Conto erótico: Paixão gay com reviravoltas insanas

Fetiche Em Pe Logo

O cheiro de chuva e madeira velha me envolveu assim que entrei no saguão da pousada. Minhas mãos ainda tremiam levemente enquanto segurava a mochila, e eu sabia que não era só o frio da noite. Era ele. Estava ali, a poucos metros, com aquele sorriso torto que me desarmava desde os dezenove anos.

— Atrasei, né? — Murilo falou sem se virar, como se sentisse minha presença. A voz dele tinha um tom grave que percorreu minha espinha.

— Três horas. — Minha resposta saiu mais rouca do que eu pretendia. — O ônibus quebrou na serra.

Ele finalmente se virou. O casaco de couro preto, a barba por fazer, os olhos castanhos que brilhavam sob a luz amarelada do lustre. Cinco anos tinham passado, mas o corpo dele continuava esculpido como eu lembrava. Ombro largo, cintura estreita, aquele jeito de ocupar o espaço como se fosse dono do ar ao redor.

— Pensei que não viria. — Ele deu um passo em minha direção.

— Eu disse que viria.

— Você disse muitas coisas.

O silêncio entre nós era pesado, cheio de promessas não cumpridas e corpos que ainda se lembravam do toque um do outro. A recepcionista tossiu discretamente, e eu percebi que estávamos parados no meio do caminho, bloqueando a passagem.

— Quarto 307. — Murilo jogou a chave para mim. — Sobe primeiro. Preciso resolver uma coisa.

Peguei a chave no ar, sentindo o metal frio contra minha palma. O número 307 estava gravado em relevo, e algo naquela numeração me fez hesitar. Três zero sete. A data do nosso primeiro beijo. 3 de julho.

A escada rangeu sob meus pés enquanto subia. Cada degrau parecia ecoar os passos que eu não dei durante todos esses anos. Desde que terminei tudo por telefone, uma noite de outubro, depois de uma briga que parecia besta mas carregava o peso de meses de silêncio.

O corredor do terceiro andar era estreito, tapete vermelho desbotado, paredes com papel de parede florido. Encontrei a porta 307 facilmente. A maçaneta girava áspera, e o quarto tinha um cheiro de incenso e lavanda que me atingiu como uma memória física.

Ele tinha preparado tudo. Velas sobre a cômoda, taças de vinho, uma garrafa de Cabernet já aberta. A cama estava coberta com lençóis de cetim preto, algo que eu sempre dizia que queria experimentar mas nunca tínhamos comprado.

Me sentei na borda da cama e fechei os olhos. Meu corpo inteiro vibrava, uma eletricidade subcutânea que aumentava cada batida do coração. Por que tinha vindo? A mensagem chegou três semanas atrás. "Preciso te ver. Uma última vez. Pousada do Bosque. 15 de maio. Se ainda sentir algo, vem."

E eu vim. Como um idiota. Como sempre vinha.

A porta se abriu sem que eu ouvisse os passos. Murilo estava ali, apoiado no batente, os olhos fixos em mim.

— Você continua bonito, — ele disse, a voz mais baixa agora. — Mais magro. Mas bonito.

— Você continua um canalha.

Ele riu, um som que era quase um gemido. — Por isso você veio. Porque eu sou um canalha e você sente falta disso.

— Sinto falta de você. — As palavras escaparam antes que eu pudesse segurá-las. — Sinto falta de tudo. Até das brigas.

Murilo cruzou o quarto em passos lentos, controlados. Cada movimento dele era calculado, como se estivesse medindo distâncias, temperaturas, possibilidades. Quando ele parou na minha frente, a poucos centímetros, eu pude sentir o calor irradiando do corpo dele.

— Cinco anos, — ele sussurrou. — Cinco anos e você ainda treme quando estou perto.

— Você não mudou nada.

— Mudei. — A mão dele subiu para tocar meu rosto, e eu fechei os olhos. — Aprendi a esperar. Aprendi que algumas coisas não se forçam. Aprendi que você ia voltar.

Seus dedos percorreram minha mandíbula, desceram pelo meu pescoço. O toque era leve, quase reverente, mas eu sentia a intensidade por trás dele. Meu corpo respondia de forma primitiva, o sangue correndo mais quente, a respiração se tornando irregular.

— Não voltei para você, — menti.

— Claro que não. — Ele inclinou a cabeça, os lábios roçando minha orelha. — Você voltou para isso.

E então ele mordeu meu lóbulo, suavemente, e um gemido escapou da minha garganta. Minhas mãos encontraram a cintura dele, puxando-o contra mim, sentindo a rigidez do corpo dele através do jeans. A tensão que carreguei por cinco anos começou a se desfazer naquele contato.

— Eu te odiei, — murmurei contra o ombro dele. — Te odiei por tanto tempo.

— Eu sei. — Ele desabotoou minha calça com uma habilidade que me fez lembrar de tudo. — E eu merecia.

— Não. — Minhas mãos subiram pelas costas dele, encontrando a pele quente sob a camisa. — Eu que errei. Eu que fugi.

Murilo parou. Recuou o suficiente para olhar nos meus olhos, e o que vi ali me fez prender a respiração. Não era só desejo. Era algo mais antigo, mais profundo. Cinco anos de ausência, cinco anos de palavras não ditas.

Conto erótico: Gays maduros e sem filtroConto erótico: Gays maduros e sem filtro

— Não é sobre culpa, — ele disse. — É sobre escolha. Você está aqui porque escolheu. E eu estou aqui porque nunca deixei de escolher você.

A cama rangeu quando ele me empurrou para trás, seu corpo cobrindo o meu, o peso dele uma âncora que me mantinha no presente. Suas mãos percorreram meu torso, desabotoando minha camisa com uma paciência que beirava a tortura. Cada botão liberado era uma camada de defesa caindo.

