
Conto erótico: O peso de um olhar entre o doce e o salgado

A colher de prata escorregou entre os dedos de Clara, não por acidente, mas porque a atenção dela estava presa ao jeito como Daniel observava seus lábios ao provar a mousse. Não era o primeiro doce que ela preparava para ele, mas era a primeira vez que o ar entre os dois ficava tão denso que quase se podia cortar com a faca de sobremesa.
Ele sabe que estou vendo, pensou, enquanto o chocolate derretia na língua e o calor subia pelo pescoço. E não desvia o olhar.
Daniel não tocou no prato. Em vez disso, passou o polegar pela borda da xícara de café, um gesto lento, calculado, como se medisse o tempo entre o que queria dizer e o que ousaria fazer. O silêncio na cozinha era um terceiro personagem, carregado de tudo que não era dito. Clara sentiu o peso do vestido colado à pele, o tecido repentinamente apertado demais, como se o corpo dela estivesse inchando com a tensão.
— Você sempre faz isso? — ele perguntou, a voz baixa, quase um sussurro.
— Fazer o quê? — Ela fingiu não entender, mas sabia. Sabia que ele falava daqueles segundos a mais em que seus olhos se encontravam, da forma como ela deixava os dedos repousarem um pouco além do necessário ao servir a sobremesa.
Conto erótico: O peso do silêncioDaniel se inclinou para frente, apenas alguns centímetros, mas o suficiente para que Clara sentisse o cheiro do perfume dele — algo cítrico, com um toque de especiarias. O arrepio foi involuntário.
— Deixar tudo tão… perigoso.
Ela não respondeu. Não precisava. O toque veio sem aviso: os dedos dele roçaram os dela ao pegar a colher abandonada, e o mundo reduziu-se àquele ponto de contato. A pele de Clara queimou, não pelo calor da cozinha, mas pela certeza de que aquele jogo tinha acabado de ganhar novas regras.
O telefone tocou na sala, alto, insistente. Clara piscou, como se acordasse de um sonho, e recuou a mão. Daniel sorriu, um sorriso que não chegava aos olhos, e se afastou para atender.
Ficou a mousse intocada, o chocolate começando a perder o brilho, e a pergunta que nenhum dos dois teve coragem de fazer: até onde iriam deixar esse fogo queimar?
Conto erótico: O peso do silêncio
Conto erótico: O toque que acende a noiteConto erótico enviado por Lúcia Varella
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Conto erótico: O peso de um olhar entre o doce e o salgado
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