
Conto erótico: Historias gays longas que te envolvem por horas

A noite sempre teve essa coisa de esticar os segundos, fazer com que cada minuto pareça uma hora inteira quando se está esperando por algo — ou por alguém. Eram quase vinte e três quando ouvi a chave girar na fechadura, e meu coração deu aquele pulo que já conhecia tão bem, mas que nunca aprendia a controlar.
Ele entrou devagar, como quem sabia que eu estava acordado, como quem media cada passo no corredor escuro. O silêncio entre nós era tão carregado que parecia ter peso físico, uma manta grossa que nos envolvia antes mesmo de qualquer palavra ser dita. Eu fingia ler, mas a página estava parada há pelo menos uma hora, as mesmas palavras se repetindo sem fazer sentido.
Ele parou na porta do quarto. Não disse nada. Apenas ficou ali, com aquela camisa desabotoada até o peito, os olhos fixos nos meus. E nesse olhar prolongado havia tanta coisa — tantas noites de dúvida, tantos dias de silêncio, tantas conversas que começaram e nunca terminaram. Eu senti o peso de cada segundo que passou entre a gente, os anos de amizade que se transformaram nesse algo indefinido que nenhum de nós tinha coragem de nomear.
— Não consegui dormir pensando em você — ele disse, a voz rouca, como se tivesse passado horas ensaiando essas palavras.
Era estranho ouvir isso. Durante meses, eu me convenci de que era apenas coisa da minha cabeça, que os toques sutis quando ele passava a mão no meu cabelo, as desculpas esfarrapadas para ficar mais perto, as noites em que ele inventava um filme longo só para ter uma desculpa para ficar no sofá — tudo isso era só imaginação. Mas ali, na meia-luz do abajur, com ele olhando para mim como se eu fosse a única coisa no mundo que fazia sentido, a dúvida se dissolvia.
— Senta aqui — eu disse, afastando o livro, sentindo a ansiedade subir pela garganta.
Ele cruzou o quarto devagar, e cada passo ecoava como um tambor dentro do meu peito. Quando se sentou na beira da cama, pude sentir o cheiro dele — uma mistura de rua, de noite, de algo que eu não sabia nomear, mas que já estava gravado em mim como uma cicatriz invisível. Ficamos em silêncio por um tempo que pareceu eterno, os ombros quase se tocando, a respiração cada vez mais curta.
— Eu sei que isso não é certo — ele começou, a voz trêmula. — Sei que a gente deveria ter conversado antes, sei que...
— Para — interrompi, colocando a mão sobre a dele. — Só para.
O toque foi como um choque elétrico, e eu vi nos olhos dele que ele sentiu o mesmo. Era um desejo reprimido que transbordava, que vazava por cada poro, que transformava o ar em algo denso e difícil de respirar. Ele virou a palma da mão para cima, entrelaçou os dedos nos meus, e ali ficamos, dois homens crescidos com medo de avançar, com medo de recuar, presos naquele instante que não cabia em palavras.
— Pode ser que tudo dê errado — ele sussurrou, o rosto tão perto que eu sentia o calor da sua respiração. — Pode ser que a gente se perca.
— Ou pode ser que a gente se encontre — respondi, sentindo a verdade daquelas palavras ecoar em algum lugar fundo dentro de mim.
Conto erótico: A noite que reescreveu o mapaEle mexeu a mão livre, e seus dedos traçaram o contorno do meu rosto com uma lentidão que doía. Cada toque sutil era uma pergunta, uma hesitação, um passo dado e devolvido. Eu fechei os olhos quando ele chegou perto dos meus lábios, sentindo o ar fugir dos meus pulmões, esperando algo que parecia levar horas para acontecer.
E quando finalmente aconteceu, quando seus lábios tocaram os meus, foi como se todas aquelas horas de espera, todos aqueles meses de silêncio, todas aquelas noites em claro tivessem sido apenas o prelúdio para este momento. Beijar ele era como ler um livro que eu já sabia de cor, mas que a cada página nova me surpreendia.
As horas se esticaram, se torceram, perderam o sentido. Não sei quanto tempo passamos ali, desvendando um ao outro com a paciência de quem tem uma vida inteira pela frente — ou de quem sabe que pode não haver amanhã. Havia uma urgência, sim, mas também uma delicadeza que me fazia chorar por dentro. Cada camada de roupa que caía era uma barreira a menos, cada centímetro de pele descoberto era uma promessa.
Nós fizemos amor, sim, mas antes de tudo, nós conversamos. Com os corpos, com os olhos, com os silêncios que se alongavam entre um beijo e outro. O quarto ficou pequeno para tanta coisa, e ao mesmo tempo, gigante o suficiente para guardar cada suspiro, cada gemido abafado, cada palavra dita no ouvido como um segredo que só os dois poderiam guardar.
Quando tudo acabou, quando o cansaço finalmente venceu e nossos corpos se encontraram exaustos no meio da cama, eu olhei para o teto e pensei em todas as vezes que me escondi, em todas as vezes que neguei para mim mesmo o que sempre soube. Ele estava ao meu lado, a respiração já mais calma, a mão ainda pousada no meu peito como se quisesse sentir meu coração.
— E agora? — ele perguntou, a voz pequena, quase infantil.
Eu virei para ele, encarei seus olhos que já estavam se fechando, e sorri.
— Agora a gente espera o sol nascer — respondi. — E depois a gente descobre.
Houve algo naquele momento, naquele silêncio que se seguiu, que me fez perceber que essa noite ia ficar guardada em mim para sempre. Não por causa do sexo, mas por causa da entrega. Porque ele tinha confiado em mim, e eu nele, e juntos a gente tinha construído um espaço onde o medo não cabia mais.
O relógio marcava quase quatro da manhã quando o sono finalmente me levou. Mas antes de fechar os olhos, vi o primeiro clarão do dia começando a pintar a janela, e pensei em como às vezes a gente passa a vida inteira esperando o momento certo, sem perceber que ele já está ali, na porta, esperando a gente ter coragem de abrir.
Acordei com ele ainda dormindo ao meu lado, o rosto tranquilo, a mão ainda tocando a minha. E enquanto o observava, senti uma paz que não sentia há anos. Não importava o que viria depois — se a gente ia conseguir, se ia dar certo, se o mundo lá fora ia entender. Importava que naquela noite, por aquelas horas que pareceram uma vida inteira, a gente tinha sido verdadeiro.
E talvez seja isso o amor, pensei. Não os grandes gestos, não as palavras bonitas. Mas os silêncios compartilhados, os olhares que dizem tudo, os toques que curam. E a coragem de ficar, mesmo quando tudo parece incerto.
Conto erótico: A noite que reescreveu o mapa
Conto erótico: A nora e a noite que queimou a peleConto erótico enviado por Lucas Mendes
Conteúdo proibido para menores de 18 anos. Em Contos eróticos temos diversos artigos sobre este tema. Recomendo :)
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