— Me beija, — eu pedi. Não era um sussurro. Era uma súplica.

Ele me beijou. Não como os beijos lembrados dos dezenove anos. Era um beijo que carregava anos de frustração, de desejo reprimido, de noites em claro pensando no que poderíamos ter sido. Sua língua encontrou a minha, e eu me perdi na familiaridade daquele gosto.

As roupas foram desaparecendo em algum ponto entre beijos e toques. A pele dele contra a minha criava faíscas, cada centímetro de contato uma revelação. Suas mãos exploravam meu corpo como se estivesse memorizando cada curva, cada cicatriz, cada lugar onde eu era mais sensível.

— Lembra da primeira vez? — ele perguntou, os lábios percorrendo meu peito.

— Não quero lembrar. — Minhas mãos enterraram no cabelo dele. — Quero isso. Agora.

Ele riu contra minha pele, e a vibração percorreu meu corpo inteiro. — Sempre tão impaciente.

— Cinco anos, Murilo. Cinco anos de espera. — Puxei o rosto dele para cima, forçando-o a me olhar. — Você pode me fazer esperar mais?

A resposta veio em forma de movimento. Ele se posicionou entre minhas pernas, e eu senti o calor do corpo dele contra o meu, a excitação mútua, a urgência que parecíamos conter por pura força de vontade. Suas mãos guiaram minhas pernas em volta da cintura dele, e quando ele entrou em mim, foi devagar.

Meu corpo se arqueou, um som que era mistura de dor e prazer escapando dos meus lábios. Murilo parou, esperou, deixando que eu me ajustasse. Seus olhos estavam fixos nos meus, e ali, naquela conexão, vi todo o amor que eu tinha jogado fora.

— Eu te amo, — ele disse, a voz trêmula. — Sempre amei. Mesmo quando você foi embora.

— Eu também, — respondi, as palavras saindo em um fôlego entrecortado.

E então ele se moveu. Cada movimento era uma declaração, cada impulso uma promessa. Nossos corpos encontraram um ritmo antigo, algo que tinha ficado adormecido mas nunca esquecido. Suas mãos apertavam minhas coxas, meu rosto, meu cabelo. Eu me agarrava a ele como se fosse a única coisa sólida no universo.

O quarto parecia encolher ao nosso redor. As velas tremeluziam, projetando sombras dançantes nas paredes. O som dos nossos corpos se encontrando, as respirações ofegantes, os gemidos abafados — tudo isso criava uma sinfonia que era só nossa.

— Você não pode ir embora de novo, — ele murmurou contra meu pescoço. — Não depois disso.

O orgasmo me atingiu como uma onda, inesperado e avassalador. Meu corpo se contraiu ao redor dele, e eu ouvi o gemido rouco que escapou de Murilo enquanto ele me seguia, seu corpo tenso, o calor se espalhando dentro de mim.

Ficamos assim por um longo tempo, nossos corpos ainda conectados, suores se misturando, respirações se acalmando lentamente. O cheiro de sexo e incenso permeava o ar, e eu me sentia mais leve do que me sentia em anos.

Foi então que Murilo se inclinou, o rosto ao lado do meu. — Eu preciso te contar uma coisa, — ele sussurrou.

— O quê?

— A pousada. Ela é minha. Comprei há dois anos. — Ele riu baixinho. — Eu sabia que você ia voltar. Construí isso para nós. Para recomeçar.

O choque me fez sentar, empurrando-o para longe. — O quê? Você sabia que eu ia voltar? Como?

— Porque eu nunca parei de te amar. — O sorriso dele era quase tímido, algo que eu não via nele há muito tempo. — E porque eu instalei um rastreador no seu telefone. Antes de você ir embora.

Minha boca se abriu, mas nenhuma palavra saiu. Raiva, surpresa, um toque de medo. Mas também... também admiração pela audácia.

— Você é louco, — finalmente consegui dizer.

— Por você. Sempre.

Ele me puxou de volta para os braços dele, e contra todas as minhas defesas, eu cedi. Porque no fundo, eu sabia que essa era a reviravolta mais insana de todas. A pousada não era um encontro casual. Era uma armadilha. E eu tinha caído com os olhos abertos.

— Promete que não vai mais fugir? — ele perguntou.

— Prometo.

— Promete que vai ficar comigo?

— — Sim. — A resposta veio antes que eu pudesse pensar. — Sim, Murilo. Vou ficar.

Ele sorriu contra meu cabelo, e eu senti o corpo dele relaxar, a tensão desaparecendo. Do lado de fora, a chuva começou a cair novamente, batendo contra a janela. Mas dentro do quarto 307, só existia o calor de dois corpos que finalmente tinham encontrado o caminho de volta um para o outro.

Conto erótico: Gays maduros e sem filtroConto erótico: Gays maduros e sem filtro
Conto erótico: Os pezinhos que me enfeitiçaramConto erótico: Os pezinhos que me enfeitiçaram

Conto erótico enviado por Rafael Mendes
Pousada do Bosque, Campos do Jordão - SP

Conteúdo proibido para menores de 18 anos. Em Contos eróticos temos diversos artigos sobre este tema. Recomendo :)

Suellen Gomes

Suellen Gomes é pesquisadora e criadora de conteúdo voltada para o universo da sensualidade, bem-estar sexual e autoestima. À frente do Fetiche em pé, trabalha na desmistificação de fetiches e fantasias, promovendo um diálogo seguro, consensual e informativo sobre a liberdade de expressão corporal. Sua missão é empoderar pessoas através do conhecimento e do respeito aos próprios desejos.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Go up