recomendo :)

Suellen Gomes

Suellen Gomes é pesquisadora e criadora de conteúdo voltada para o universo da sensualidade, bem-estar sexual e autoestima. À frente do Fetiche em pé, trabalha na desmistificação de fetiches e fantasias, promovendo um diálogo seguro, consensual e informativo sobre a liberdade de expressão corporal. Sua missão é empoderar pessoas através do conhecimento e do respeito aos próprios desejos.

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