Conto erótico: A Camisola que Não Era Minha

Conto erótico: A Camisola que Não Era Minha

A seda escorregava entre os dedos como um suspiro. Não deveria estar ali, entre as roupas dela, mas o tecido era frio e convidou o toque antes que a razão pudesse protestar. Por que isso importa tanto? A pergunta queimava mais do que o vinho que havia tomado antes. Ou depois. Não lembrava bem.

O quarto estava quase escuro, só a luz da rua filtrando pelas cortinas, desenhando linhas tortas no chão. Ela tinha saído para buscar algo — água, uma desculpa, talvez tempo. E ele ficou. Com a camisola entre as mãos, o cheiro dela ainda preso às fibras. Lavanda. Ou era jasmim? Não importava. O que importava era o peso daquilo, leve demais para ser real, e o jeito como o corpo reagia ao imaginá-la vestindo aquilo. Ou não vestindo.

Um barulho na porta. Passos. Ele largou a peça sobre a cama, como se queimasse, mas não se afastou. Não havia tempo. Ela entrou, o copo d’água na mão, os olhos fixos nele antes de baixarem para a camisola. Um segundo. Dois. O ar ficou espesso, carregado com algo que não era só o cheiro do tecido.

— Você estava procurando alguma coisa? — A voz dela era baixa, mas não frágil. Nunca frágil.

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Ele deveria negar. Inventar uma desculpa. Mas a verdade era que sim, estava procurando. Não a camisola. Não exatamente. Procurava o momento em que o toque acidental dos dedos dela nos seus, mais cedo, tinha feito o mundo parar. Procurava a coragem de admitir que o silêncio entre eles não era vazio — era cheio de coisas não ditas, de desejos que se enrolavam como fumaça.

Ela deixou o copo na mesa. Um clique surdo. Depois, os dedos dela — frios, hesitantemente quentes — roçaram o tecido sobre a cama. Não o pegou. Não o afastou. Só deixou ali, entre os dois, como uma pergunta.

— Não é minha — ele disse, finalmente. Não era uma resposta. Era um convite.

Os olhos dela encontraram os dele. Não havia mais desculpas, nem água, nem cortinas fechadas. Só a camisola, o peso do silêncio, e a certeza de que, dessa vez, ninguém iria embora.

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Conto erótico enviado por Lucas V.

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Conto erótico: A Camisola que Não Era Minha
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Suellen Gomes

Suellen Gomes é pesquisadora e criadora de conteúdo voltada para o universo da sensualidade, bem-estar sexual e autoestima. À frente do Fetiche em pé, trabalha na desmistificação de fetiches e fantasias, promovendo um diálogo seguro, consensual e informativo sobre a liberdade de expressão corporal. Sua missão é empoderar pessoas através do conhecimento e do respeito aos próprios desejos.

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